Projeto Estufa leva moda experimental ao SPFW N48. Confira!

Em sua terceira edição, a plataforma apresentou coleções de marcas emergentes entre os dias 15 e 17 deste mês

Sergio Caddah/ FOTOSITESergio Caddah/ FOTOSITE

atualizado 19/10/2019 11:11

São Paulo (SP) A terceira edição do Projeto Estufa levou experimentalismo e ideias inovadoras durante o São Paulo Fashion Week N48. Entre os dias 15 e 17 deste mês, a iniciativa promoveu palestras, desfiles e até uma experiência com realidade aumentada. Uma espécie de laboratório de novos talentos, a proposta reuniu apresentações de seis marcas: Korshi 01, ÃO, Victor Hugo Mattos, Mipinta, Aluf e Lucas Leão. Sustentabilidade, tecnologia e criatividade, pilares que norteiam o projeto e dão o tom a coleções disruptivas e conceituais.

Vem comigo!

Korshi 01

Com a Koleção 04, a proposta da Korshi 01 é dar um novo uso a designs que já fazem parte do universo da marca. A intenção é abordar o próprio poder de mutação de cada peça, destacando a versatilidade e as formas de repensar o consumo. Afinal, por que comprar desenfreadamente quando um único objeto pode ter várias funções e ser utilizado ao máximo?

Amarrações, bolsos e recortes diferenciados fazem com que um casaco facilmente se transforme em um vestido ou mesmo em um macacão. Diversas possibilidades permeiam todas as peças. Jaquetas, por exemplo, podem ter suas mangas transformadas em calças.

Zé Takahashi/ FOTOSITE
Alfaiataria desconstruída e conceitual da Korshi 01

 

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A marca experimentou proporções

 

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Cinto, alça e suspensório se transformam na mesma peça

 

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A ideia é que cada item possa ser usado além de sua função tradicional

 

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Casaco-vestido que mescla street e rock

 

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Um espartilho com design de alfaiataria que faz as vezes de blusa tomara que caia

 

ÃO

Os desfiles da ÃO nunca são só desfiles. A beleza e as expressões dos modelos fazem com que os corpos e as peças pareçam uma só unidade. É dentro dessa lógica que entra o conceito da nova coleção, Excesso.

Peças em látex líquido molhado e látex plano funcionam como uma espécie de segunda pele. Para a marca, com direção criativa de Marina Dalgalarrondo, “a sensação é de experimentar vestir outro corpo”.

Curvas, babados e formas desconstruídas distorcem as silhuetas tradicionais, questionando a própria anatomia do corpo e a maneira como as roupas podem modificá-la. A artista Raphaela Melsohn também assina a coleção.

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Os looks da coleção Excesso, da ÃO, funcionam como uma segunda pele

 

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O trabalho com látex rende um efeito viscoso interessante

 

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Durante o desfile, os modelos riscaram a passarela com diferentes expressões

 

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Drapeados e verde-neon

 

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O látex transparente e a modelagem da calça rendem uma composição diferente e artsy

 

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Mais um pouco de silhuetas propositalmente distorcidas

 

Victor Hugo Mattos

A coleção Abissal explora o trabalho adornado já característico de Victor Hugo Mattos. Desta vez, com a intenção de “observar com coragem o abismo de nossas sombras e dualidades”, como descreve o material para a imprensa.

Peso, movimento e som se misturaram no caminhar de cada modelo ao longo da passarela, carregando visuais repletos de pingentes, metais, pérolas, vidro e outros materiais.

Os adornos são aplicados nas extremidades de casacos, calças, chokers e muito mais. Nem mesmo os sapatos ou luvas escaparam de detalhes que balançavam de um lado para o outro durante a apresentação.

Já o handmade do crochê, junto aos bordados e à alfaiataria sofisticada, leva a um conjunto de peças denso e misterioso. Tudo a ver com a palavra que batiza o compilado, que se refere a abismos e profundidade.

