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Uma frase dita por Demna Gvasalia, diretor de criação da Balenciaga, traduz bem o caminho que a moda está tomando. Segundo o designer, “uma nova dimensão de elegância surgiu” e isso faz muito sentido. Em 2018, mais do que as tendências do momento, o público consumidor de moda passou a exigir responsabilidade socioambiental, inclusão e transparência, aspectos que serão cruciais para as etiquetas fazerem sucesso neste ano.

Vem comigo!

A indústria teve tempo para se adaptar às demandas das novas gerações, mas esse período de transição acabou e, em 2019, lucrará quem já se adequou não só às normas comportamentais impostas pelos millennials, mas também às novas plataformas de consumo. Enquanto o Instagram se tornou fundamental para as vendas, lojas físicas se firmam como canais de posicionamento e experiência com os clientes.

Não à toa, a movimentação dos diretores criativos foi intensa nos últimos meses. As grifes estão jogando seus moldes antigos fora para trazer às suas entranhas pessoas que entendam o novo mercado e suas peculiaridades. Algumas labels, como a Chanel, podem ter deixado seu antigo time em campo, mas as jogadas foram recriadas. Depois de 109 anos de história, a marca finalmente colocou um modelo negro em um de seus desfiles, e influencers, como Bella e Didi Hadid, passaram a ser figuras de suma importância para a empresa.

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Gigi Hadid com casaco Fendi

 

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Bella Hadid usa casaco Chanel

 

Reprodução/Instagram/@altonmason

Alton Mason foi o primeiro modelo negro a participar de um desfile masculino da Chanel

 

É difícil prever quem se dará bem no mercado em 2019, mas a plataforma de pesquisa global A Lyst criou uma maneira interessante de classificar o potencial comercial das marcas de luxo. O Lyst Index é um ranking dos produtos mais quentes da moda. Para compor a lista, eles analisam o comportamento de mais de 5 milhões de compradores, compilando sua navegação de pesquisa e hábitos de compra. Eles também levam em conta as publicações e interações nas mídias sociais.

Preparei um dossiê com 10 grifes que devem ter um bom desempenho neste ano, levando em consideração o relatório desenvolvido pela A Lyst e os últimos acontecimentos que permearam o segmento de luxo nos últimos meses. Confira:

Givenchy
A Givenchy já é considerada uma marca de luxo de grande sucesso, mas o casamento real, definitivamente, causou um apelo adicional, uma vez que o vestido usado por Meghan Markle foi apresentado a uma audiência de mais de 29 milhões de pessoas. Houve algumas críticas a respeito do ajuste e estilo da peça, mas a opinião geral é que Clare Waight Keller, diretora criativa da etiqueta, fez um trabalho deslumbrante, tanto que, no mês de dezembro, foi consagrada como melhor designer inglesa de roupas femininas no Fashion Awards. Como tudo o que Duquesa de Sussex toca vira ouro, muita gente deve recorrer aos produtos da label este ano.

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Meghan Markle entrega o prêmio de Melhor Designer Britânica (Feminino) para Clare Waight Keller, no Fashion Awards 2018

 

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Vestido Givenchy usado por Meghan em seu casamento com o príncipe Harry

 

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Desfile da grife na última Paris Fashion Week

 

Dior
Kim Jones, diretor artístico da Dior Men, sabe como ninguém dar um toque esportivo suave à moda masculina, mas sua última coleção de pre-fall foi além. O novo trabalho, desfilado no fim de novembro, despertou a atenção não só dos homens, mas do público feminino. As roupas futuristas apresentadas pela etiqueta ficaram tão legais que as fashionistas tomaram as peças para si. Outro destaque que coloca a grife entre as apostas de 2019 são as saddle bags, bombando desde que foram relançadas no ano passado.

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Coleção futurista chamou a atenção dos fashionistas

 

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Marca usou robô de 11 metros em seu desfile de pre-fall

 

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Bella Hadid usa look da coleção masculina da Dior

 

Comme des Garçons
Rei Kawakubo, a diretora de criação da Comme des Garçons, é aclamada como uma espécie de vanguardista da moda moderna. De certa forma, nunca seguindo as tendências, ela as inventou, pois a união da alta costura com o activewear pôde ser observada, inicialmente, em seus trabalhos. Para saber o que as marcas esportivas irão fazer adiante, é só prestar atenção nos passos de Rei, pois a maiorias das tendências que fazem sucesso no street style atualmente vieram de sua passarela.

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Na Paris Fashion Week de janeiro

 

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Na semana de moda masculina de Paris

 

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Na última Paris Fashion Week, em setembro

 

Fendi
A Fendi sempre manteve uma boa reputação no mundo da moda, mas parecia não ter notado as mudanças que as redes sociais trouxeram ao mercado, logo, acabou ficando meio apagada nos últimos anos. Para 2019, a coisa promete ser diferente. A colaboração da grife com a Fila tem feito sucesso entre os millennials e as recentes aparições de Bella e Gigi Hadid ostentando a famosa logo dos anos 1990 em seus looks levaram a marca de volta ao street style.

