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Saber que há muito para estudar mas não conseguir sair do lugar é uma sensação que todo concurseiro conhece. A procrastinação é tão comum que pesquisadores da Universidade do Colorado (EUA) descobriram que há, inclusive, uma explicação genética para deixar para depois o que sabe-se que precisa ser feito. Esse comportamento mina a energia de ação de quem está se preparando para concursos e afeta a autoestima. Conhecer estratégias para reverter esse cenário é essencial para se tornar servidor público.

É bem provável que não exista um ser humano que, em algum momento da vida, não tenha negligenciado suas tarefas para se ocupar de distrações ou de atividades que não eram prioritárias. Apesar de ser considerada uma atitude normal, procrastinar pode passar a ser um problema quando prejudica atividades funcionais das rotinas pessoal e profissional.

Na prática, o que se percebe é que a procrastinação é um sinal de alerta, um “sintoma” de outros fatores que bloqueiam o estudo para as provas. O fenômeno tem origens motivacionais e envolve aspectos individuais, relacionados a crenças e valores, e ambientais.

O senso de urgência, por exemplo, pode ter dois efeitos: impulsionar aos estudos, em razão do prazo limitado de uma prova iminente ou bloquear o candidato por acreditar que não há tempo hábil para tamanho volume de disciplinas. Em contrapartida, a falta da referência temporal, ou seja, não saber quando as provas ocorrerão ou quando será divulgado o edital, gera uma ilusória percepção de que não há necessidade de priorizar a dedicação, afinal, o raciocínio é de que haverá tempo hábil para executar as tarefas.

Expectativa exagerada
A enrolação pode ocorrer também quando não há identificação com o cargo escolhido ou quando a decisão de participar da seleção está em desacordo com a real vontade do candidato.

Uma expectativa exagerada em relação a como a vida será depois da aprovação ou a crença limitante de que o desafio é muito mais que a própria capacidade de superá-lo são outras razões comuns. A falta de clareza do propósito de embarcar em um projeto como esse provoca reações contrária, de boicote, de paralisia e de sabotagem.

Entender as razões pelas quais a procrastinação acontece e quais são as desculpas para retroalimentar esse comportamento são os primeiros passos para reverter o cenário. Manter-se na inércia é aumentar o gasto de energia que acaba com a força de vontade necessária para voltar a se movimentar.

As consequências geram uma espiral emocional negativa com aumento do estresse, do sentimento de culpa e de vergonha, de impotência e de incapacidade. Em casos mais graves, a manutenção e o reforço desse comportamento pode levar à depressão e a crises de ansiedade"

De volta ao eixo
Como o relógio não para esperando que se recupere o fôlego e a disposição, é necessário saber o que fazer para sair desse estado letárgico e inerte e voltar ao eixo. Os cientistas começaram a se preocupar com os efeitos negativos e disfuncionais da procrastinação no início da década de 1980, e chegaram a algumas conclusões que clareiam o caminho para uma nova atitude.

Segundo o pesquisador da Universidade de Carleton (Canadá) e psicólogo Tim Pychyl, não se trata de uma questão de tempo, mas de falta de organização e de gerenciamento emocional. A impulsividade também faz parte da conta. O prazer imediato de não fazer nada ou se render às distrações potencializa a recorrência dos adiamentos.

Também há estudos que comprovam que a energia gasta para se manter procrastinando é bem maior do que a demandada para executar a atividade programada. Sendo assim, o simples fato de ignorar a paralisia e partir para ação rompe o ciclo.

A partir de então, é ficar atento para não voltar ao mesmo estado. Reduzir significativamente o que gera as ações impulsivas, como as distrações como as redes sociais e as notificações do celular, evitar estudar deitado ou, ainda, manter longas horas sem se alimentar ajudam nesse desafio.

Plano contra a preguiça
Boa parte das pessoas, e dos concurseiros, não tem um plano de emergência para situações adversas como preguiça, sono, indisposição ou procrastinação e terminam por se deixar levar, sofrendo ainda mais em razão das consequências.

Criar uma “rotina antiprocrastinação” tem um efeito poderoso para diminuir o tempo e a energia gastos nesse tipo de situação. Para isso, depois de ter uma lista com as razões e as desculpas, é recomendável ter uma segunda lista com as ações imediatas que podem ser feitas para romper o padrão improdutivo e retomar o planejamento e os estudos.

Vencer a letargia provocada pelos adiamentos e pelo acúmulo de conteúdo a ser estudado exige persistência e uma dose extra de esforço. Estão em jogo o sonho de se tornar servidor público no futuro próximo e a própria qualidade de vida atual. Se tornar sensível aos sintomas e agir imediatamente é o caminho para ser vencedor nessa batalha.



 


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