Erro médico contra vice-presidente do Iges foi start para prisão de jornalista no Piauí

A primeira matéria contra o cirurgião, publicada no portal do jornalista detido, foi sobre processo de Emanuela Ferraz contra o médico

atualizado 13/06/2020 21:58

Emanuela Ferraz Material cedido ao Metrópoles

A prisão do jornalista piauiense Arimatéia Azevedo, dono do Portal AZ, nessa sexta-feira (12/06), teve como start um erro médico praticado contra Emanuela Dourado Rebelo Ferraz (foto em destaque). Também nessa sexta, Emanuela, que é mulher do presidente do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), Ney Ferraz, foi nomeada vice-presidente do Instituto de Gestão Estratégica do DF (Iges-DF).

Suspeito de cobrar dinheiro do cirurgião plástico Alexandre Andrade Souza para não publicar notícias sobre erro em um procedimento estético, Arimatéia teria começado as chantagens após divulgar processo na Justiça de Emanuela contra o médico. A ação é pública.

A hoje vice-presidente do Iges-DF realizou uma cirurgia na mama e as informações são de que o médico esqueceu compressa dentro da paciente. Ela sofreu com dores e infecção até descobrir o que havia de errado.

Em novembro de 2019, Emanuela processou o médico, com ação que tramitou na 10ª Vara Cível de Brasília. Após negociação, em janeiro deste ano, Emanuela e o médico entraram em acordo e o processo foi arquivado.

Porém, mesmo com o acordo, a história foi publicada pela redação do Portal AZ, localizado em Teresina (PI), de onde Emanuela e Ney vieram com os filhos para assumirem cargos no Distrito Federal.

Apuração da polícia

De acordo com inquérito policial, as possíveis ameaças e chantagens do jornalista começaram quando outras pacientes ligaram no jornal e denunciaram o cirurgião plástico Alexandre Andrade Souza. O Grupo de Repressão ao Crime Organizado (Greco) da Polícia Civil do Piauí cumpriu mandados de busca e apreensão para investigar o suposto crime de extorsão e prendeu Arimatéia Azevedo.

Segundo informado aos policiais pelo médico, o jornalista estaria chantageando o cirurgião para não publicar os outros erros ocorridos em diferentes procedimentos.

O cirurgião disse à polícia que foi procurado pelo jornalista logo após uma primeira matéria ser publicada a respeito do processo de Emanuela.

Arimatéia teria exigido R$ 20 mil para interromper a veiculação das notícias. O médico chegou a pagar a primeira parcela, de R$ 10 mil, mas acionou a polícia antes de quitar o restante.

Além de Arimatéia, foi detido preventivamente o professor Francisco Barreto, da Universidade Estadual do Piauí. Ele, de acordo com os investigadores, recebeu o dinheiro do médico em nome do jornalista.

O presidente do Iprev-DF e a esposa dele foram procurados, mas não quiseram comentar o caso. O advogado do médico não foi localizado pela coluna.

Nomeação

No mesmo dia da prisão de Arimatéia, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), indicou Emanuela para ser diretora-vice-presidente do Iges-DF.

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