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Quem gosta de joias sabe como é difícil encontrar opções de boa qualidade e com preços justos. Nessa vibe de oferecer itens mais acessíveis, Laura Neves, amiga de longa data, lançou a própria marca. Há mais de 10 anos, ela cria brincos, anéis e pulseiras, misturando a nostalgia da infância, o amor pelas pedras e a alma hippie que a acompanha desde nova.

Apaixonada por Brasília, as inspirações vêm da natureza e de memórias pessoais. As peças criadas por ela já estamparam capas de revistas como Vogue, Nova e Claudia, e são queridinhas de atrizes da Globo. Além disso, tem uma linha infantil exclusiva desde 2015.

Em entrevista exclusiva, a designer, que está prestes a se mudar para Curitiba, relembra sua trajetória e conta quais são os novos projetos.

Vem comigo conferir!

JP Rodrigues/Metrópoles

 

Laura Neves confecciona joias à mão, a maioria em ouro. Pedras preciosas dão o toque final às criações exclusivas. A inspiração vem, muitas vezes, da própria relação da designer com a pedra ou, até mesmo, de um quadro que chama a atenção de seu olhar apurado.

Formada em psicologia e administração, sempre teve paixão por joias. A experiência foi adquirida com prática, empenho e diversos cursos de prestígio – como o de ourivesaria, no Studio Jewelers Ltd, a pós-graduação em design de joias, rendering no Rhinoceros, e gemologia no GIA. Em 2007, abriu sua primeira loja, no Rio de Janeiro.

Confira nosso bate-papo:

Como você entrou no universo das joias?
Quando eu era criança, fazia bijuteria. Sempre gostei de trabalho manual, crochê, tricô, ponto cruz… criava roupinhas para as minhas bonecas, mas sempre de brincadeira. Em 2005, minha mãe foi fazer um curso de artes plásticas em Nova York e me convidou para ir com ela. Nessa época, não havia aulas especializadas em ourivesaria no Brasil. Então, procurei e achei um estúdio bem antigo em Manhattan, e estudei lá com japoneses. Fiquei um semestre e voltei, trouxe vários materiais, mas ainda não pensava em trabalhar com isso.

Enquanto terminava minha especialização de psicologia, continuei desenvolvendo as joias em casa e vendia só para as pessoas mais próximas.

Quando você decidiu criar sua própria marca?
Quando vendia as joias para o pessoal de psicologia, fiquei empolgada, porque comecei a ganhar dinheiro. Em 2007, já abri loja em Ipanema. Era uma galeria muito charmosa, bem cool. No Rio, era completamente diferente daqui. As artistas da Globo passeavam por lá. Foi quando deslanchou.

Por exemplo, abria uma revista e tinha a Carolina Dieckmann com um brinco meu. Já fui à casa da Juliana Paes vender para ela. As produtoras das novelas também conheciam e iam lá direto pegar joias. Era bem legal.

Em 2011, casei e fui morar em Curitiba. Abri um ateliê, só que lá eu não conhecia ninguém, não tava no ritmo, engravidei, aí foi pausa total. Ainda tinha o site, pelo qual continuei vendendo on-line para as minhas clientes do Rio. Produzia muito pouco, fazia sob encomenda. Nunca deixei de criar, mas era bem devagar. Em 2014, retornei a Brasília. E no ano passado voltei à ativa com as joias.

JP Rodrigues/Metrópoles

Ouro branco, topázio e rubelita no bracelete. No anel: ouro branco, água marinha e diamantes

 

JP Rodrigues/Metrópoles

Ouro e turmalina

 

Como você define a sua marca?
É uma coisa meio every day jewelry, sabe? Vem da personalidade, porque sou assim. Uso calça jeans e tênis todos os dias. Sempre tive uma alma mais jovem, menos perua, quase hippie. Então, nunca consegui fazer aquelas coisas chamativas, pois não combina comigo. Queria algo para as pessoas usarem no dia a dia. De mulher para mulher.

Por exemplo, vejo as clientes daqui de Brasília, elas compram um colar para usar todo dia mesmo, vira tipo uma segunda pele. Acho muito legal, é aquela coisa que fica. Dá para colocar e ir à academia, a um almoço, trabalhar, jantar, passar o dia inteiro.

