Polêmica fitness: é certo dar whey protein para bebês e crianças?

Adotada por celebridades do mundo da boa forma, a prática é condenada pela Sociedade Brasileira de Pediatria

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atualizado 24/05/2018 21:30

No mundo dos famosos – em especial, entre as “web celebridades” –, todo dia tem uma novidade bombástica. A polêmica da vez foi protagonizada pela ex-BBB Jaque Khury. Em um programa de TV, ela revelou que dá doses de whey protein (suplemento alimentar usado por quem deseja perder gordura e ganhar músculos) ao filho de 4 anos.

“Ele já quer fazer musculação, já toma whey e me pede para treinar”, contou ela.

Jaque não foi a primeira a falar sobre o assunto. A também ex-BBB Michelly Crisfepe anunciou que faria o mesmo quando tivesse o seu bebê. “Conheço os benefícios do whey protein, e a substância já existe nos leites infantis. Vou apenas colocar uma dose de 5 gramas a mais na mamadeira. Não estou dando veneno”, afirmou em uma entrevista.

Afinal, é verdade mesmo que esse consumo não faz mal?

Embora haja especialistas da área de saúde mencionando a possibilidade de crianças consumirem o whey – como mostra esta matéria –, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) condena a prática.

“Infelizmente, essas propagandas com celebridades têm mais efeito do que as orientações corretas dos médicos”, lamenta Virgínia Weffort, presidente do Departamento de Nutrologia da SBP. “De 0 a 20 anos, o consumo não é indicado em nenhuma idade”, frisa.

O maior problema, segundo ela, é o excesso proteico no organismo da criança, que, sem conseguir metabolizar a substância, pode sofrer uma sobrecarga renal. Um copo de whey tem mais proteínas do que o indicado diariamente para meninos e meninas. Além disso, há estudos relacionando o alto consumo do suplemento à obesidade.

“Os pais devem insistir na ingestão de comida. Alimentos são as melhores fontes de vitaminas, não há risco de superdosagem ou chance de que algo não seja absorvido”, explica Virgínia. O cardápio deve incluir todos os grupos alimentares: carboidratos e tubérculos, proteína animal, proteína vegetal (leguminosas), hortaliças e frutas.

A médica reconhece que crianças podem ser seletivas em termos alimentares, especialmente em fase pré-escolar. “[É possível que] seu filho coma menos e, com isso, sofra com uma deficiência de vitaminas e minerais. Nesses casos, pode-se usar um suplemento ou vitamina, mas a avaliação de um pediatra é necessária”, orienta.

SOBRE O AUTOR
Carolina Vicentin

Jornalista formada pelo Centro Universitário Iesb, com especialização em Bioética e em Marketing Digital. Trabalhou nos jornais Metro, Correio Braziliense e Jornal do Brasil e como consultora do Sebrae e da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Foi também assessora de imprensa da reitora da Universidade de Brasília (UnB). É cofundadora e repórter da Revista AzMina e vencedora de dois prêmios nacionais de jornalismo: Embratel e FBH Synapsis.

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