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Spoilers

Polêmico seriado, Insatiable não é tão ruim quanto pintam

A internet tem que aprender a escolher suas batalhas e assistir às produções antes de criticar

26/08/2018 05:30, atualizado 27/08/2018 15:23
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Tina Rowden/Netflix
Polêmico seriado, Insatiable não é tão ruim quanto pintam

Todos ouviram falar de Insatiable, nova série da Netflix que conta a história de uma adolescente interpretada por Debby Ryan. Por conta de um acidente, sua mandíbula deve ser imobilizada e ela perde muito peso ao longo do Verão. Ao voltar para a escola, ela percebe a mudança de atitude dos colegas por conta de sua nova aparência. Assim, Patty Bladell ganha um apetite pela vingança.

Desde o primeiro trailer, muita gente já caiu matando em cima da série. Para muitos, a história transmitia a seguinte mensagem: perder peso e se tornar “atraente”, torna a vida melhor. Houve, inclusive, quem pregasse boicote a a série – excluindo contas da plataforma – e dando a pior avaliação da história da Netflix.

Toda essa gritaria parece ser em vão. Quem assistiu à série percebe que os amigos ao redor da protagonista, passam o tempo todo desconstruindo as ofensas e preconceitos da “repaginada” garota. Como uma mulher jovem que sofreu dismorfia corporal – como muitas outras garotas – durante o ensino médio e fundamental, o trailer serviu para alimentar a minha vontade de assistir ao show.

Embora haja muitas cenas divertidas e engraçadinhas na série, outros momentos tratam de tópicos desconfortáveis para muitos. Por exemplo, uma cena onde, após o pior momento de sua nova vida, a série reproduz um minuto inteiro onde Patty sofre uma recaída e come um bolo com as mãos. O programa não é sobre como a vida dela melhora depois de perder peso, trata-se de reforçar: a qualidade de vida de alguém não depende do peso. Comer é o verdadeiro vício que a protagonista precisa combater.

Patty não é a heroína que merecemos ou mesmo gostaríamos de ter. Decidida a buscar vingança pelos anos de bullying sofrido, ela se torna manipuladora e egoísta, tendo poucos momentos de redenção. Sua história pode ser vista como a de uma guerreira, fazendo o possível para conseguir atingir seus sonhos, mesmo se isso inclua passar por cima dos outros ou até mesmo arruinar algumas vidas.

Seu advogado/treinador de concurso de beleza, Bob Armstrong (Dallas Roberts), é o segundo personagem mais importante. Desde o começo da trajetória, os dois mostram uma conexão que perpassa o passado em comum. Seu personagem introduz algo poucas explorado por outras histórias: o poliamor. A situação amorosa dele é retratada realisticamente, com partes boas e ruins.

Descrita como uma “comédia de humor negro”, nada do que se vê nos episódios iniciais mostra muito indicativo desse gênero (?). Parece sarcástico e seco até chegar ao final da série, onde finalmente a vingança e o ódio de Patty se fazem aparentes. O momento define a transição de uma história bobinha faz uma reminiscencia ao episódio Arkangel, de Black Mirror.

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A série mostra diversas ações de caridade promovidas pelas participantes dos concursos de beleza
Michael Provost vive Brick, filho de Coralee e Bob
Patty (Debbie Ryan) vive um romance com o bad boy Christian Keene, interpretado por James Lastovic
A história explora aspectos das vidas das competidoras além de todo o glamour dos concursos
Sarah Colonna faz o papel de Angie Bladell, a mãe ausente de Patty
Alyssa Milano interpreta Coralee Armstrong, esposa de Bob
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Alyssa Milano interpreta Coralee Armstrong, esposa de Bob

Tina Rowden/Netflix
A série mostra diversas ações de caridade promovidas pelas participantes dos concursos de beleza
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A série mostra diversas ações de caridade promovidas pelas participantes dos concursos de beleza

Tina Rowden/Netflix
Michael Provost vive Brick, filho de Coralee e Bob
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Michael Provost vive Brick, filho de Coralee e Bob

Tina Rowden/Netflix
Patty (Debbie Ryan) vive um romance com o bad boy Christian Keene, interpretado por James Lastovic
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Patty (Debbie Ryan) vive um romance com o bad boy Christian Keene, interpretado por James Lastovic

Tina Rowden/Netflix
A história explora aspectos das vidas das competidoras além de todo o glamour dos concursos
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A história explora aspectos das vidas das competidoras além de todo o glamour dos concursos

Tina Rowden/Netflix
Sarah Colonna faz o papel de Angie Bladell, a mãe ausente de Patty
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Sarah Colonna faz o papel de Angie Bladell, a mãe ausente de Patty

Tina Rowden/Netflix

Na realidade, Insatiable recebeu muito mais ódio que o normal para seriados polêmicos. É uma trama interessante para adultos e adolescentes, principalmente, por conta da conexão dos protagonistas. Aqueles que se viram ultrajados pela audácia da Netflix em produzir uma série sobre uma menina ex-gorda deveriam reabrir suas contas e assistir à série. A vingança de Patty tem o mesmo fogo de alguns críticos da série.

Há, sim, muita falta de representatividade no mundo da TV e do cinema, mas precisamos escolher as batalhas que devem ser lutadas para mudar o status quo do mundo do entretenimento. O ponto focal de Insatiable não é o corpo de Patty, mas sim como a perda de peso deu a ela o incentivo de lutar pela vida desejada – e aprendendo que não é tão simples assim.

Enfim, Insatiable é a série para quem tem um desejo por uma história de amadurecimento e superação que mostra as difíceis realidades que vêm com a perseguição de um sonho.

Avaliação: Regular