Anos 1980: uma época muito louca para ser criança

Relembre cinco costumes de 30 anos atrás relacionados à infância que seriam inacreditáveis nos dias de hoje

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atualizado 19/04/2019 9:03

Seguidores de uma maternidade mais raiz, digamos assim, costumam ver frescura em muitas das “modas” dos dias atuais. Faz sentido em determinados aspectos, mas é inegável que avançamos muito no que diz respeito à criação de meninos e meninas – a Lei da Palmada, de 2014 (proíbe castigos físicos e/ou degradantes a crianças), é um exemplo disso.

Hoje, temos muito mais conhecimento a respeito do desenvolvimento infantil e acesso à informação. Somos (ou deveríamos ser) mais conscientes. Mas houve um tempo em que as crianças “sobreviviam” a muitas práticas. Senhoras e senhoras, cinco costumes dos incríveis anos 1980/1990:

Cigarro em TODOS os ambientes
Aos 6 ou 7 anos, eu sentava no banco de trás do Corcel – sem cinto, cabe lembrar – e via meu pai acender o cigarrinho para dirigir a qualquer lugar que fosse. Às vezes, era mais de um cigarro no trajeto, e eu lá atrás, respirando aquele perfume. As pessoas também fumavam em ambientes fechados, sem se importarem muito com a presença de crianças.

 

Gordura trans
Eu não sei vocês, mas um dos meus doces favoritos na infância era o chocolate em formato de guarda-chuvinha. Entupido de açúcar, ele derretia na boca, e parte dessa qualidade tinha a ver com um ingrediente hoje condenado: a gordura hidrogenada (ou gordura trans).

Além de melhorar a textura dos alimentos, esse tipo de gordura vegetal também ajuda a dar mais durabilidade a produtos industrializados. Hoje, os pacotes de salgadinho fazem questão de estampar “livre de gordura trans” – certamente, há outros venenos associados, mas isso é assunto para outro dia.

 

Nenhuma classificação indicativa
O sistema de classificação indicativa foi criado em 1990, mas demorou alguns anos para “pegar” de verdade (em algumas situações, segue sendo ignorado). Nos anos 1980/1990, as crianças assistiam a programas como a Banheira do Gugu, com mulheres e homens seminus sensualizando a valer sem ninguém achar estranho.

A ídola de uma geração inteira, aliás, é Xuxa, que apresentava os programas vestida com um shortinho micro e botas acima do joelho. Também selecionava paquitas loiras e magras, unicamente. Imaginem só se um programa desses começasse nos dias de hoje?

 

Bullying liberado
Crianças gordas e/ou que usavam óculos e/ou aparelhos nos dentes não tinham vida fácil. Eram vistas como ponto fora da curva, e os tratamentos discriminatórios conferidos a elas eram socialmente justificados. Filmes e seriados tratavam desses meninos e meninas de forma caricata – os gordos, por exemplo, eram os comilões; e os que usavam óculos, superinteligentes. A palavra bullying só foi inventada muito tempo depois.

 

Castigos físicos
Não é raro encontrar adultos que tenham sofrido duros castigos físicos na infância. Na maioria das vezes, eles associam as palmadas, chineladas e suas variações, a momentos de traquinagem extrema – muitos até se solidarizam com os pais nos dias de hoje (“Nossa, eu e meu irmão aprontávamos cada uma…”).

Hoje, com a Lei da Palmada, o Estado procura frear esse tipo de atitude, mas ainda é necessária uma grande mudança cultural. Quem sabe bater em crianças não se torne uma anedota dos anos 2000 no futuro?

SOBRE O AUTOR
Carolina Vicentin

Jornalista formada pelo Centro Universitário Iesb, com especialização em Bioética e em Marketing Digital. Trabalhou nos jornais Metro, Correio Braziliense e Jornal do Brasil e como consultora do Sebrae e da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI). Foi também assessora de imprensa da reitora da Universidade de Brasília (UnB). É cofundadora e repórter da Revista AzMina e vencedora de dois prêmios nacionais de jornalismo: Embratel e FBH Synapsis.

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