Business: confira as principais movimentações na indústria da moda em 2020

Em meio à crise econômica já enfrentada pelo mercado fashion, grupos e marcas dão continuidade às negociações

atualizado 01/01/2021 10:39

Estilista criando peça Vladimir Vladimirov/Getty Images

Mesmo marcado pela pandemia de coronavírus, ao longo do ano de 2020 ocorreram diversas movimentações no lado business da indústria da moda. Entre os momentos mais relevantes estão a venda da Victoria’s Secret e a aquisição da Tiffany & Co. pelo grupo LVMH. Mas não acaba aí: o universo fashion também foi envolto por inúmeras atividades comerciais. Para recapitular as principais notícias nos últimos 12 meses, a coluna relembra algumas das mais impactantes, em clima de retrospectiva.

Vem comigo!

Giphy/Forever 21/Reprodução

Forever 21

A marca queridinha pelos millennials foi vendida em fevereiro a proprietários de uma rede de shoppings. A cadeia de fast fashion encanta seus consumidores mundo afora, por entregar produtos que estão na moda a preços acessíveis, incluindo acessórios e objetos para o lar. Desde setembro de 2019, entretanto, a empresa começou a deixar os fashionistas assustados após solicitar processo de recuperação judicial.

No início deste ano, a Forever 21 encontrou uma saída para a severa crise financeira, ao negociar acordo de venda com os grupos Simon Property, Brookfield e Authentic Brands. A proposta foi aceita no dia 11 de fevereiro pelo juiz Kevin Gross, do Tribunal de Falências dos EUA.

“O acordo permitirá à Forever 21 sair da falência, mantendo sua sede, lojas e operações on-line abertas, fornecendo modas e tendências que os clientes conhecem e amam para os próximos anos”, alegou a loja de fast fashion, em comunicado.

A negociação é similar à aquisição da multinacional Aéropostale pela Simon, em 2016. A loja de varejo tinha decretado falência e os ativos da etiqueta americana foram arrematados em leilão, por um consórcio liderado pelas mesmas empresas operadoras de alguns shoppings centers. Atualmente, a Aéropostale tem 350 lojas e planos de expansão no mercado canadense.

Fachada loja forever 21
Após pedir recuperação judicial em setembro de 2019, a varejista negociou um acordo de venda

 

camisas forever 21
Um consórcio liderado pelos grupos Simon Property, Brookfield e Authentic Brands ofereceu US$ 81 milhões pelos ativos da varejista

 

Loja forever 21
No dia 11 de fevereiro, o Tribunal de Falências dos EUA aprovou a venda da Forever 21

 

Loja forever 21
A sede, as lojas físicas e o e-commerce vão continuar as operações de venda, segundo comunicado feito pela marca
Victoria’s Secret

Considerada uma das marcas de lingeries mais famosas do mundo, a Victoria’s Secret protagonizou inúmeras polêmicas em 2019, que culminaram em uma queda nos negócios da empresa, além da enxurrada de críticas virtuais.

Na tentativa de retomar os negócios, a empresa de fundo de investimento Sycamote Partners adquiriu 55% da grife, em fevereiro – detém US$ 525 milhões em negócios, dentro do US$ 1,1 bilhão que a marca vale. Assim, a empresa passa a ter capital fechado; os 45% restantes continuam sob o comando da L Brands.

Dois meses depois, e com a chegada da Covid-19, a Sycamore sinalizou o interesse em cancelar o negócio, alegando que termos assinados em contrato foram descumpridos pela grife de lingeries, como o fechamento de lojas nos EUA, desligamento de funcionários e pendências de aluguéis.

No final de abril, a empresa de private equity abriu processo solicitando pausa na transação. A ação resultou na queda de mais de 20% das ações da Victoria’s Secret.

Em novembro, a companhia L Brands retornou às manchetes com o anúncio de seu novo CEO, Martin Waters, substituindo John Mehas, que assumira o cargo em fevereiro de 2019. No mesmo comunicado, outras funções também foram noticiadas: Laura Miller, por exemplo, virou diretora de recursos humanos da marca; Becky Behringer, o novo vice-presidente executivo de vendas e operações para a América do Norte; enquanto Janie Schaffer entrou para a direção de design da Victoria’s Secret Lingerie.

Modelos Victoria's Secret
Victoria’s Secret foi fortemente criticada por falta de diversidade

 

sutiã Victoria's Secret
55% da empresa foi vendida a Sycamore Partners

 

Modelo Victoria's Secret
Dois meses depois, a empresa de fundo de investimentos entrou com pedido de cancelamento da compra, alegando que termos do contrato foram descumpridos

 

Loja da Victoria's Secret
Victoria’s Secret tem um novo CEO: Martin Waters está à frente da função, substituindo John Mehas
Tiffany & Co.

Outra negociação que rendeu desdobramentos foi a venda do legado azul da Tiffany & Co. No decorrer dos meses, o grupo LVMH passou por etapas durante as negociações, a fim de finalizar a disputa legal entre as empresas. A joalheria norte-americana decidiu aceitar a oferta mais baixa que a oferecida anteriormente e bater o martelo nas negociações.

