Quem é Phoebe Philo, designer que marcou o estilo da Celine

Conhecida pela elegância e minimalismo, a estilista deixou a direção criativa da grife em 2018

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atualizado 07/09/2019 17:57

Mesmo sem ter criado uma marca própria, Phoebe Philo conquistou uma legião de fãs com sua assinatura única. Durante uma década, a estilista britânica cuidou da direção criativa da grife francesa Celine. Hoje, o cargo é de Hedi Slimane, que apresentou sua nova coleção nessa sexta-feira (1º/3) e surpreendeu positivamente após uma enxurrada de críticas na temporada anterior.

Antes mesmo da estreia do francês, em setembro de 2018, os chamados Philophiles, admiradores de Phoebe, já temiam que ele descaracterizasse a marca. Dito e feito: o designer apresentou uma primavera/verão que nada tinha a ver com a pegada contemporânea da britânica. Para quem acompanhava a influente marca francesa, foi o fim de uma era de elegância e minimalismo. Na função de diretora, Phoebe esbanjou funcionalidade e mostrou que menos é mais. Suas roupas eram reais, “vestíveis” e femininas.

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Phoebe nasceu em Paris, em 1973. Filha de pais britânicos, mudou-se para Londres aos 2 anos com a família. A arte e o design sempre a cercaram: sua mãe, a artista gráfica Celia, fez a capa do disco Aladdin Sane, de David Bowie.

A futura estilista ganhou sua primeira máquina de costura aos 14 anos, quando já customizava as próprias roupas. Ela se formou pela famosa Central Saint Martins College, em 1996.

Segundo o jornal The Guardian, sua coleção de formatura na Saint Martins tinha um quê latino e joias douradas. Um ano após a graduação, ingressou na Chloé como assistente da colega de turma Stella McCartney.

Em 2001, tornou-se diretora criativa da grife, a qual deixou em 2006 para passar mais tempo com a família. Foi quando deu à luz uma de suas três filhas com o negociante de arte Max Wigram, seu marido desde 2004.

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Pheobe Philo é formada em design de moda pela Central Saint Martins College

 

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Primavera/verão 2006 da Chloé, por Phoebe Philo, apresentada em outubro de 2005

 

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Feminilidade na primavera/verão 2006 da Chloé

 

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Phoebe Philo foi diretora criativa da Chloé entre 2001 e 2006

 

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Phoebe Philo enquanto estava grávida da primeira filha, com o primeiro prêmio de Designer Britânico do Ano pelo British Fashion Awards 2004, por seu trabalho na Chloé. Em 2010, ganhou pela Celine

 

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Na foto, a estilista segura a primogênita Maya e posa com o marido Max Wigram, com quem é casada desde 2004

 

A convite do grupo LVMH, Phoebe entrou oficialmente na Celine em outubro de 2008. Sua coleção de estreia foi o Resort 2010, enquanto a primavera/verão 2010 foi seu debut na passarela da grife. Aclamada logo de início, continuou a agradar a imprensa especializada e, ao mesmo tempo, o mercado.

Sua última coleção para a grife foi o pre-fall 2018. Clean, minimalista e chique, criou a bolsa icônica Luggage, que chegou a ser copiada por outras grifes. Além dela, introduziu sapatos felpudos, xadrez vintage e casacos extra-large.

Sua paleta discreta tinha como base variações de bege, tons terrosos, branco e listras azuis. A modelagem oversized e levemente tridimensional bem como os cortes gráficos arrematavam seu olhar despojado. Entre os acessórios, ousou com bolsas inspiradas em mantas, travesseiros e até uma sacola transparente, uma de suas últimas criações para a etiqueta.

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Suas coleções para a Celine eram elegantes e contemporâneas. Look do Resort 2016

 

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Phoebe criava roupas “reais” e “vestíveis” (Resort 2016)

 

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Repare nos sapatos com detalhe felpudo, uma de suas heranças para a marca francesa (outono/inverno 2018)

 

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A icônica Luggage, uma das bolsas mais famosas da Celine, é criação de Phoebe

 

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A designer trouxe criações com xadrez vintage e bolsas que pareciam mantas dobradas

 

Reprodução/Instagram/@@l_t_w_s_
Uma de suas últimas criações foi uma sacola transparente que deu o que falar em 2018

 

A estilista ganhou dois prêmios por seu trabalho na Celine: Designer Britânico do Ano, no antigo British Fashion Awards (hoje Fashion Awards), em 2010, e Designer Internacional do Ano, pelo CFDA, em 2011.

