Desistência de Joaquim Barbosa enfraquece palanque de Rollemberg

Entusiasta da candidatura do ex-ministro ao Planalto, o governador terá que buscar alternativas para conquistar eleitores

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 08/05/2018 16:34

Defensor de primeira hora da candidatura de Joaquim Barbosa ao Planalto, o governador Rodrigo Rollemberg amarga o anúncio da desistência do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), feito na manhã desta terça-feira (8/5), pelo Twitter. Barbosa era a grande aposta do Partido Socialista Brasileiro (PSB) para sair das sombras e finalmente assumir a cabeça de uma chapa nacional nas eleições.

Para Rollemberg, ter a companhia de um presidenciável – com potencial para conquistar votos no Distrito Federal – nos palanques era um alento diante do afastamento de antigos aliados e das dificuldades para estabelecer alianças em um cenário de pouca popularidade com os eleitores há poucos meses do início da campanha eleitoral.

Na tarde desta terça-feira (8), em agenda no Palácio do Buriti, o governador disse que o jurista “fará falta”. “A gente tem que respeitar. É uma decisão de caráter individual. O Joaquim Barbosa é um brasileiro que reúne todas as condições para ser presidente da República. Ele comunica valores que a população brasileira quer ver na política, portanto, sem dúvida, fará falta”, declarou o chefe do Executivo local.

O governador, porém, tentou minimizar a perda. Segundo Rollemberg, o partido continua em busca de construir uma unidade no campo progressista. “O PSB vai trabalhar para construir uma aliança de forças políticas importantes para o país”, concluiu.

Barbosa anunciou que ficará de fora do pleito pelo Twitter. “Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, finalmente cheguei a uma conclusão. Não pretendo ser candidato a Presidente da República. Decisão estritamente pessoal”, escreveu o ministro aposentado.

No mês passado, uma pesquisa do Datafolha decepcionou os líderes socialistas. Barbosa foi incluído em todos os cenários testados e oscilou entre 8% e 10% das intenções de voto, desempenho melhor do que de outros presidenciáveis, mas aquém do que apostava a legenda. Mesmo assim, nomes de peso do PSB começaram a montar uma estrutura de campanha e a procurar aliados a fim de compor a chapa do ex-ministro, apesar de Barbosa nunca ter afirmado sua disposição a encarar o pleito.

Com Barbosa fora do páreo, o cenário para outubro pode favorecer outros candidatos ditos da esquerda. Marina Silva, da Rede, tem potencial para abocanhar parte dos eleitores que estavam convictos a apostar no ex-ministro. Outro com chances de herdar os votos de Barbosa é Ciro Gomes (PDT). O pedetista pode se aproveitar justamente daqueles que viam no ex-presidente da Corte Suprema um candidato de centro-esquerda.

Colaborou Isadora Teixeira

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Gabriella Furquim

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em redação, assessoria de imprensa e gestão de comunicação. Atua na área desde 2009. Integrou as equipes de reportagem e edição dos jornais Correio Braziliense e Aqui DF. Em 2014, coordenou a comunicação da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, Seção Defence for Children Brasil (Anced/ DCI Brasil), e do projeto internacional Red de Coaliciones Sur. De 2015 a 2017, foi assessora de imprensa do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

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