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Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-deputado distrital Rogério Ulysses não compareceu à audiência da Caixa de Pandora na 7ª Vara Criminal de Brasília, onde ele era esperado para depor nesta segunda-feira (28/3).

Ulysses justificou sua ausência com um atestado médico. O ex-deputado está com dengue e tem se tratado na UPA de São Sebastião, cidade onde mora.

Eleito para a Câmara Legislativa em 2006 pelo PSB, Rogério Ulysses acabou se tornando um dos alvos da Caixa de Pandora, que novembro de 2009 revelou um audacioso esquema de corrupção envolvendo parlamentares, empresários e agentes públicos.

Em uma das gravações que subsidiaram a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o então chefe da Casa Civil do governo de José Roberto Arruda, José Geraldo Maciel, disse que pagava R$ 50 mil para o deputado e que ele ainda recebia outro R$ 10 mil de um assessor do ex-governador.

O dinheiro, segundo sustentam os promotores de Justiça na denúncia, era pagamento de apoio político ao governo na Câmara Legislativa.

Mais de seis anos depois do início da Pandora, quando Rogério Ulysses finalmente se explicaria em juízo sobre o episódio que lhe expurgou da política, o ex-distrital acabou sendo impedido por motivo de saúde.

Quem prestou depoimento nesta segunda foi o também ex-deputado distrital Milton Barbosa. Arrolado como testemunha de defesa do colega Ulysses, Milton disse que o ex-distrital não pertencia à base aliada do governo Arruda e que nunca tomou conhecimento sobre o fato de o réu receber propina para compor o grupo de apoio ao GDF. Milton Barbosa é irmão do delator do esquema, Durval Barbosa.

O advogado Ticiano Figueiredo, que representa Rogério Ulysses na causa, informou que seu cliente será ouvido em 11 de abril, quando ficou agendada nova audiência. “Rogério tem todo o interesse em colaborar com a verdade e provar que não se beneficiou do dinheiro público. A maior demonstração disso é que ele quando precisou de cuidar da própria saúde e teve de recorrer à UPA, com estrutura precária tanto no momento do diagnóstico, quanto para tratamento de sua doença”, frisou Ticiano.

Depois do escândalo da Pandora, Rogério Ulysses saiu da política. Em dezembro de 2009, ele foi expulso do PSB. Depois, filiou-se ao PRTB, mas desde então nunca mais se elegeu. De lá para cá, a vida de Rogério mudou tanto que até os cabelos longos, uma marca de sua fisionomia na época da política, ele já não usa mais.



 


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