Seus serviços pela moda também lhe renderam um título de Oficial da Ordem do Império Britânico – parte da homenagem anual da família real a personalidades que contribuem para as artes, ciências e trabalhos sociais. Além disso, foi apontada como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2014 pela revista Time.

Sobre o trabalho de longa data da amiga, Stella McCartney é só elogios: “Uma das poucas designers mulheres, ela celebra a simplicidade e prioriza a qualidade e realidade do guarda-roupa de uma mulher. Quando as pessoas investem em seu trabalho, elas o têm para a vida. Uma das coisas que compartilhamos é a realidade de que as roupas que desenhamos são realmente vestíveis”, escreveu para a Time.

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Phoebe com o troféu de Designer Internacional do Ano, no CFDA Fashion Awards, em 2011

 

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A designer britânica definiu uma mulher Celine contemporânea, elegante e intelectual

 

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Seus casacos oversized eram cheios de estilo

 

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Sua alfaiataria despojada tinha um quê confortável

 

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Conjunto da coleção outono/inverno 2018

 

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Mix de xadrez

 

Em 2018, Phoebe já deixava saudade mesmo pouco tempo depois de ter saído da Celine (o anúncio foi feito em dezembro de 2017). Muitos se recusaram a aceitar as mudanças propostas por Hedi Slimane na grife, como a grafia do nome – que antes tinha acento agudo no E.

Prova disso é o perfil no Instagram chamado Old Céline, que, além de só escrever o nome pelo jeito antigo, é um show de saudosismo pelo legado da designer britânica.

Divulgação/Old Céline
Camiseta Bring Back Philo (Tragam Philo de volta, em português)

 

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Páginas do Instagram se dedicam a homenagear as criações da estilista para a marca francesa

 

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Hedi Slimane estreou na Celine cheio de mudanças para a marca, mas trazendo de volta a pegada rocker que levou para a Saint Laurent

 

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As criações oitentistas do estilista fogem da estética construída por Phoebe Philo

 

Uma temporada depois, Slimane parece ter refletido sobre os comentários que recebeu. Para o outono/inverno 2019/20, revisitou arquivos da grife das décadas de 1970 e 1980. O resultado rendeu uma coleção chique sem a pegada festiva e roqueira da anterior, um pouco mais parecida com a linha de Phoebe.

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O estilo festeiro e noturno de Slimane deu lugar a uma mulher “burguesa” elegante da França setentista

 

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O casaco de pele oversized chega a se assemelhar aos trench coats amplos de Phoebe

 

Contudo, para quem sente falta do conforto elegante de Phoebe, ainda há esperança. O inglês Daniel Lee foi diretor do prêt-à-porter da Celine durante sua direção. Hoje, ele cuida da italiana Bottega Veneta e aposta numa vibe similar à de sua antiga chefe. Comparações não faltam.

Divulgação/Bottega Veneta
A italiana Bottega Veneta está sob a direção do designer britânico Daniel Lee desde 2018

 

Divulgação/Bottega Veneta
Daniel Lee foi diretor de design do prêt-à-porter da Celine durante a direção de Phoebe Philo

 

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Suas criações estão sendo comparadas com a “velha Celine”

 

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As criações se assemelham à antiga Celine nas modelagens e recortes

 

Com um perfil discreto, longe do público e das redes sociais, Phoebe chegou a ser cogitada pela imprensa internacional como a sucessora de Karl Lagerfeld na Chanel. O boato circulava na internet no fim de 2018, antes mesmo da morte do kaiser. No entanto, ainda não se sabe a próxima aposta da estilista.

Entre as celebridades que admiravam a “velha Celine” estão Rihanna, Kendall Jenner, Ellie Goulding, Kate Moss e Sofia Coppola. Apesar de Hedi Slimane ter estreado a linha masculina da label, os rappers Travis Scott e Kanye West já usaram itens do vestuário feminino.

Celine
Criada em 1945 por Céline Vipiana, que comandou o design do negócio até 1997, a label foi adquirida pelo conglomerado de luxo LVMH em 1996 por 540 milhões de dólares. Michael Kors ocupou o posto de direção criativa até 2004.

Após as passagens de Roberto Menichetti (2004–2005) e Ivana Omazic (2005–2008) no cargo, foi a vez de Phoebe Philo assumir em 2008. A designer alavancou a marca e aumentou sua popularidade nos anos seguintes. Segundo o site Grazia, ela foi responsável por aumentar as vendas da Celine em 350% ao longo de 10 anos.

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Colaborou Hebert Madeira

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Bacharel em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington D.C. (EUA). É apaixonada por moda e acompanha toda movimentação no universo fashion.

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