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Victor Hugo Mattos decorou um vestuário chique com metais, pedrarias e bordados

 

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As peças ganham vários detalhes com peso nas extremidades

 

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Um pouco de western e crochê

 

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Decorativismo opulento é o ponto alto da coleção

 

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Neste look, a pegada extravagante surge mais sutil

 

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Durante o desfile, dava para ouvir o barulho dos detalhes esféricos em movimento

 

Mipinta

Em Algazarra, coleção apresentada pela Mipinta, o diretor artístico Fernando Miró imagina um after-party descolado, urbano e clubber. Enquanto a cidade se prepara para trabalhar ao nascer do sol, é como se os modelos estivessem voltando para casa de uma festa daquelas…

Calças com modelagem ampla e recortes frontais na altura da perna ganham um visual inusitado, como se tivessem pequenas caudas. As jaquetas e blazers injetam irreverência e diversão – uma delas, inclusive, é feita “simulando” várias sacolas listradas.

A coleção também inclui transparência, referências esportivas e galochas com grafitagens coloridas. Listras e cores são inspiradas nas sinalizações de trânsito de São Paulo.

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A coleção da Mipinta é experimental, descolada e urbana

 

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Look com referência esportiva

 

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Jaqueta e sacolas na mesma peça? Tem também!

 

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O acessório de rosto e a transparência da blusa disputam o destaque deste look

 

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Com os recortes, as calças ganham espécies de caudas

 

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Blazer com um quê de Balenciaga

 

Aluf

A estilista Ana Luisa Fernandes brinca com volumes, estampas e cores para lembrar a importância da diversão no equilíbrio psicológico. Esse olhar lúdico orienta o inverno 2020 da Aluf, baseado em tecidos diferenciados e sustentáveis. Entre eles, o xadrez feito com fibras recicladas e um mix de linho e poliamida biodegradável, que dá forma às peças cor-de-rosa.

Até mesmo o plástico é reciclado, feito a partir de sobras de lojas parceiras e do próprio ateliê da marca. O material transparente aparece ora como protagonista, ora como detalhe de algumas roupas, como babados e golas.

O vidro, destaque na temporada anterior, retorna na forma de acessórios de cabelo e brinco, com direito a banho de ouro rosé e prata. As formas arredondadas, bem presentes na coleção, surgem até mesmo nos sapatos. Os saltos esféricos de madeira são uma parceria entre a Aluf e a marca Manolita.

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Plástico reciclado se transforma em babados tridimensionais na coleção da Aluf

 

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Neste vestido, o material é o protagonista

 

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Xadrez e babado acrescentam diversão ao vestido

 

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Mangas bufantes com toque retrô

 

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O rosa dá um respiro colorido à coleção

 

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Conjuntinho clean com decote

 

Lucas Leão

Peças em bege, verde-neon e azul, aos poucos, foram dando lugar a uma explosão de cores saturadas na passarela de Lucas Leão. Em seu terceiro desfile, o estilista buscou uma nova ideia de futuro. Para isso, desenvolveu estampas digitais em roupas de fibra natural, expressando seu próprio olhar sobre o que é liberdade.

Os looks do show se dividiram em três blocos: produções com foco no bege e detalhes em verde e azul, visuais com mistura de tons saturados e, por fim, alfaiataria oversized monocromática.

As roupas transitam entre formas desconstruídas, com bastante tecido, uma pegada utilitária e a sobreposição de transparência, no caso de alguns blazers. Modelagens amplas, capuzes e acessórios de cabeça moderninhos dão o tom ainda mais experimental proposto pelo designer.

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Os primeiros looks do desfile de Lucas Leão reuniram bege e cores neon

 

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Além do verde, o azul marcou presença

 

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Em seguida, as peças ganharam um banho colorido

 

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Mistura de estampas, utilitarismo e oversized

 

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Alfaiataria monocromática com textura, no último “bloco” de looks

 

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O laranja em tom vibrante foi uma das escolhas do estilista

 

O Projeto Estufa, realizado desde 2017 pelo SPFW, é feito em parceria com o IN-MOD (Instituto Nacional de Moda e Design). Vale destacar que, na terceira edição, os desfiles tiveram descrição em áudio para pessoas com deficiência visual. Por meio de um aplicativo de celular, foi possível acompanhar os comentários de jornalistas de moda, à medida que os modelos cruzavam a passarela.

Segundo a organização do evento, a novidade é inédita em uma semana de moda. A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo ajudou a desenvolver o projeto.

 

Colaborou Hebert Madeira

SOBRE O AUTOR
Ilca Maria Estevão

Bacharel em psicologia pela Universidade Georgetown, em Washington D.C. (EUA). É apaixonada por moda e acompanha toda movimentação no universo fashion.

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