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Quando um verborrágico Robert Downey Jr. abriu os trabalhos do MCU, o Universo Cinematográfico Marvel, há dez anos, era difícil projetar o futuro da então recém-nascida franquia de super-heróis. Hoje, os produtores se veem no direito de dar um tempo nas tragédias mostradas em Vingadores: Guerra Infinita para lançar Homem-Formiga e a Vespa, aventura leve e solta liderada por um personagem secundário.

À época, uma década atrás, o cenário já era favorável para blockbusters de mascarados – X-Men e Homem-Aranha faziam imenso sucesso em universos separados –, mas a ideia do estúdio era criar algo jamais visto: uma saga de histórias compartilhadas que funcionasse quase como uma série de TV nos cinemas, com fases (ou temporadas) pontuando a evolução da narrativa. A terceira se encerra em 2 de maio de 2019, com o lançamento do quarto Vingadores, ainda sem título anunciado.

O MCU mudou completamente o modelo do blockbuster de Hollywood em alguns poucos anos, sobretudo após a compra do Marvel Studios pela Disney, em 2009, por US$ 4 bilhões, e o lançamento de Vingadores (2012), longa que consolidou de vez o universo.

Tanto que paradigmas aparentemente inquebráveis foram desfeitos. Em 2008, O Cavaleiro das Trevas representava o auge dos super-heróis no cinema. Por algum tempo, a versão realista e crua do Batman dirigida por Christopher Nolan parecia ditar o tom do gênero na tela grande.

Naquele mesmo ano, Homem de Ferro plantou a semente que geraria a franquia mais endinheirada da história (US$16,8 bilhões até Guerra Infinita): o humor autoirônico, mui acessível e palatável para o grande público e cheio de piscadinhas para os fãs de HQs, como base de histórias que jamais começam e terminam em um só filme e sugam a atenção da plateia mesmo após os créditos finais.

Há alguns anos, Homem-Aranha (Sony) e os X-Men (Fox) pertenciam a estúdios rivais da Disney. O MCU tornou-se tão querido mundialmente que provocou um reboot do teioso integrado à franquia (Homem-Aranha: De Volta ao Lar) e uma reformulação completa dos mutantes com a compra da Fox pela Disney – e olha que os mutantes já eram estabelecidos em saga própria desde 2000.

Apesar da popularidade inegável e da comunicação impressionante com milhões de espectadores, é preciso fazer ressalvas críticas. A principal delas diz respeito ao próprio formato do universo, que parece sufocar a criatividade autoral em prol de continuidade narrativa e uma identidade visual vertical, presente em todos os capítulos.

Essa rigidez em torno dos produtos começou a se flexibilizar após Homem-Formiga, produção marcado pela saída de Edgar Wright (Em Ritmo de Fuga) por diferenças criativas. Ficou icônica a declaração em que ele explicou que queria fazer um filme da Marvel, mas a Marvel não queria fazer um filme dele. Desde então, tivemos um Pantera Negra assinado por um diretor negro, Ryan Coogler, e Thor: Ragarok comandado por um cineasta (Taika Waititi) assumidamente de comédia.

O eixo mais forte da franquia é o do Capitão América, desenvolvido em O Primeiro Vingador (2011), Soldado Invernal (2014) e Guerra Civil (2016). Tanto que Anthony e Joe Russo, autores dos últimos dois longas do patriota, fizeram Guerra Infinita e preparam o quarto Vingadores.

A necessidade imperativa de conectar os filmes acaba fazendo com que poucos consigam respirar sozinhos. Sem tantos compromissos quanto outros longas, Homem-Formiga e a Vespa é uma dessas raridades, com uma trama que articula muito bem comédia física e cenas de ação.



 


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