Saiba mais sobre os figurinos que deram a vitória à Mangueira
Carnavalesco Leandro Vieira buscou inspirações nos heróis populares para criar fantasias luxuosas e cheias de traços históricos

Nessa quarta-feira (6/3), a Estação Primeira de Mangueira foi eleita a grande campeã do Carnaval do Rio de Janeiro, depois de homenagear heróis populares na Passarela do Samba, com direito a um tributo para Marielle Franco, vereadora assassinada em março do ano passado.
O quesito Fantasia, que neste ano foi o principal critério de desempate, deu a 20ª vitória da escola entre as agremiações do grupo especial e levou os membros da comunidade homônima à loucura. E não poderia ser diferente! O carnavalesco Leandro Vieira cuidou de cada detalhe pessoalmente e caprichou na execução das centenas de figurinos desfilados na Sapucaí.
Vem saber mais sobre os looks da grande campeã!

Com o enredo História Para Ninar Gente Grande, a Mangueira relembrou a trajetória de negros, índios e pobres que tiveram participações importantes no Brasil, mas foram esquecidos nos livros didáticos. Entre os nomes, estão Luiza Mahin e Chico da Matilde. Leandro Vieira, o carnavalesco da escola, mais uma vez optou por um tema político, com críticas ao governo vigente.
Provocar esse tipo de debate tem sido o foco do artista desde que ele chegou à agremiação, em 2016. “Não faz sentido apresentar um discurso desinteressante, que não dialogue com a comunidade e com o público. O que eu faço é arte, baseada no questionamento e na contradição, pautada no pensamento crítico. Então, não posso me melindrar com polêmicas. Este ano, tem a ver com esse Brasil polarizado, que mistura política com partido. A arte é política. E se o Carnaval é arte, também é político”, disse ao Globo.



O carnavalesco afirma que boa parte do seu trabalho é propor uma estética questionadora e, para 2019, o objetivo foi retratar figuras de nossa história, como Dom Pedro I e Marechal Deodoro da Fonseca, de forma caricata. Em contrapartida, nomes como Dandara e Esperança Garcia ganharam uma interpretação heroica.
A comissão de frente, idealizada por Leandro, questionou o papel de ícones históricos do Brasil no período colonial. O carro abre-alas, intitulado Mais Invasão que Descobrimento, defendeu a tese de que nosso país não foi descoberto, mas invadido. Entre os membros, 12 crianças vestidas com peças criadas pelos alunos do curso de Design de Moda da Estácio.



Com estética indígena e fantasias cheias de penas, a linearidade do tema prosseguiu com um genocídio encenado na segunda alegoria. Na ala das baianas, intitulada Irmandades Negras, os figurinos vieram em tons marcantes, com cinturões em padronagens étnicas e muitos búzios e terços. Para finalizar, chapéus em forma de bandeja, em referência à união e hospitalidade do povo escravo.

Evelyn Bastos, a rainha de bateria, apostou em um look inspirado na escrava Esperança Garcia, considerada a primeira mulher advogada do Piauí. “Ela representa o pobre, o favelado e, sobretudo, a mulher negra, porque nosso comprovante de residência já sofre um preconceito. Mas resolvemos retratá-la em forma de rainha. É uma homenagem”, explicou Evelyn ao Globo.



Escondendo os mamilos com um lib, a passista optou por tirar a atenção da nudez. “Carnaval é discurso político. Acho importante a fantasia trazer um debate, porque tem a manifestação cultural em forma de arte. Ter um discurso político é fundamental para a nossa história enquanto Carnaval”, defendeu.
Matheus Olivério e Squel, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, também seguiram o mood indígena, mas com muita pompa verde e rosa. A dupla surgiu em uma versão glamourosa e cheia de brilho das tradicionais vestes usadas pelos estandartes humanos que representam a coletividade de cada agremiação e garantiram nota máxima para a escola.



A Mangueira fez um desfile exemplar, com produções bem pensadas e originais, seguindo com louvor o tema proposto pela comunidade. Prêmio mais do que merecido!
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Colaborou Danillo Costa





