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Durante o debate promovido pelo Metrópoles na última segunda-feira (9/7), os sete pré-candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) pouco falaram sobre um dos temas que mais afligem a população do DF: a saúde pública. Causou também estranheza a indiferença aos assuntos relacionados aos servidores públicos, considerando que a economia do Distrito Federal é movida em grande parte por esse grupo.

Todos os outros temas da administração pública são relevantes, mas, por uma questão lógica, a saúde é um dos mais importantes. Antes de tudo, precisamos estar vivos e bem! Infelizmente, o caos instalado no DF se arrasta há muitos anos e a gestão atual conseguiu piorar o que já era péssimo. Mesmo assim, o assunto foi desprezado na maior parte do tempo e por quase todos os aspirantes ao Palácio do Buriti presentes.

Representantes do SindSaúde assistiram atentos aos embates entre os postulantes ao GDF – aqueles que, em campanha, prometem mundos e fundos a todos os eleitores, entre eles os funcionários públicos. No entanto, a saúde não foi tratada como um dos principais problemas desta gestão. Apesar das promessas feitas, Rollemberg (PSB) foi “mais do mesmo”.

Se não houver mudança na postura e no discurso dos pré-candidatos, podemos “pôr as barbas de molho”, pois aquilo a que assistimos ontem foi um festival de malabarismo, com todos equilibrando-se num discurso pífio e sem qualquer esperança para o setor e tampouco para os servidores.

O único a citar a saúde e confrontar o atual governador, Rodrigo Rollemberg – o qual, de forma até debochada, atreve-se a buscar a reeleição –, foi o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR). Ao adversário político, Rollemberg teve a audácia de dizer que o Instituto Hospital de Base está ótimo, um exemplo de sucesso, e os servidores estão satisfeitos. Frejat respondeu que recebe diariamente ligações de trabalhadores da pasta com pedidos de socorro.

No SindSaúde não é diferente. Diariamente, recebemos pedidos de ajuda de servidores inconformados com a situação e tendo seus direitos negados. Todos querem com urgência o fim deste governo.

O que a gestão atual fez com os servidores do Hospital de Base, removidos de forma arbitrária, é uma falta de respeito com o ser humano e seus direitos. É também uma grande falha gerencial, pois, sendo o Base o maior hospital da rede e tendo 29 leitos de UTI fechados, beira a irresponsabilidade dispensar servidores e deixar os pacientes sem assistência. No entanto, nada disso foi destacado durante o debate.

Salários

Outro problema é a situação salarial dos servidores, em todas as funções. São quase sete anos sem qualquer reposição das perdas inflacionárias. As remunerações minguam com o custo de vida altíssimo e a falta de perspectivas de melhorias. Nem com as leis que asseguram incorporações de gratificações, as quais se arrastam há uma década, elas foram pagas. A última parcela de um reajuste dividido em três vezes, tampouco.

Não à toa, o número de servidores que se desligam do setor público é crescente. Trata-se de profissionais extremamente qualificados preferindo tentar a sorte em outras áreas. E, por aqui, o governo vai “economizando”, trocando os melhores por medianos.

Servidores concursados passam por “peneiras” rigorosas. São anos dedicando-se aos estudos para conseguir êxito. Qualificam-se em várias especializações para serem bem-sucedidos nos exames de títulos. No entanto, estão cada dia mais desmotivados a continuar no setor público. E os discursos dos postulantes ao Palácio do Buriti, praticamente sem menções à valorização desses servidores, foram um verdadeiro balde de água fria.

De todos os sete pré-candidatos, apenas dois falaram, ainda que superficialmente, sobre a incorporação da terceira parcela da Gratificação de Atividade Técnico-Administrativa (GATA). Ao ser questionada por Fátima Sousa (PSol) a respeito, Eliana Pedrosa (PROS) não respondeu objetivamente.

Apenas na tréplica, Eliana Pedrosa comprometeu-se com o pagamento da terceira parcela da GATA. Somente após ser incitada pela plateia a responder a pergunta. Fátima prometeu pagar.

Tema urgente

É preciso que os pré-candidatos, depois de oficializarem suas candidaturas, apresentem os seus planos de governo e informem os projetos para a saúde e de valorização do servidor. É imperativo que eles se comprometam em resgatar a saúde, investindo na estrutura e no capital humano.

Não há dúvidas de que os servidores públicos do Distrito Federal serão o fiel da balança para definir o pleito eleitoral. O candidato que se aproximar e se comprometer com as necessidades do serviço e do servidor será ungido como nosso representante. Precisamos mudar!

Rollemberg foi eleito com votação expressiva desse grupo e deu as costas a quem acreditou que ele pudesse fazer diferente. Já teve a sua chance. Desperdiçou… Rollemberg nunca mais!



 


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