Você sente arrependimento pós-sexo? Entenda o que é esta “bad”

A coluna Pouca Vergonha conversou com a psicóloga e sexóloga Erika Oliveira sobre esse sentimento ruim

atualizado 13/01/2020 15:30

Ah, o tesão. Gostoso de sentir, mas também difícil de lidar. O pior é que ele pode aparecer nas piores horas. Por exemplo, com alguém que sua amiga também está querendo, numa pegação bem forte na balada e naquela madrugada de insônia com o crush dando sopa no WhatsApp

Mas, depois do ápice, a queda. A famosa bad vem acompanhada de uma ressaca moral e perguntas, no estilo “como eu fiz isso?” ou “eu falei mesmo isso?”, tomam conta da cabeça.

Acontece que quando a vontade vem, o corpo humano vira um coquetel de hormônios pronto para explodir. Sim, é científico, como explica a psicóloga e sexóloga Erika Oliveira. “Esse processo bioquímico é capaz de desequilibrar todo o sistema neurotransmissor atingindo as glândulas sexuais que regulam o aparelho reprodutor”. 

Segundo ela, os neurotransmissores espalham impulsos elétricos pelos terminais nervosos que levam o corpo a um estado de estresse, passando pela região do cérebro que recebe, processa e integra representações simbólicas, respondendo com uma ação.

“Basicamente, o tesão está diretamente associado com uma situação que você teve prazer e guardou na memória. Através das lembranças guardadas com muito carinho, o sistema límbico, superfície medial do cérebro, busca todas as memórias boas e ruins que você vivenciou ligadas ao desejo do sexo”, afirma. 

Depois desse processo, o corpo envia essa mensagem ao córtex que avalia essas memórias e, assim, libera as substâncias que vão estimular o sistema nervoso. Isso acontece em questões de segundos.

“As partes mais primitivas do cérebro são ativadas pelos neurônios e por isso você sente que não consegue se segurar e nem ter o juízo próprio de parar um segundo e perceber o que está fazendo”, complementa. Isso explica muita coisa, não é mesmo?

De acordo com a psicóloga, na hora do tesão, o glutamato se espalha pela área central do sistema nervoso e faz com que os próximos neurônios se excitem. “Logo após, o hormônio da dopamina é liberado causando arrepio, tesão e faz até seu coração bater mais forte”.

O arrependimento pós-tesão, por conta da satisfação já atingida, também tem um viés psicológico muito relacionado à moralidade e conceitos éticos promovidos na sociedade há muito tempo.

“O tesão não tira nenhuma consciência e também não age como se fosse uma droga ilícita ou algo do tipo. Através do impulso movido e da atitude causada, vem o arrependimento por questões morais”, frisa a especialista.

SOBRE O AUTOR
Giulia Roriz

Formada pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), passou pela redação do Correio Braziliense, onde produziu conteúdos sobre política, economia, cidades e turismo. No GPS|Lifetime, atuou como repórter no site e na revista impressa na área de gastronomia, entretenimento, lifestyle, décor, moda e cotidiano. Passou pela assessoria Naiobe Quelem Comunicação, atendendo a clientes de gastronomia e decoração.

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