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Ilca Maria Estevão

The Row, grife das gêmeas Olsen, enfrenta dificuldades financeiras

Fontes do portal WWD apontam que a marca de Mary-Kate e Ashley está tentando reduzir despesas operacionais

30/07/2020 12:00, atualizado 30/07/2020 13:33
Matt Winkelmeyer/MG19/Getty Images for The Met Museum/Vogue via Getty Images
Mary-Kate Olsen e Ashley Olsen - Metrópoles

A grife The Row, fundada pelas irmãs gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, está passando por uma fase difícil, segundo fontes ouvidas pelo WWD. Com problemas financeiros há um tempo, a marca viu sua situação piorar com a pandemia. As informações apontam que a etiqueta, conhecida pela moda minimalista, demitiu metade da equipe na tentativa de reduzir despesas operacionais. Há, também, especulações sobre uma possível redução ou encerramento da linha masculina, detalhe que a marca nega. Atualmente, Mary-Kate atua como diretora criativa, enquanto Ashley é a CEO.

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Giphy/Reprodução

Fatores negativos

As demissões, de acordo com as fontes ouvidas pelo jornal de moda, ocorreram após o lockdown provocado pelo novo coronavírus. Dentre a redução de 50% do staff, alguns cargos importantes foram eliminados, incluindo os codiretores criativos de moda feminina James Robinson e Anna Sophia Hövener, e o diretor de moda masculina, Paul Helbers.

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A onda atingiu áreas como design e vendas. De uma equipe que contabilizava cerca de 30 designers, no máximo uma dúzia voltou às atividades depois do confinamento. Mesmo relutante com descontos, para não desvalorizar o prestígio de seus produtos, a etiqueta teria também comercializado itens por um preço mais barato para atingir a receita necessária.

Outro fator que fez diferença nas finanças da label foi o pedido de recuperação judicial da Barneys New York, em 2019. A rede de departamento de luxo era uma das principais atacadistas que comercializavam The Row. De acordo com processos judiciais, a etiqueta é a segunda maior devedora da Barneys, com uma dívida de cerca de US$ 3,7 milhões.

A falta de investimento no comércio eletrônico foi outro fator crucial que culminou nas dificuldades financeiras da marca. Segundo o WWD, não houve um grande esforço da grife em investir nesse setor, apesar do declínio no varejo terceirizado em todo o mundo. Além de tudo isso, a linha masculina, introduzida em 2018, nunca deslanchou.

Jared Siskin/Patrick McMullan via Getty ImagesMary-Kate Olsen e Ashley Olsen
Fontes ouvidas pelo portal WWD informam que a The Row, grife de Mary-Kate Olsen (esquerda) e Ashley Olsen (direita), está passando por dificuldades financeiras
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
A marca, conhecida pelo design minimalista, está tomando algumas medidas para reduzir despesas operacionais
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
Entre essas medidas, a demissão de 50% da equipe, segundo as fontes
The Row/DivulgaçãoLooks masculinos da The Row
A redução ou encerramento da linha masculina, introduzida em 2018, também foi especulada
The Row/DivulgaçãoLook masculino da The Row
A marca, no entanto, negou este detalhe, apesar de admitir que está reduzindo despesas
Resposta da marca

Respondendo ao WWD a respeito dos problemas financeiros, a grife informou que está atuando rumo à expansão a partir de 2021. As coleções pre-fall 2020 e de outono/inverno 2020 estão em produção. A primavera/verão 2021 também está a caminho. As duas butiques próprias da label nos Estados Unidos, em Nova York e Los Angeles, estão funcionando.

“Como todas as marcas de varejo, a empresa reduziu de maneira responsável as despesas gerais para atender ao que todos esperamos que seja uma interrupção temporária da cadeia de suprimentos devido à pandemia global”, afirmou a The Row em nota oficial enviada ao portal.

J. Lee/FilmMagic via Getty ImagesMary Kate Olsen e Ashley Olsen
A empresa das gêmeas garantiu que está produzindo as coleções de pre-fall 2020 e outono/inverno 2020. A coleção de primavera/verão 2021, que ainda será apresentada, também está a caminho
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
A empresa diz que reduziu as despesas de maneira “responsável”
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
Informou ainda que espera que o momento de interrupção da cadeia de suprimentos seja temporário
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
As fontes ouvidas pelo WWD também entraram em outros detalhes. Segundo elas, não há pessoas negras na equipe corporativa da marca e havia pouquíssimas pessoas asiáticas antes da onda de demissões
The Row/DivulgaçãoLook feminino da The Row
A grife definiu os rumores como “fofocas imprecisas” e disse que está comprometida com a diversidade e a inclusão
Gastos e falta de diversidade

Apesar do momento difícil no sentido financeiro, as fontes ouvidas pelo WWD também detalharam outros assuntos. Um deles foi a falta de pessoas negras na equipe corporativa da The Row. O staff empregava pouquíssimos asiáticos até a onda de demissões. Agora, não se sabe quantos sobraram, mas a marca se recusou a comentar sobre o assunto.

“The Row está firmemente comprometida e mantém uma diversidade e inclusão no ambiente de trabalho. Não comentaremos outras fofocas imprecisas sobre nossos negócios, além de dizer que estamos empolgados com o futuro da marca, incluindo nossa linha de roupas masculinas, acessórios, nossos negócios de comércio eletrônico e nossa lucratividade futura”, informou a label via comunicado.

As duas irmãs ficaram famosas pela carreira como atrizes nos anos 1990 e fim dos anos 2000. Em 2006, Mary-Kate e Ashley abriram a The Row e deixaram a indústria do entretenimento, com alguns papéis eventuais em produções dos anos seguintes. O nome da grife é uma homenagem à rua londrina Savile Row. A marca de luxo, assim como as demais empresas das gêmeas, são controladas pela Dualstar. A dupla já levou dois prêmios do CFDA Fashion Awards pelo trabalho com a moda feminina (2012 e 2015) e mais três pelo design de acessórios (2014, 2018 e 2019).


Colaborou Hebert Madeira