Fraga sobre Ibaneis extinguir a Casa Militar do DF: “Ideia de jumento”

Deputado federal fez críticas ao governador eleito, nesta segunda-feira (12/11), na tribuna da Câmara

Luis Macedo/Agência CâmaraLuis Macedo/Agência Câmara

atualizado 12/11/2018 21:59

O deputado federal e candidato derrotado ao Governo do Distrito Federal (GDF) Alberto Fraga (DEM) subiu na tribuna da Câmara nesta segunda-feira (12/11) para levar um recado dos policiais militares ao governador eleito Ibaneis Rocha (MDB).

Insatisfeito com o anúncio da possível extinção da Casa Militar da estrutura do governo para a criação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o congressista elevou o tom ao levar a mensagem dos oficiais e criticar o emedebista.

“Os oficiais não vão aceitar. Se ele insistir com essa ideia maluca, de jumento, ele pode preparar cadeia para todos os oficiais, porque ninguém vai para as ruas, ninguém vai trabalhar. Isso vai mergulhar o Distrito Federal em um caos, em uma insegurança pública jamais vista”, disparou Fraga, coordenador da Frente Parlamentar da Segurança Pública, também chamada de “bancada da bala”.

Veja o vídeo:

Embora não esteja devidamente empossado como chefe do Executivo local, Ibaneis tem sofrido ataques por alguns integrantes da corporação, que alegam desprezo por parte do próximo número um do Palácio do Buriti.

Desde o anúncio da futura comandante da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), coronel Sheyla Soares Sampaio – a qual foi classificada “apressada” por uma ala da PMDF –, até a confirmação de Laerte Bessa (PR) no comando do futuro Gabinete de Segurança Institucional no lugar da Casa Militar (hoje comandada por PMs), o tom de representantes da corporação subiu contra o emedebista.

Entidades engrossam coro
Na semana passada, duas entidades que representam a PMDF dispararam notas contrárias à recente decisão de Ibaneis Rocha. “Entendemos que a hipótese de dissolução da Casa Militar pelo GDF é precipitada, uma vez que isso pode acarretar prejuízos não só à categoria, mas também à segurança de toda a sociedade brasiliense”, afirmou o tenente-coronel Eduardo Naime, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal.

O Fórum das Associações Representativas dos Policiais Militares e dos Bombeiros Militares do DF também criticou a substituição da Casa Militar do Distrito Federal.

“A Casa Militar é de suma importância para os órgãos militares que compõem o GDF. O fórum quer participar efetivamente dessas discussões, uma vez que a Casa Militar não tem somente função de segurança do governador, pois constitui um ponto estratégico para as corporações militares e é essencial para os rumos da nossa categoria e a própria segurança do Distrito Federal”, argumenta o coronel Brambila.

O militar é o coordenador do colegiado que reúne representantes das 14 principais associações, entidades e agremiações ligadas às categorias da PMDF e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.

Adversário de Ibaneis nas urnas, Alberto Fraga foi mais enfático durante o discurso no Congresso Nacional nesta segunda (12/11). “Ele tem que respeitar a Polícia Militar. Se ele não quiser respeitar, os oficiais vão mostrar como as coisas vão acontecer. Não adianta ele ficar ouvindo conselho de pessoas que não foram eleitas, que não tiveram votos e que agora querem extinguir uma instituição como a Casa Militar”, criticou.

Ibaneis Rocha explicou ao Metrópoles que a intenção de copiar o modelo do governo federal seria para ter uma estrutura mais enxuta na segurança pessoal do chefe do Executivo.

“Pelos dados até agora repassados, há mais de 400 cargos dentro da Casa Militar e eu, pessoalmente, não tenho necessidade disso tudo. A criação do Gabinete de Segurança Institucional deixará a máquina mais enxuta, podendo colocar os oficiais no combate ao crime. Não vou deixar de prestigiar a PM, tampouco a Polícia Civil. Todos serão muito valorizados no meu governo. Só acho que devemos trabalhar para que o nível desse debate seja melhorado”, afirmou o emedebista.

SOBRE O AUTOR
Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

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