Tom Ford substitui Diane Von Furstenberg na presidência do CFDA

À frente da instituição responsável pelo New York Fashion Week, estilista terá a difícil missão de tornar o evento relevante novamente

atualizado 20/03/2019 10:39

Victor Boyko/Getty Images for GQ

Mudança importante no Conselho de Designers de Moda da América. Após 13 anos ocupando a presidência da organização que dirige o New York Fashion Week, Diane von Furstenberg será substituída por Tom Ford. O estilista foi eleito na tarde dessa terça-feira (19/3) e terá a difícil missão de aumentar a arrecadação da associação e tornar a semana de moda americana relevante novamente.

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Durante os 13 anos que comandou o CFDA, Diane von Furstenberg ajudou a indústria têxtil norte-americana a navegar por uma série de revoluções dramáticas, como o crescimento do comércio digital, a difusão das redes sociais e as mudanças no comportamento do consumidor.

No entanto, a organização tem recebido críticas por não fornecer apoio suficiente aos seus 500 membros, especialmente àqueles que estão no meio da carreira. Embora ofereça prêmios para estilistas em ascensão, tal qual o CFDA/Vogue Fashion Fund, a associação é acusada de não conceder uma assistência prática adequada.

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Diane von Furstenberg deixa a presidência do CFDA depois de 13 anos

 

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Pyer Moss venceu o último CFDA/Vogue Fashion Fund…

 

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…contudo, o diretor criativo da etiqueta, Kerby Jean-Raymond, decidiu não desfilar no último NYFW

 

Outra solicitação recorrente feita pelos associados é uma promoção mais diversificada dos talentos ligados à instituição. Muitos apontam que o conselho foca em elogiar repetidamente nomes já difundidos no mercado. Para tentar resolver o problema, o CFDA introduziu novas categorias em seu Fashion Awards anual, incluindo o Swarovski Awards for Emerging Talent e Positive Change, mas essas iniciativas não seriam suficientes.

Tais problemas levaram Diane a perder força no conselho, o que instigou os membros a escolherem um novo presidente. Contudo, a maior pedra no sapato de Ford será a arrecadação. A adesão ao CFDA diminuiu nos últimos anos, fazendo a receita despencar de US$ 15,4 milhões, em 2016, para US$ 12,5 milhões, em 2017. Espera-se que na gestão do novo presidente o conselho recupere seus ganhos.

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Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen sempre são lembradas pelo CFDA, mesmo já tendo fama no mercado

 

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Raf Simons é outro designer celebrado com frequência pela organização

 

Para este ano, são previstas algumas medidas para aumentar a inclusão e diversidade no segmento, pois várias marcas estão sofrendo com as consequências do ativismo on-line, em meio a um cenário político altamente polarizado. A organização convocou Bethann Hardison e o Harlem’s Fashion Row para coordenarem programas e eventos de networking.

“Tendo vivido e trabalhado em cada uma das capitais globais da moda, estou ansioso para atuar no Conselho de Administração e promover a voz de nossos designers. Como presidente, quero dar continuidade ao trabalho incrível que Diane fez”, disse Tom em um comunicado.

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Bethann Hardison irá implementar programas de inclusão no conselho

 

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Ford quer dar continuidade ao trabalho feito por Diane

 

Ford, que é baseado em Los Angeles e ganhou sete prêmios CFDA ao longo de sua carreira, agirá em estreita colaboração com o diretor-executivo da organização, Steven Kolb, juntando-se a lendas, como Perry Ellis, Bill Blass e Oscar de la Renta, que também foram rostos da iniciativa ao longo dos seus 57 anos de história.

“Tom é um modelo para todos nós e temos muita sorte de tê-lo como o próximo presidente do CFDA. A American Fashion não poderia desejar um visionário melhor para aumentar ainda mais o seu impacto no mercado global”, disse Von Furstenberg.

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Tom Ford ganhou sete prêmios CFDA ao longo de sua carreira

 

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Tom ao lado de Diane

 

Com a missão de fortalecer o impacto da moda americana na economia mundial, o Conselho de Designers de Moda da América tem como objetivo incentivar os designers, por meio de prêmios, bolsas de estudo, orientações e oportunidades de networking, além de manter o New York Fashion Week como uma vitrine internacional.

Contudo, para que a semana de moda americana continue relevante, Ford terá de se empenhar em trazer o glamour de volta ao evento. Considerada a mostra mais comercial do circuito fashion internacional, o projeto amarga diversas críticas da mídia especializada devido às coleções cada vez menos criativas mostradas por lá.

Dimitrios Kambouris/Getty Images for Marc Jacobs
Marc Jacobs é um dos poucos estilistas presentes no NYFW que ainda investem em coleções conceituais

 

Presley Ann/Patrick McMullan via Getty Images
Desfile da Savage x Fenty, de Rihanna, movimentou o New York Fashion Week

 

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Kanye West é outro designer que mantém a semana de moda em alta

 

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Imagem de 2011, quando o evento era considerado relevante para o mercado internacional. Hoje, o número de profissionais documentando os desfiles é bem menor

 

Dimitrios Kambouris/Getty Images for Marc Jacobs
Anna Wintour aguarda o início de desfile em atraso. Organização também é um problema a ser sanado por Tom

 

Será que o networking de Tom será bom o suficiente para salvar o NYFW? Talvez! Mas antes o foco do novo presidente será o CFDA Awards, que acontece no dia 3 de junho.

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Colaborou Danillo Costa

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