Sempre criei também umas peças maiores, mas também nada que não dê para usar em um almoço, por exemplo.

JP Rodrigues/Metrópoles

Anel de pedra da lua. Amei!

 

JP Rodrigues/Metrópoles

Anel de ouro, turmalina bicolor e diamantes

 

Com quais materiais você trabalha? Quais são seus preferidos?
Muita peça preta e de pedra da lua, porque adoro. Uso muito opala e turmalina colorida. São itens únicos. Faço uma de cada, mas estou sempre criando coisas novas.

Pérola sempre tem, não é uma coisa que uso muito, mas as pessoas amam. Pedra gosto bastante e trago de fora. Viajo a Paris, Turquia e Nova York para trazer. Também compro nas feiras de Teófilo Otoni, no interior de Minas Gerais. As peças com um significado, com um símbolo de proteção, são as mais vendidas: olho grego, trevinho, pedra do signo. Só repito os itens que saem sempre ou faço sob encomenda.

Como é o seu processo criativo? De onde vêm suas inspirações?
Quando é com pedra, normalmente olho e tenho a ideia. Para o resto, desenho. A inspiração vem muito da natureza. Amo flores, plantas. De símbolos do meu passado também. Às vezes, acontece em um momento inesperado. Passeando em um museu, você vê um pedacinho de um quadro ou o azulejo de uma igreja. Cada coisa remete a uma forma.

Todo mês tem coisa nova, gosto de brincar com o material. Vou para a oficina duas vezes por semana. Crio muito em prata porque me dá mais liberdade, por ser um material mais barato. Posso viajar na maionese com um pedaço gigante porque não vai ter a perda do ouro. Às vezes, o que faço na prata vira algo em ouro. E também tenho desenvolvido muita coisa misturando os dois.

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Brinco caveira. Pequeno, discreto e maravilhoso, além de ter uma pegada rock. Foi sucesso de vendas. O item é uma das marcas registradas da designer

 

JP Rodrigues/Metrópoles

Mistura de anéis de estrela. Dá um toque moderno sem perder a delicadeza

 

Qual é a joia que toda mulher deve ter?
Toda mulher precisa ter um brinco pequeno. Ela coloca e pode malhar, buscar o filho na escola, ir a uma festa, dormir. Fica bem com rabo de cavalo, de óculos. Outro item obrigatório é anel. Amo, sou apaixonada. Se você usar um em cada dedo, fica legal. Na minha opinião, é permitido exagerar.

Fala para mim três criações que são as suas favoritas de todos os tempos.
A borboleta, porque é uma das minhas primeiras peças e já recriei em versões menores. Tem um significado, é tipo um amuleto de sorte para mim. Quando vejo uma, já muda meu dia e acho que alguma coisa muito boa vai acontecer.

Também gosto muito das peças que nunca mais vou conseguir repetir porque a pedra é única. Por exemplo, a turmalina. A opala tem um recorte específico, a lapidação é singular.

Por último, amo as pulseirinhas Desejo. Foi muito sucesso, vendi demais. Tinha de todas as cores e cada pedra simboliza algo diferente. Por exemplo, “Esperança” coloquei no ouro amarelo com uma pedra verde, “Paixão” pus no ouro rosa com uma pedra vermelha.

Uma das primeiras peças de Laura é o colar borboleta

 

JP Rodrigues/Metrópoles

Colares com ouro, opala e diamantes. As pedras são únicas

 

JP Rodrigues/Metrópoles

Pulseiras da linha Desejos

 

Você está prestes a se mudar de Brasília. Pretende expandir a produção de joias em Curitiba?
Minha ideia é abrir um ateliê, que já está sendo feito, e, quem sabe no futuro, reabrir a loja. Recentemente, mudei a identidade visual do site e o e-commerce também está sendo retomado.

Tem alguma novidade vindo por aí?
Agora, estão sendo feitas peças de pedrinhas coloridas com brilhantes. Mas tenho vontade de criar uma coleção para homenagear Brasília. Acho que seria uma coisa clean, com formas e curvas, bem Niemeyer. Talvez em prata com ouro. Imagino pedras azuis com branco, meio Athos Bulcão.

Veja mais peças de Laura Neves nas galerias:

Casual

 

Vintage

 

Pedraria

 

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Colaborou Rebeca Ligabue



 


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