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Faltou pressão na estreia do BBB16, o “BBB de vocês”
Caldeirão com personagens variados causou estranheza na estreia. Pedro Bial mostrou a empolgação de sempre, mas a fórmula foi “mais do mesmo” embora os patrocinadores apostem no contrário
atualizado
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Por Freddy Charlson
O professor universitário Tamiel falou nos vídeos de apresentação dos “guerreiros” que não tem espelhos em seu lar doce lar. Como assim, mestre? E caiu logo numa casa repleta deles? Já a bonitinha goiana Munik, 19 anos, caçula do reality, se sentiu em casa, como flor a ser rodeada por abelhinhas à procura de mel, um mel que ela, aparentemente, já mostrou possuir em dois vídeos que circulam no WhatsApp. E o que dizer do designer de tatuagem Laércio (alguém me explica que ocupação é essa? O cara pensa nos desenhos que os tatuadores fazem? Há design de tatuagem de henna?) que chegou chegando, com barba azul, polemizando e doido para sair precocemente…
Ao mesmo tempo, a jornalista veterana Harumi, que posou nua na adolescência (ah, bons tempos) considera ter chance de faturar a bolada de R$ 1,5 milhão dada ao vencedor da disputa. Garota esperta, sagaz. Enquanto isso, a Adélia, que faz cosplay da mãe da funkeira Ludymilla (“É hoje? Na verdade, foi ontem!), confessou que fez mil plásticas e que de original tem apenas a alma, ou seja, Adélia não é mulher de verdade (oh!). Já a desempregada Ana Paula (ok, ela vive de renda da falecida mãe) pintou ser uma potencial perua, espécie de Val Marchiori dos pobres (oh, God!). Menos mal foi o empresário Daniel, que mostrou um lado blasé, com potencial para ir longe… Ou não.

Surpreendente, mas quase clichê, o estudante de Filosofia Ronan citou o bardo William Shakespeare (aquele do “To be or not to be”) e confessou que sonha em falar uma penca de idiomas e servir de inspiração para muita gente (que tal o Prêmio Nobel da Paz, jovem?). Pobre, negro e obeso, tem tudo para ganhar. A não ser que faça papel de coitado. E o modelo Renan (outro com vídeo íntimo na rede mundial de computadores) foi… bem, ele foi modelo (nada de recalque aqui, gente), falando de beleza, encarando as mina, seguindo sua (dele) sina. Já a espevitada Maria Claudia, Cacau, whatever, provou que é mesmo “amostrada” e jurou que vai “se jogar” (cuidado, brothers and sisters!).
Por fim, Alan, professor de Filosofia, contou que não tem rede social… Véi, como assim você não tem rede social?! Você não escreve arrobinhas nem hashtags?! E o que você está fazendo em um r-e-a-l-i-t-y s-h-o-w, mano?
Pronto.
Foi com esse tipo de gente – e outras que não citarei aqui porque nem mereceram citação de minha parte, ah, teve a dançarina Juliana, lembrei agora – que começou mais um Big Brother Brasil, o BBB, no caso o 16.

E o programa que já revelou talentos como o deputado federal Jean Wyllys, as apresentadoras Sabrina Sato e Íris Stefanelli, as atrizes Graziella Massafera e Juliana Alves e o atleta paralímpico Fernando Fernandes, entre outros menos cotados, lembrem aí, promete revelar outras figuras da proeminente mídia brasileira, tanto meninas e meninos que posarão para sites de subcelebridades quanto outros que passarão o ano atrás de bocas-livres em festas de gosto duvidoso ou fazendo presença vip em inauguração de salão de beleza ou de academia.
Calma, não estou sendo negativo. Apenas um pouco realista. Foi essa a impressão que eles me causaram nos primeiros 45 minutos em que apareceram em rede nacional. No rápido bate-papo com o apresentador Pedro Bial – aquele que, um dia, cobriu a queda do Muro de Berlim – eles se mostraram sem palavras, boquiabertos, empolgados… e nada mais do que isso.
Bial chegou a falar que Harumi, Laércio e Tamiel, os mais velhos da casa, são de outra geração e têm muito a ensinar. Certeza que no décimo dia na casa (se durarem até lá…) estarão fazendo fofoca, brigando por comida e esquecendo noções básicas de higiene.
Oremos.
Oremos por essas turmas. Tem a que se ama, a que se garante, a que se joga e a que se vira. Divididas, a princípio, por faixa etária, eles são mais velhos, mais jovens, mais trabalhadores, mais fascinantes… Ora, eles são eu. Eles são a gente. Eles são o povo brasileiro. Viva o povo brasileiro!

…
Bem, voltemos à realidade. A estreia da décima-sexta edição do reality show mais longevo, mais bem-sucedido e mais rentável do país foi mais do mesmo. Os caras chegaram em três contêineres, se jogaram no chão, mandaram beijo pra Xuxa, pra meu pai e pra você, entraram na casa, escolheram as camas, sentaram no sofá, conversaram com Bial, participaram da primeira Prova do Líder (nossa, que original, uma prova de dança + resistência) e ficaram lá até muito tempo depois que o fechamento deste texto.
(Enquanto isso, a hashtag #BBB16 liderava os Trend Topics do Twitter mundial, com a ajuda dos jovens Munik e Renan. Já Daniel liderou os TT no Brasil.)
Ok, você já viu isso antes. E continuará vendo. E torcendo para ser melhor do que os BBBs 5 ou 7. Com mais ou menos pressão. No caso da estreia de ontem, na boa, faltou essa pressão. Ou a Inês Brasil.
