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Em 2017, Margaret Atwood é uma das escritoras mais populares do mundo. A Netflix lançou na última sexta (3/11) a série “Alias Grace”, inspirada em obra homônima da autora, após o estrondoso sucesso de “The Handmaid’s Tale”, também originada de outro livro da autora.

Se em “The Handmaid’s Tale” a narrativa provoca os espectadores com um mundo distópico terrivelmente próximo da realidade, em “Alias Grace” o que se vê é um fato histórico que nos ajuda a entender porque temos medo de que o primeiro universo apresentado é tão possível de existir.

A trama, baseada em uma história real, gira em torno da empregada doméstica Grace Marks (Sarah Gadon, também criadora da série), que está presa há quinze anos por matar seu patrão Thomas Kinnear (Paul Gross) e a governanta Nancy Montgomery (Anna Paquin, ganhadora do Oscar).

Porém, graças a uma amnésia, ela não se lembra de ter cometido o ato e sua condenação foi baseada em depoimentos de pessoas que afirmaram tê-la visto no local do crime, mas não testemunharam o ataque.

O crime, ocorrido na primeira metade do século 19 no Canadá, provocou grande comoção à época, havendo pessoas contra e a favor à condenação de Grace. Na busca por reverter o processo, os defensores da jovem empregada chamam o psicanalista Simon Jordan (Edward Holcroft) para avaliá-la e tentar fazê-la superar a tal amnésia.

 

 

Assim, a jovem revisita o passado, apresentado em flashbacks na série, e desvela o forte machismo que afetava a vida das mulheres daquele tempo – e, em muitos casos, afeta até os dias de hoje.

Porém, ao invés de trazer cenas de violência extrema contra a mulher, a série aposta na exibição de um ataque velado e extremamente íntimo, que poderia ser entendido por muitos como um comportamento normal às pessoas que viveram aquele período. E é nisso que reside a força de “Alias Grace”.

Por considerarmos “pequenas” essas violências domésticas, permitimos a insurgência de monstros capazes de devorar um país inteiro, como vemos em “The Handmaid’s Tale”. Juntas, as séries dão vida à mensagem dos livros de Atwood: o passado e o futuro andam de mãos dadas.

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