Adelmir Santana renuncia à presidência da Fecomércio-DF

Ex-senador estava no comando da entidade havia 17 anos. Decisão foi comunicada em reunião extraordinária nesta segunda-feira (7/1)

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 07/01/2019 20:16

O ex-senador Adelmir Santana renunciou, nesta segunda-feira (7/1), ao cargo de presidente da Federação do Comércio do Distrito Federal (Fecomércio-DF). Santana convocou uma reunião extraordinária da diretoria da entidade para comunicar a decisão de deixar o posto após 17 anos.

Francisco Maia, atual vice-presidente, assumirá por 30 dias, até a realização de novas eleições. Uma das primeiras missões do presidente interino será comunicar a decisão de Santana à Confederação Nacional do Comércio, Bens e Serviços (CNC), órgão gestor do Sistema S.

Em novembro de 2018, o ex-senador se desentendeu com a cúpula da CNC. A briga começou quando o diretor brasiliense resolveu testar seu nome e lançou uma chapa independente à presidência da confederação, contrariando o grupo da situação, ao qual ele também pertencia. Acabou derrotado por 24 votos a 4.

A iniciativa foi apontada por opositores de Santana como uma tentativa de politizar a entidade, acusação que o presidente da Fecomércio-DF rechaça. “Eu decidi apresentar uma alternativa para a CNC. Perdi, agora estou sendo perseguido. Querem atingir a minha reputação, pois sabem o quanto eu me preocupo e o quanto trabalhei para construí-la”, afirmou Santana à Grande Angular à época.

O ex-senador divulgou carta na qual faz um balanço de sua gestão, reconhece que está “há tempo na presidência do Sistema Fecomércio no DF” e diz que seu “objetivo de renovação foi frustrado com a derrota na CNC” (confira o texto abaixo).

Pouco depois do anúncio, dois nomes manifestaram interesse em participar da disputa pelo comando da Fecomércio-DF. São eles: Hélio Queiroz e Edson Castro. Os dois concordaram em compor uma chapa juntos. Logo depois, o presidente interino, Francisco Maia, deu início as articulações para colocar seu nome no pleito.

“Já não sou o novo”
Após o anúncio, em entrevista ao Metrópoles, Santana disse que deixa a entidade realizado. “Saio extremamente feliz. Mas preciso me afastar para que haja renovação. Eu já não sou o novo”, afirmou.

O ex-parlamentar de 74 anos disse que se afastará definitivamente da entidade e que não irá interferir na disputa pelo comando da Fecomércio. “Minha vida política se encerra hoje. Não tenho nenhuma pretensão na vida pública. Mas não vou me aposentar, continuarei trabalhando nas minhas empresas”, contou.

Confira a íntegra da carta:
Assumi a presidência da Fecomércio, do Sesc, do Senac e do Instituto Fecomércio no Distrito Federal há 17 anos. Desde então tenho feito, com a inestimável colaboração e apoio de diretores, conselheiros e colaboradores, o melhor que posso para fortalecer nossa entidade representativa e incrementar os relevantes serviços prestados, pelo Sesc e pelo Senac, aos trabalhadores do setor e aos brasilienses nas áreas da educação, da formação profissional, da cultura, do esporte e da assistência e proteção social.

Não vou apresentar aqui um relatório do que foi realizado por nossas sucessivas gestões desde 2001, pois não é o objetivo dessa reunião e não quero cansá-los. Vou ressaltar apenas alguns números que demonstram o quanto foi possível fazer pelo Sistema Fecomércio.

No Sesc, aumentamos os investimentos em 594 por cento e aumentamos a área construída em 666 por cento, nesses 17 anos. Todos os indicadores de desempenho demonstram enorme crescimento e ampliação dos serviços prestados pelo Sesc nesse período.

No Senac, ultrapassamos em 2018 a marca de mais de um milhão de alunos matriculados. A instituição oferece hoje mais de 300 cursos nos níveis básico, técnico e tecnológico. Nos últimos 17 anos, implantamos uma editora, quatro novas unidades físicas, uma faculdade, quatro restaurantes-escola e um programa de educação a distância.

No Instituto Fecomércio, nosso trabalho de integração entre empresa e escola serve hoje de modelo para outras federações. Desenvolvemos pesquisas que servem de suporte para os setores de comércio e serviços, oferecemos cursos para o empresariado e facilitamos o ingresso de jovens no mercado de trabalho.

