Victoria’s Secret recebe críticas por casting sem diversidade

Diretor de marketing da marca diz que show não deveria ter transexuais e incendeia debate

atualizado 13/11/2018 16:59

O Victoria’s Secret Fashion Show 2018 foi gravado na última quinta-feira (8/11) e trouxe várias novidades, como a despedida da angel brasileira Adriana Lima e as parcerias da marca de lingerie com a designer Mary Katrantzou e com a Swarovski, que assinou o Fantasy Bra. Contudo, um comentário do diretor de marketing da empresa, Ed Razek, acabou colocando a exuberância do desfile em segundo plano.

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O show da Victoria’s Secret é transmitido em 190 países e conta com mais de 800 milhões de espectadores, porém, mesmo com tamanha difusão, a marca tem se negado a atender o desejo de suas consumidoras – que todos os anos clamam por mais diversidade no casting. Para se ter ideia, o tamanho médio do público feminino nos EUA, lar da VS, é 46, mas, ainda sim, a etiqueta nunca convocou uma modelo plus size para seu show.

A Vogue, atenta às críticas das consumidoras nas redes sociais, resolveu questionar os dirigentes da marca a respeito da relutância em selecionar modelos mais diversificadas, mas as respostas do diretor de marketing da empresa acabaram incendiando ainda mais o debate.

J. Lee/FilmMagic
Há pelo menos cinco anos, consumidoras pedem por diversidade nos castings

 

Bella Hadid ao lado da cantora Halsey

 

Ed Razek iniciou a entrevista afirmando que a Victoria’s Secret tem se esforçado para diversificar seu elenco nos últimos anos. Em 2018, por exemplo, a etiqueta convocou Winnie Harlow, primeira modelo com vitiligo a trabalhar no show. Segundo o diretor, a label já considerou incluir modelos plus size na passarela, porém, quando foi questionado sobre a presença de transexuais no desfile, a resposta não agradou.

“As pessoas perguntam se nós não deveríamos ter transexuais no show, mas eu acho que não. Por que não? Porque o show é uma fantasia. É um especial de 42 minutos com função de entreter. É o único desse tipo no mundo e qualquer outra marca de moda no mundo agiria assim, incluindo os concorrentes reclamando de nós. Eles nos criticam porque somos os líderes”, respondeu Ed à revista.

Getty Images
Ed Razek posa com angels da Victoria’s Secret

 

As declarações de Razek resultaram em uma série de críticas nas redes sociais. Depois da repercussão negativa, ele se retratou no Twitter.

“Minha observação sobre a inclusão de modelos transgênero no programa foi considerada insensível. Peço desculpas. Para ser claro, nós, com certeza, contrataríamos modelos transgênero para o show. Nós tivemos modelos transgêneros nos castings, mas assim como várias outras, elas não conseguiram. Nunca foi sobre gênero. Admiro e respeito vocês por buscarem ser quem realmente são”.

Kelsey Merritt estreou este ano e é a primeira filipina a desfilar pela VS

 

Getty Images
Winnie Harlow, primeira modelo com vitiligo a trabalhar no show

 

Na internet, os apelos por um elenco mais diversificado são recorrentes há pelo menos cinco anos. Em 2015, a modelo Tess Holliday compartilhou uma foto usando lingerie com a legenda “Se a Victoria’s Secret precisar de uma angel plus size, me ligue”. Um ano depois, Ashley Graham postou uma ilustração de si mesma como a primeira profissional plus size no desfile da Victoria’s Secret e ganhou mais de 150.000 likes no post, mas ambas foram ignoradas pela VS.

Embora a comunidade trans esteja ganhando mais visibilidade nas semanas de moda, a Victoria’s Secret nunca se interessou. Em 2013, mais de 50.000 pessoas assinaram uma petição pedindo aos diretores de elenco da empresa que considerassem a modelo Carmen Carrera. Em abril deste ano, Leyna Bloom lançou uma campanha no Twitter na qual conseguiu mais de 100.000 curtidas e 34.000 retweets, mas sem sucesso. Até quando a gigante das lingeries vai ignorar suas consumidoras?

Público também pediu pela modelo trans Carmen Carrera

 

Ashley Graham ganhou mais de 150.000 likes em post que pedia sua inclusão

 

Tess Holliday compartilhou uma foto usando lingerie para chamar a atenção da marca, mas não obteve sucesso

 

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Colaborou Danillo Costa

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