Ibaneis desiste de enviar Lei do SIG à Câmara e pede mais estudos
Governador entendeu que a população não teve tempo de debater um assunto tão polêmico e com potencial de ferir o tombamento do Plano Piloto

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), resolveu suspender o envio do projeto de lei complementar (PLC) que altera normas de gabarito do Setor de Indústrias Gráficas, a chamada Lei do SIG, à Câmara Legislativa.
A previsão era que a proposta chegasse nesta segunda-feira (12/08/2019) às mãos dos distritais. A minuta do PLC do governo permite que os prédios no setor passem dos atuais 12 metros de altura para 15 metros. Além disso, autoriza a instalação de 200 novas atividades na região, que faz fronteira com o Sudoeste e margeia o Eixo Monumental.
Mas, nesta segunda (12/08/2019), o chefe do Executivo local decidiu interromper essa programação e devolver o texto à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). “Pedi mais estudos sobre o projeto e vamos dar mais tempo para que a população debata o assunto”, anunciou o governador ao Metrópoles.
Nos últimos dias, o site publicou uma série intitulada Brasília Desconfigurada. É isso o que queremos?, que revela os riscos que a Lei do SIG traz ao projeto de tombamento de Brasília. Especialistas, arquitetos, urbanistas, deputados e cidadãos que defendem a capital do país tal qual foi concebida alertam para o fato de que mudanças no Setor de Indústrias Gráficas abrirão brecha para demais alterações em outros endereços do Plano Piloto.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularAlém de ser uma medida com potencial para descaracterizar a cidade projetada por Oscar Niemeyer e Lucio Costa, a redação do PLC isentaria empresários instalados no local de pagar uma taxa cobrada todas as vezes que se aumenta o potencial construtivo das edificações, a chamada Odir (Outorga Onerosa de Direito de Construir).

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Ver todasImpacto no trânsito
Mais que isso, o texto seria apresentado sem estudos de impacto de trânsito. Quem circula pela região onde funcionam tribunais, a Câmara Legislativa e escritórios de advocacia sente na pele a dificuldade do tráfego, especialmente em horário de expediente, quando os motoristas não conseguem estacionar.
Com a decisão, o governador Ibaneis sinaliza que está atento e disposto a ouvir as vozes que defendem Brasília, uma cidade reconhecida mundialmente e protegida pelo Patrimônio Cultural da Humanidade.





