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Uma amiga querida está grávida e decidiu fazer uma “consulta pública” sobre marcas de carrinho de bebê no Facebook, pedindo aos amigos ajuda para identificar a melhor relação custo-benefício.

Não sei exatamente qual foi a conclusão dela alguns dias e dezenas de comentários depois. Se fosse eu, estaria ainda mais confusa do que antes de iniciar a pesquisa.

As opiniões foram muito diversas. Havia gente defendendo desde o carrinho ultra-tecnológico-com-amortecedores-tração-nas-quatro-rodas-freios-ABS até o pessoal a favor do uso único e irrestrito do sling (que carrega o bebê grudadinho ao corpo da mãe ou do pai).

Essa história me fez refletir sobre duas coisas. A primeira diz respeito à imensa diversidade de caminhos possíveis na maternidade/paternidade. Desde o momento do teste de gravidez positivo, surgem inúmeras possibilidades de condução das coisas. Você pode ser uma grávida atenta a qualquer caloria ingerida ou, então, mesmo gestando, não se importar de tomar um copo de cerveja ou de comer um peixe cru por vez ou outra.

Você pode fazer um parto humanizado domiciliar ou marcar uma cesárea eletiva. Pode comprar um berço e decorar cada detalhe do quarto do neném ou deixar ele passar a primeira infância dormindo na sua cama. Enfim, inúmeras possibilidades, tudo é uma questão de conhecê-las e de tomar decisões.

O outro aspecto está relacionado ao fato de muitas famílias – provavelmente, a maioria – caírem no “conto” do enxoval completo, na ideia de que, para se preparar para a chegada do bebê, é preciso ter muitas coisas. Isso aconteceu comigo. Eu e meu marido gastamos uma nota com uma infinidade de roupinhas e acessórios, muitos dos quais nem foram usados.

Venho de uma família pequena. A última criança da minha casa (antes de meu primeiro filho nascer) havia sido a minha irmã, já com seus 20 e tantos anos. Eu não tinha nehuma referência sobre a quantidade de roupinhas que um recém-nascido precisava. Não fazia ideia do que era realmente indispensável.

Só para ilustrar o tamanho da minha inabilidade e tentação para o consumo: adquirimos diversos kits de mamadeiras, bicos e até um esterilizador para microondas, pois temia não poder amamentar. Resultado? Meus dois filhos nunca usaram mamadeira, nem quando eu quis, avidamente, que eles dessem um tempo para meus peitos.

Então, se ainda couber conselho para a minha amiga que inspirou este texto – e para outras grávidas por aí: respirem fundo, leia, ouçam conselhos, procurem imaginar como será a nova vida. Mas tenham certeza da existência de fatores impossíveis de prever. E, normalmente, a quantidade de coisas adquiridas é inversamente proporcional à real utilização delas.



MaternidadeBebêenxoval
 


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