E na Fecomércio, participamos efetivamente da criação de todos os órgãos ligados ao setor produtivo brasiliense. Por meio de um diálogo constante com representantes dos Três Poderes, foi possível criar planos de financiamento, regularizar comércios, instalar áreas de desenvolvimento e defender a geração de negócios e a desburocratização do Estado. Além disso, criamos câmaras setoriais para promover o turismo, projetos estruturantes e a tecnologia e a inovação. Elaboramos, inclusive, uma marca para Brasília e estudos para orientar sucessivos governos.

Posso dizer, com a consciência tranquila, que tenho cumprido as tarefas que me foram delegadas pelos sindicatos filiados ao longo desses anos. Os avanços são visíveis.

E, justamente por estar há tanto tempo à frente de nossas entidades no Distrito Federal e exercendo funções no conselho de representantes e na diretoria da Confederação Nacional do Comércio, é que tenho muita clareza quanto à necessidade de realizar uma profunda renovação no Sistema. É preciso renovar práticas, métodos e procedimentos para nos adequarmos aos tempos em que vivemos e desmontarmos a ofensiva contra o Sistema S.

As senhoras e senhores sabem que eu busquei ser um instrumento dessa imprescindível renovação na CNC. Foi para me qualificar para disputar a presidência da nossa Confederação que aceitei enfrentar mais uma reeleição, no ano passado. Como todos aqui sabem, estar presidindo uma federação é condição para disputar o posto na CNC.

Não vou analisar aqui os fatores e circunstâncias que levaram à derrota de minha candidatura e à inviabilização de minhas propostas para a CNC. Mas esperava poder realizar um processo de mudanças significativas também no nosso Sistema Fecomércio no Distrito Federal. Cheguei a tomar algumas primeiras medidas para possibilitar uma gestão ainda melhor do Sesc e do Senac, reduzir despesas, aumentar nossa produtividade e apresentar melhores resultados.

Reconheço que estou há tempo na presidência do Sistema Fecomércio no DF, e o meu objetivo de renovação desta diretoria foi frustrado pela derrota na CNC. Antevejo, neste que é declaradamente meu último mandato, dificuldades em promover mudanças no que entendo necessárias no Sistema. Assim, nada mais tenho a lhes oferecer.

Por isso anuncio que estou, neste momento, renunciando irreversivelmente aos cargos que exerço no Sistema Fecomércio. Estou certo de que as senhoras e senhores saberão dar continuidade à gestão e aos trabalhos e encontrarão os melhores caminhos para nossas entidades.

Saio com o sentimento da missão cumprida e de ter dado o melhor de mim para o Sistema. Tenho, porém, consciência dos limites a mim impostos e das minhas limitações para fazer o que considero necessário.

O momento é de renovar, e isso agora compete às senhoras e senhores.

Muito obrigado por tudo, e estou à disposição para, como empresário do setor, continuar a colaborar na defesa e fortalecimento de nosso Sistema e do importante trabalho que ele realiza em prol da sociedade.

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Caio Barbieri

Cursou jornalismo no Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Passou pelas redações do Correio Braziliense, Agência Brasil, Rádio Nacional e foi editor-adjunto da Tribuna do Brasil. Ocupou a assessoria especial no Ministério da Transparência e foi secretário-adjunto de Comunicação do GDF. Chefiou o relacionamento com a imprensa na Casa Civil, Vice-Governadoria, Secretaria de Habitação e na Secretaria de Turismo do DF. Fez consultoria para vários partidos, entidades sindicais e políticos da Câmara Legislativa e do Congresso Nacional. Assina a coluna Janela Indiscreta do Metrópoles e cobre os bastidores do poder em Brasília.

Gabriella Furquim

Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), com experiência em redação, assessoria de imprensa e gestão de comunicação. Atua na área desde 2009. Integrou as equipes de reportagem e edição dos jornais Correio Braziliense e Aqui DF. Em 2014, coordenou a comunicação da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente, Seção Defence for Children Brasil (Anced/ DCI Brasil), e do projeto internacional Red de Coaliciones Sur. De 2015 a 2017, foi assessora de imprensa do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg.

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