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No último Dia das Mães, eu ganhei um dos presentes mais legais de todos os tempos: um fim de semana sem ser mãe. Parece um pouco incoerente, eu sei, mas foi uma das melhores coisas para o meu relacionamento com meus filhos – e, por que não dizer, para a minha sanidade mental dentro de casa. Meu marido me deu uma passagem para São Paulo e eu usufruí de três dias de “folga”, apenas com os meus amigos e curtindo a minha própria companhia.

Durante a viagem, eu pude perceber:

1. Como é fácil e delicioso viajar sozinha
Não importa se você está atrasada, com fome ou sentada na poltrona do meio, com gente bem maior que você ao lado. Nada é tão tenso quanto embarcar com crianças pequenas, mantê-las sentadas e com os cintos afivelados durante o voo – isso sem falar no incômodo causado pela pressão. Sozinha, dá para cochilar ou ler um livro tranquilamente. Eu nem havia chegado ao destino e já estava relaxada.

Arquivo pessoal

 

2. Como é bom comer em qualquer hora e em qualquer lugar
Se você tem crianças – em especial as menores de 5 anos – sabe que não dá para comer em qualquer lugar. A gente se preocupa com a qualidade nutricional da refeição e com a seletividade, muito comum em meninos e meninas nessa fase. Seu filho pode adorar comer pizza, cachorro-quente e outras tranqueiras, mas não é possível ficar só nesse tipo de alimento. Além disso, há a questão do horário. Poucas coisas são mais estressantes para crianças do que a fome e o sono, assim sendo, os passeios acabam sendo regulados por essas duas variáveis.

3. Como é bom ir a programas de adultos
Bares, exposições, restaurantes com cardápio apimentado. As crianças podem, sim, ir para lugares com essas características – acho, inclusive, que faz bem aos pequenos serem integrados às atividades dos pais de vez em quando. Porém, os “programas de adulto” costumam ser chatos para eles, e a gente precisa de uma dose extra de paciência para contornar a cara feia, as queixas de cansaço e os impulsos de sair correndo.

Arquivo pessoal

Viajar com os filhos exige uma série de planos e cuidados

 

4. Como é bom dormir até mais tarde
Com meus filhos um pouco maiores, já usufruo de noites inteiras de sono. Assim sendo, o maior problema é que eles continuam acordando praticamente com o sol, de segunda a segunda. Foi revigorante ter passado alguns dias despertando no meu próprio ritmo, sem ter de levantar correndo porque alguém está com fome ou fez cocô.

5. Como é bom sair andando por aí
Essa não precisa de viagem para perceber. A vida com filhos exige planejamento e rotina; qualquer mudança demanda uma reorganização tremenda. Viajar sozinha me ajudou a recordar da liberdade que é não ter filho pequeno e poder mudar de ideia quando quiser.

Arquivo pessoal

Uma selfie para expressar a paz de viajar sozinha

Quando os filhos são pequenos, a gente passa muito tempo fazendo coisas: preparando o café da manhã, dando banho, comida, brincando, apartando brigas, colocando para dormir. É tanta demanda que, quando rola uma pausa, chego a ficar confusa sobre o que fazer. Assim, viajar foi uma oportunidade de me reconectar comigo mesma.

E sabem o que mais? A “folga” foi ótima para a minha conexão com eles também. A gente endeusa demais a maternidade e esquece que relacionamento com filho tem as mesmas características dos demais. Às vezes, a gente enche o saco deles, e eles da gente. Ficar longe um tempinho deu saudade, e o bom é ter voltado para acabar com ela.



 


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