O que a série Amizade Dolorida pode nos ensinar sobre sexo e fetiches

Nova atração do serviço de streaming Netflix tenta trabalhar tabus sexuais de forma descontraída

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atualizado 01/05/2019 18:54

“Todo mundo acha que dominação é só um trabalho sexual, mas é a libertação da vergonha”, declara Tiff, dominatrix e personagem principal da nova atração da Netflix Amizade Dolorida. Essa frase resume bem a proposta da série de expor tabus sexuais de forma leve e divertida.

Apesar de curta (e um tanto estereotipada e superficial nos fetiches), Amizade Dolorida traz algumas reflexões interessantes sobre sexualidade, tabus e como as pessoas lidam com eles. Confira alguns pontos:

(O texto abaixo contém spoilers)

Homens também podem ser reprimidos sexualmente
“A repressão é inerente à masculinidade”, revela Tiff em um dos diálogos da série. Ela explica a Pete que os homens procuram seus serviços porque a sociedade tem altas expectativas e espera que eles demonstrem poder, dominância e ausência de emoções. Por isso, mostrar vulnerabilidade pode ser um grande problema e a prática de submissão é uma forma de escapar do que ela descreve como “prisão social incapacitante”.

Não há nada errado em discutir sexo abertamente
Quando Pete conhece Josh, ele está na lanchonete conversando sobre sexo com os amigos, de boquetes a sexo anal. Existe muito tabu sobre falar em público, mas sexo é algo tão natural quanto respirar, então as pessoas não deveriam se envergonhar de debater o assunto, independentemente do local ou da companhia.

Tudo é permitido, desde que haja consenso
Muitas pessoas escondem seus desejos sexuais mais “estranhos” e “perturbadores” e isso se dá por conta de uma vergonha autoinfligida. O submisso personagem Fred é um ótimo exemplo de que não há porque esconder o que você gosta. Quando questionado se conta para os amigos de suas preferências sexuais fora do padrão, que incluem ser humilhado, ele afirma “eu não estou machucando ninguém”. E realmente não está. O que acontece entre quatro paredes só diz respeito a você e quem te acompanha.

Nem sempre seu parceiro estará disposto a realizar suas fantasias
Vários personagens e situações da trama confirmam essa afirmação. Exemplos? Portia não quer colocar o dedo no ânus do namorado, Frank, que acaba pedindo para que Pete o faça. A dona de casa Daphne não gosta de fazer cócegas no marido e contrata Tiff para fazê-lo. Enquanto isso, ela descobre que gosta de infligir dor batendo em Pete, ação que deixa o marido com medo.

Aceitar sua sexualidade (e tudo o que vem com ela) é essencial
Mesmo sendo muito resolvida, Tiff esconde dos colegas a sua profissão de dominatrix, por medo do estigma. Contudo, no fim da temporada, ela corajosamente revela seu segredo por acreditar que ao se libertar (com fetiches e desejos), as pessoas podem confrontar a si mesmas com aceitação e se tornarem mais bem resolvidas na vida.

SOBRE O AUTOR
Tatyane Mendes

Formou-se em Jornalismo pelo Centro Universitário Iesb em 2017. Atuou na redação de veículos como Correio Braziliense, Jornal de Brasília e O Globo cobrindo editorias de educação, trabalho, sociedade, política e nacional. Compõe a equipe de Vida & Estilo auxiliando na cobertura social e elaborando matérias de comportamento, beleza e personalidades. É a atual colunista da coluna de sexo Pouca Vergonha.

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