Tênis da colaboração da Fendi com Fila

 

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Bella Hadid usa bolsa da Fendi nas ruas de Paris

 

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Gigi Hadid usa colab com a Fila

 

Balenciaga
A Balenciaga manteve-se estável na terceira posição da Lyst’s Index de marcas de moda de luxo e parece continuar a ser uma das favoritas em 2019. Demna Gvasalia, diretora de criação da Balenciaga desde 2015, trouxe a marca de volta à vanguarda. Depois de fazer muito sucesso com os tênis-meia e os dad sneakers, a grife agora aposta em uma colaboração com o e-commerce Selfridges e no modelo Volt Triple S, que chegam ao mercado nos próximos meses. As roupas da grife ainda devem ser ofuscadas pelos acessórios, o que não diminui o prestígio da etiqueta.

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Dad sneakers da Balenciaga

 

Colaboração com o e-commerce Selfridges

 

Modelo Volt Triple S

 

Prada
O lugar ocupado pela Balenciaga (maior marca de acessórios da atualidade) já pertenceu à Prada, mas a etiqueta perdeu um pouco de sua popularidade nos últimos anos. Em 2018, a grife italiana começou a se recuperar, colocando os bucket hats de volta aos holofotes, e neste ano as tiaras acolchoadas, lançadas na última semana de moda de Milão, prometem fazer muito sucesso. Sua mais recente linha de produtos em nylon e a crescente nas vendas dos óculos Linea Rossa também devem contribuir para a Prada ser uma das marcas mais consumidas de 2019.

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Bucket hat da Prada

 

Uma das bolsas de nylon da Prada

 

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Fila de tiaras da Prada

 

Versace
No fim de 2017, Donatella Versace já havia colocado as lendárias Carla Bruni, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Cindy Crawford e Helena Christensen na mesma passarela. No início de 2018, foi uma das organizadoras do Met Gala e esteve em evidência na TV americana por conta da série American Crime Story: The Assassination of Gianni Versace. Um pouco mais tarde, em setembro, vendeu sua etiqueta por US$ 2,2 bilhões para a Michael Kors e, no final do ano, vestiu diversas celebridade brasileiras. Versace é uma das palavras que mais ouvimos no ano passado e, em 2019, ela promete permanecer em nossos vocabulários. Nesse domingo (6/1), por exemplo, a série que destrinchou o assassinato de Gianni, criador da label, levou nada menos que dois Globos de Ouro.

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Donatella com os demais anfitriões do Met Gala

 

Reprodução/Instagram/@anitta

Anitta usou modelo Versace para o prêmio Melhores do Ano, do Domingão do Faustão

 

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Elenco de American Crime Story: The Assassination of Gianni Versace recebeu dois Globos de Ouro no último domingo (6/1)

 

Chanel
A Chanel é uma marca que se tornou icônica na mente do público, mas houve uma época na qual ela estava associada a uma geração mais velha, com formatos um tanto quanto tradicionais. Depois da etiqueta compreender melhor os novos tempos e seus influenciadores, percebemos um ressurgimento, com celebridades mais jovens ostentando a marca. Bella Hadid é apenas um dos muitos membros da jovem Hollywood que foram vistos usando a label. Outro fator que deve contribuir para a imagem da grife francesa neste ano é a inclusão, pois finalmente vimos um modelo negro em um de seus desfiles.

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Grife fez desfile na praia e marcou a moda

 

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Bella Hadid desfila logo da Chanel

 

Reprodução/Instagram/@altonmason

Alton no desfile da Chanel

 

Valentino
Mesmo não abrindo mão de seu DNA, a Valentino está de olho no mercado. A empresa fez um grande investimento nos países asiáticos e garantiu a atenção do povo que hoje mais consome luxo. A fila em vermelho que fechou o pre-fall da marca, exibido pela primeira vez no Japão, ficará para sempre em nossas memórias, mas foi a triunfal vitória de Pierpaolo Piccioli no Fashion Awards que carregará a etiqueta rumo a 2019. O estilista fez sua estreia na grife em grande estilo e deve nos presentear com belos trabalhos nos próximos meses.

Giovanni Giannoni/WWD

Clique da fila final do desfile de pre-fall da Valentino

 

MFFashion

Pierpaolo Piccioli ao final do show

 

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Pierpaolo Piccioli recebe prêmio de Designer do Ano pelas mãos de Brooke Shields, The Fashion Awards 2018

 

Gucci
A Gucci ficou em segundo lugar entre as marcas de moda listadas na Lyst Index, depois de ficar em primeiro lugar em 2018. Para sua nova coleção, o diretor criativo Alessandro Michele trouxe de volta uma vibe inspirada da década de 1980. Os produtos da temporada atual, como a sacola Sylvie, estão vendendo bem e a colaboração com o lendário Dapper Dan também gerou muita agitação para esta casa de moda icônica. Além disso, o cantor Harry Styles se tornou o novo rosto da etiqueta, o que deve angariar a atenção de uma legião de fãs frenéticas.

Sacola Sylvie

 

Campanha com Harry Styles

 

Colaboração com o lendário Dapper Dan

 

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Colaborou Danillo Costa



 


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