PMDF não vê problemas em evangélicos usarem roupas parecidas com fardas

Em contato com a reportagem, corporação afirmou não ter recebido denúncia e que não vê problema no aparato empregado na ação social

atualizado 06/08/2020 20:16

Reprodução / Facebook

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) declarou nesta quinta-feira (6/8) ao Metrópoles que não vê problemas no fato de a Patrulha da Paz, organização missionária evangélica que atua abordando pessoas em situação de rua, adotar aparatos que se assemelham aos dos oficiais para realizar o trabalho social na região periférica de Ceilândia e também no Sol Nascente, a maior favela horizontal da América Latina.

“Assim como outros que também praticam ações em benefício da população, o grupo faz ação social em Ceilândia abordando pessoas nas ruas, em situação de vulnerabilidade, para a entrega de cobertores e mantimentos diversos. [Eles] usam uniformes e veículos caracterizados, os quais não se confundem com as cores, características, nem mesmo com os uniformes e as viaturas da PMDF”, informa.

Ainda de acordo com a corporação, nunca houve registros de denúncias violentas ou mesmo coação por parte do grupo religioso. “A PMDF informa que qualquer pessoa que se sinta coagida poderá ligar para o número 190”, orienta.

O trabalho da Patrulha da Paz chamou a atenção da própria comunidade evangélica e até mesmo de autoridades, que questionam a legitimidade da ação social. E levou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa (CLDF), e até o Conselho de Pastores Evangélicos (Copev-DF), a cobrar explicações oficiais sobre a metodologia adotada.

Veja o vídeo:


Abordagem social

Em entrevista à coluna, o pastor Gilmar Bezerra esclareceu que o método usado é uma forma de chamar a atenção de pessoas vulneráveis para a seriedade da abordagem. “Quando nos apresentamos, já fica demonstrado que temos uma organização, que temos responsabilidade com esse trabalho”, disse.

De fato, quem não conhece e observa as “operações”, que envolvem até quatro “viaturas” paramentadas, veículos da marca Blazer devidamente adesivados com o nome do projeto e ainda com as rotolights acesas, pensa que se trata de uma ação policial enérgica.

Entretanto, o pastor explica que, na verdade, é um pelotão para levar “a palavra de Deus” a quem precisa encontrar um caminho. “Nós temos apenas um comandante: é Deus”, frisa.

Com cerca de nove anos de trabalho social e o apoio de 40 voluntários, o fundador da Patrulha da Paz garante não estar em conflito com a lei por recorrer à aparência das forças de segurança para realizar um trabalho com objetivo classificado como nobre.

“Estamos nos preparando para pedir ajuda financeira ao governo local e aos deputados distritais para continuarmos tocando o projeto. Se as autoridades acharem por bem que a gente deixe de usar nossos uniformes de trabalho, a gente deixará. Mas nunca estivemos fora da lei”, destaca Gilmar Bezerra.

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