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Pouca vergonha

O que a série Amizade Dolorida pode nos ensinar sobre sexo e fetiches

Nova atração do serviço de streaming Netflix tenta trabalhar tabus sexuais de forma descontraída

01/05/2019 05:28, atualizado 01/05/2019 18:54
Netflix/Reprodução
O que a série Amizade Dolorida pode nos ensinar sobre sexo e fetiches

“Todo mundo acha que dominação é só um trabalho sexual, mas é a libertação da vergonha”, declara Tiff, dominatrix e personagem principal da nova atração da Netflix Amizade Dolorida. Essa frase resume bem a proposta da série de expor tabus sexuais de forma leve e divertida.

Apesar de curta (e um tanto estereotipada e superficial nos fetiches), Amizade Dolorida traz algumas reflexões interessantes sobre sexualidade, tabus e como as pessoas lidam com eles. Confira alguns pontos:

(O texto abaixo contém spoilers)

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Homens também podem ser reprimidos sexualmente
“A repressão é inerente à masculinidade”, revela Tiff em um dos diálogos da série. Ela explica a Pete que os homens procuram seus serviços porque a sociedade tem altas expectativas e espera que eles demonstrem poder, dominância e ausência de emoções. Por isso, mostrar vulnerabilidade pode ser um grande problema e a prática de submissão é uma forma de escapar do que ela descreve como “prisão social incapacitante”.

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Não há nada errado em discutir sexo abertamente
Quando Pete conhece Josh, ele está na lanchonete conversando sobre sexo com os amigos, de boquetes a sexo anal. Existe muito tabu sobre falar em público, mas sexo é algo tão natural quanto respirar, então as pessoas não deveriam se envergonhar de debater o assunto, independentemente do local ou da companhia.

Tudo é permitido, desde que haja consenso
Muitas pessoas escondem seus desejos sexuais mais “estranhos” e “perturbadores” e isso se dá por conta de uma vergonha autoinfligida. O submisso personagem Fred é um ótimo exemplo de que não há porque esconder o que você gosta. Quando questionado se conta para os amigos de suas preferências sexuais fora do padrão, que incluem ser humilhado, ele afirma “eu não estou machucando ninguém”. E realmente não está. O que acontece entre quatro paredes só diz respeito a você e quem te acompanha.

Nem sempre seu parceiro estará disposto a realizar suas fantasias
Vários personagens e situações da trama confirmam essa afirmação. Exemplos? Portia não quer colocar o dedo no ânus do namorado, Frank, que acaba pedindo para que Pete o faça. A dona de casa Daphne não gosta de fazer cócegas no marido e contrata Tiff para fazê-lo. Enquanto isso, ela descobre que gosta de infligir dor batendo em Pete, ação que deixa o marido com medo.

Aceitar sua sexualidade (e tudo o que vem com ela) é essencial
Mesmo sendo muito resolvida, Tiff esconde dos colegas a sua profissão de dominatrix, por medo do estigma. Contudo, no fim da temporada, ela corajosamente revela seu segredo por acreditar que ao se libertar (com fetiches e desejos), as pessoas podem confrontar a si mesmas com aceitação e se tornarem mais bem resolvidas na vida.