Em outubro, a holding francesa sugeriu tirar cerca de US$ 425 milhões de seu preço de aquisição original, de US$ 16,2 bilhões. O LVMH comunicou que o novo pacto “modifica certos termos do acordo inicial para refletir um preço de compra de US$ 131,50 (por ação) em dinheiro e a fim de reduzir a condicionalidade de fechamento”.

Loja da Tiffany
Venda da Tiffany & Co. foi outro assunto muito comentado em 2020 

 

Caixas em loja da Tiffany & Co.
Em novembro de 2019, foi anunciada a venda da joalheria norte-americana para o grupo LVMH

 

Anéis da Tiffany & Co.
Com a chegada da pandemia, incertezas e conflitos tomaram conta da união

 

Modelo em campanha da Tiffany & Co.
Agora, o conflito parece estar encerrado. A Tiffany & Co. decidiu aceitar um preço mais baixo, reduzido em cerca de US$ 425 milhões
Arezzo & Co

Enquanto isso, as negociações também tomaram conta do mercado brasileiro. O grupo AR&Co conquistou o título de maior conglomerado de moda em solo tupiniquim, finalizando o ano com o total de 13 marcas em seu portfólio, após a entrada da Reserva

A partir deste ano, além das marcas Arezzo, Schutz, Anacapri, Alexandre Birman, Fiever, Alme e Vans, a holding Arezzo & Co inclui em seu portfólio as marcas da carioca Reserva. São elas: a própria Reserva, Reserva Mini, Oficina Reserva, Reserva Go, Eva e Ink.

Estilista Alexandre Birman
Alexandre Birman é CEO da holding Arezzo & Co

 

Sapatos SCHUTZ
Em agosto, o grupo lançou um e-commerce para marcas próprias e outras grifes

 

Sapatos SCHUTZ
Diante da pandemia do novo coronavírus, o grupo brasileiro Arezzo&Co decidiu mudar as estratégias e operações em solo norte-americano, fechando quatro lojas nos EUA

 

Marina Ruy Barbosa
Em novembro, Marina Ruy Barbosa assumiu a direção de moda do marketplace ZZ Mall
Grife NV

Além dos milhares de likes no Instagram, a influencer Nati Vozza aproveitou o sucesso nas redes sociais para realizar seu desejo de se tornar empresária. Foi em 2009 que a NV tomou forma, como um complemento ao blog glam4you.com.

Considerada a primeira grande marca brasileira nativa digital, a etiqueta cresceu ao longo dos anos. Em 2019, o faturamento anual da etiqueta conquistou o patamar dos R$ 100 milhões.

Em outubro, a marca anunciou que, mesmo com o cenário incerto provocado pela pandemia, a expectativa era chegar aos R$ 170 milhões. No mesmo período, um comunicado oficial noticiou que a grife se juntou ao grupo brasileiro Soma, detentor das marcas Animale, Farm, Fábula, A.Brand, Foxton, Cris Barros, Off Premium e Maria Filó.

Antônio Junqueira e Natalia Vozza
Antônio Junqueira e Natalia Vozza são os fundadores da marca de moda NV

 

Natalia Vozza
A grife foi vendida e integra o portfólio do Grupo Soma

 

Peças da grife NV
A NV foi fundada em 2009

 

Peças da grife NV
O pagamento aos sócios-fundadores, que passarão a integrar o bloco de controle do Grupo Soma, será em dinheiro e ações
Supreme

Outra notícia que movimentou o mercado de streetwear foi a venda da Supreme, que será arrematada pela VF Corp., dona da Vans e da Timberland, por US$ 2,1 bilhões. Espera-se que a transação seja finalizada ainda em 2020.

“O VF é o administrador ideal para homenagear a herança autêntica desta marca de estilo de vida cultural, ao mesmo tempo em que oferece a oportunidade de alavancar nossa escala e experiência para permitir o crescimento sustentável a longo prazo”, compartilhou Steve Rendle, CEO, chairman e presidente da VF Corp., em comunicado. Segundo ele, a aquisição da marca se torna mais uma validação da visão e estratégia do grupo, crescendo seu portfólio de labels.

Supreme e Timberland
A Supreme está sendo negociada pela VF Corporation

 

Collab da Supreme com a Nike
A empresa detém marcas como Vans, Timberland e The North Face

 

Peças da marca Supreme
A aquisição deve ser concluída até o final deste ano
Moncler

Ainda em dezembro, a Moncler aproveitou o restante do ano para iniciar as negociações de compra da sua concorrente Stone Island. A transição equivale a 100% da marca, avaliada em US$ 1,4 bilhão. Em comunicado, a etiqueta de luxo pontuou que espera a finalização dos negócios no primeiro semestre de 2021.

Também no pronunciamento, a Moncler afirmou que as duas grifes continuam caminhando separadas e de forma autônoma, com foco nos mercados americano e asiático, além de ampliar seus canais diretos ao consumidor para o novo cliente de luxo e avançar ainda mais no quesito sustentabilidade.

Editorial Moncler
A etiqueta de luxo Moncler anunciou, em dezembro, sua nova aquisição

 

Editorial Moncler
A marca iniciou o processo de compra da concorrente Stone Island

 

Editorial Moncler
O valor da movimentação gira em torno de US$ 1,4 bilhão

 

Produto Moncler
Espera-se que o negócio seja fechado no primeiro semestre de 2021

Colaborou Sabrina Pessoa

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