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O primeiro passo do próximo concurso para diplomatas foi dado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). A comissão interna prepara a documentação a fim de escolher a banca organizadora. Tradicionalmente, a seleção é de responsabilidade do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe, antigo Cespe/UnB), que prepara o processo todos os anos. Desde 2015 tem sido oferecidas 30 vagas por ano, mas o número para este ano ainda não foi confirmado.

A carreira diplomática é uma das poucas que não passa pela necessidade de autorização do Ministério do Planejamento. O MRE tem autonomia para promover as seleções, entretanto, para os demais cargos, assistente e oficial de chancelaria, é necessário aval. Desde a atualização, em 2012, há 1.805 cargos de diplomatas, 1.140 nos estágios iniciais – primeiro, segundo e terceiro secretário.

A expectativa por um novo edital também cresce tendo em vista que a seleção é anual e tem sido recorrente liberar o edital de abertura no mês de junho para finalizar e homologar o concurso no fim do ano, se todo o processo correr conforme planejado. O próximo passo após anúncio da empresa organizadora será a publicação do edital e as primeiras provas, em 60 dias. Se mantiver os cronogramas anteriores, as avaliações serão em agosto.

A diplomacia é conhecida por seu glamour e também pela complexidade das provas. Exige-se conhecimento amplo e profundo de história, geografia, política, direito, economia tanto sob a ótima nacional quanto internacional, além de uma longa prova de língua portuguesa. Também são cobrados três idiomas: inglês – objetiva e escrita – , espanhol e francês, só escrita. O processo de seleção passou por mudanças e há quatro anos houve a redução de cinco para quatro etapas, o que não mudou muito o caráter exaustivo da preparação e das avaliações.

Aliás, o grande temor dos candidatos são as provas escritas. Faz parte da tradição do Itamaraty esperar que seus servidores sejam articulados, com boa expressão verbal e discursiva. E que, também, tenham um alicerce sólido de cultura, pois estão no conteúdo programático tanto literatura brasileira quanto amplo vocabulário dos idiomas.

Para chegar ao Curso de Formação – primeiro ano como terceiro secretário – os candidatos passam por nada menos que seis dias de provas e, quando tomam posse, recebem o subsídio de R$ 18.571,83, já incluso o auxílio-alimentação padrão do Executivo federal, de R$ 458. Até assumirem missões interacionais – normalmente em países da Ásia e África, em um primeiro momento – devem se passar três anos em estágio probatório.

Perfil
Se antes era conhecido como um concurso direcionado para elite branca masculina do Sudeste, o cenário está mudando. Há candidatos de todas as regiões, garante Bruno de Lacerda, conselheiro do Instituto Rio Branco, que também informou ter sido o primeiro concurso com reserva de 20% das vagas para negros antes mesmo da legislação obrigatória ser editada. Entretanto, as mulheres ainda não minoria, pois passam de 30% dos aspirantes.

A concorrência é aberta aos graduados de todas as áreas, entretanto, as mais recorrentes são as de direito e relações exteriores, e, em segundo plano, outras formações de humanas. Boa parte dos interessados é de recém-formados que, ao invés de irem para o mercado de trabalho, se dedicam à preparação. A faixa etária média é de 30 anos.

Ao contrário do que ocorre em outras carreiras, praticamente não há aventureiros disputando uma oportunidade. As provas são muito específicas, o que faz com que o perfil dos candidatos seja elevado. Boa parte dos formados nas últimas turmas mantiveram dedicação exclusiva para conseguirem o feito, afinal, o filtro é bastante severo. Na última seleção, apenas 6,2% dos inscritos que foram fazer as provas passaram da primeira para segunda etapa. No ano anterior, 7,5% e, em 2015, 7,1%. Em média, nesse período, 17% dos cerca de 5 mil concorrentes não apareceram para avaliação.

Mudança na carreira
Desde o ano passado tem sido elaborado uma proposta de Projeto de Lei que pode mudar a estrutura da carreira do MRE. Alguns pontos se destacam: alteração com a volta da hierarquização das carreiras – que também atinge os assistentes e oficiais de chancelaria –, ponto mais polêmico e os prazos de permanência em outros países, inclusive nos locais mais desejados, como Washington e Paris, garantindo uma maior rotatividade dos servidores.

As pautas estão em discussão entre o ministério e as entidades de classe. Há um mês, o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty) protocolou documento na Secretaria-Geral do Serviço Exterior da pasta apresentado suas ressalvas quanto ao anteprojeto que está sendo elaborado e solicitou um debate mais amplo e conjunto para tomada de decisão para o texto final que irá para o Congresso.



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