Funerárias reduzirão preço de enterro para mortos por Covid-19

Em ofício encaminhado ao GDF, as empresas também se ofereceram para custear mão de obra e transporte às famílias de baixa renda

Funerária prepara corpo para ser enterrado em ceminterioHugo Barreto/Metrópoles

atualizado 06/04/2020 9:54

Para tentar minimizar o sofrimento das famílias vítimas do novo coronavírus, a Associação de Funerárias do Distrito Federal quer doar mão de obra e transportes para o enterro quando for confirmado se tratar de pessoa de baixa renda.

As funerárias conveniadas também decidiram reduzir o custo dos serviços de sepultamento mesmo se a família não for carente. O valor cairia de cerca de R$ 2 mil para R$ 1,1 mil. Nessa cifra, contudo, não estão inclusos os custos com o cemitério que, no total, pode chegar a R$ 5 mil.

“Nos reunimos e levamos a proposta para a Secretaria de Justiça e Cidadania [Sejus] por entender que o momento é de solidariedade também por nossa parte”, explicou Ed Lincoln Fernandes Alves Silva, diretor da Associação de Funerárias do Distrito Federal (veja o documento abaixo).

A proposta foi feita na semana passada e sugere que o Governo do Distrito Federal (GDF) continue arcando com o custo das urnas mortuárias. A oferta também vale para famílias residentes no Entorno do Distrito Federal.

Dentro do chamado sepultamento social, cabe ao Executivo local arcar com caixões, transportes, mão de obra e o próprio funeral de óbitos da classe mais baixa.

“Em janeiro, houve desabastecimentos de urnas e chegamos a doá-las à época para ajudar o governo e essas famílias. Por isso, a gente voltou a estudar a possibilidade de doar também na pandemia, em situação de necessidade, mas esperamos que não seja o caso, porque acreditamos nas medidas adotadas pelo GDF contra essa doença”, disse Ed Lincoln.

Segundo ele, para esse suporte, as funerárias do DF contam com capacidade de transportar 1.254 corpos por dia. São 94 carros funerários de diversos tamanhos, podendo levar de dois a quatro caixões na mesma viagem.

“No caso de um cenário pessimista no ápice da pandemia, a gente também sugeriu que o GDF liberasse a faixa exclusiva das vias para o transporte funerário. Embora as ruas estejam vazias, seria uma forma de garantir a agilidade da locomoção”, completou.

Desde que foi decretada a pandemia pela Organização Mundial da Saúde, a associação orientou todas as funerárias em funcionamento no DF para que adotem o uso de equipamentos individuais de proteção (EPI) pelos trabalhadores.

Veja o ofício:

Oficio capacidade do Setor e Servi̤o Social РAssociacao versao 2 by Metropoles on Scribd

Força-tarefa

Nessa quinta-feira (02/04), foi feita reunião entre o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), representantes do GDF e das empresas de serviços funerários para tratar do tema. O órgão de fiscalização acompanha as ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus no DF.

No encontro, o secretário-adjunto da Secretaria de Justiça, Maurício Carvalho, confirmou que as empresas se mostraram solidárias neste momento de pandemia e se dispuseram a realizar o serviço de forma gratuita em algumas circunstâncias, uma vez que o GDF não teria estrutura para atender a demanda.

“A parceria com a iniciativa privada vai permitir aumentar a nossa capacidade de transporte dos corpos. Vamos estabelecer um tempo máximo de coleta para não causar contaminação excessiva na instalação hospitalar. Uma capela também será reservada para esses casos. Não haverá velório, mas será um ponto para que se possa deixar o corpo até o sepultamento”, disse.

O Ministério Público, por sua vez, reconheceu o gesto das empresas, mas ressaltou que, quando se trata de trabalho voluntário, o poder público não consegue ter o controle e exigir o serviço, por isso sugeriu uma contratação com valor simbólico.

“É extremamente louvável a iniciativa das funerárias. Mas há dois institutos diversos, o voluntariado e a situação de emergência. A incapacidade do estado de realizar esse serviço precisa ser documentada para justificar uma contratação por dispensa de licitação. É preciso fazer uma pesquisa de mercado e dar transparência a todo esse processo”, ressaltaram as promotoras de Justiça Hiza Carpina e Mariana Távora.

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