Transtorno de ansiedade: os animais também sofrem com a doença

Morder o próprio rabo, destruir objetos e chorar com frequência podem ser alguns dos sintomas

atualizado 25/08/2019 17:06

O transtorno de ansiedade é uma doença que aflige e acompanha muitas pessoas ao longo da vida. O Brasil é recordista, com mais de 18 milhões de pessoas que sofrem da doença, segundo a Organização Mundial de Saúde. Mas, você sabia que cães e gatos também estão sujeitos a desenvolverem a enfermidade, que ganhou força no século 21? De acordo com especialistas, existem vários fatores que podem levar os animais a desenvolverem o problema. Geralmente, estão associados ao ambiente, histórico familiar ou causas fisiológicas.

Além disso, a ansiedade em cães e gatos não é algo tão simples. Existem três tipos de transtornos: Síndrome de Ansiedade de Separação (SAS), Ansiedade Generalizada e a Ansiedade Focal. Algumas vezes, os pets apresentam comportamentos que indicam a possível presença desses transtornos, e os donos precisam estar atentos aos sinais.

Foi observando com atenção as atitudes de Paçoca que Micheline Ramalho percebeu que havia algo de errado com a cachorrinha. Abandonada em uma via movimentada da capital, a cadela foi resgatada há três meses.

Micheline percebeu que o animal tinha muitas marcas no rabo e nas patas. “No início, achei que eram pelo fato dela estar na rua, mas, com o tempo percebi que ela ficava nervosa com muita facilidade, assim, começava a se morder e tentar mutilar o próprio rabo”, relembra.

A tutora da Paçoca se preocupou com o quadro e levou a cachorrinha ao veterinário. Logo foi identificado a síndrome de ansiedade. “Hoje, ela toma florais pela manhã e foi castrada, mas continua com o mesmo comportamento. Não posso repreendê-la ou deixá-la presa que ela começa a se morder com muita força. É um bichinho muito carinhoso, mas todos os tratamentos têm sido sem sucesso”, desabafou.

Especializado em comportamento animal, o médico veterinário Zenildo Prazeres afirma que é necessário analisar primeiro o quadro clínico, para depois observar as questões comportamentais e mentais.

“O comportamento pode ter relação com alguma dor física que o animal sente. Por exemplo, ao morder muito o próprio rabo ele pode estar tentando amenizar alguma dor crônica na coluna. Exames são essenciais para diagnosticar o tratamento”, alerta.

Zenildo acrescenta que veterinários de algumas especialidades, como ortopedia e neurologia, são essenciais para fazer o check-up completo do animal para diagnosticar a razão das crises de ansiedade e o comportamento de automutilação.

Ele ressalta, ainda, que o ambiente em que o bichinho vive é um ponto determinante no comportamento e nas emoções do pet. “Muitos começam a se morder e correr atrás da cauda porque ficam presos em ambientes pequenos por muito tempo. Eles ficam estressados e ansiosos”, afirma.

O especialista orienta os donos a comprarem brinquedos estimulantes e levarem os animais para passear com mais frequência. “Além do tratamento medicamentoso e os acompanhamentos com especialistas, o animal precisa ter a participação e envolvimento dos donos. Isso é essencial para a melhora do quadro”, acrescenta.

Fique atento aos seguintes sinais: destruição da casa, latidos excessivos, defecar em local não apropriado, chorar com frequência, arranhar portas, lamber e morder as patas de maneira excessiva e inquietação. Percebeu algo errado? Hora de levar seu pet para uma consulta.

SOBRE O AUTOR
Zilá Motta

Graduanda em jornalismo no Centro Universitário Iesb, tem experiências como repórter e social media. Apaixonada pelo mundo pet, está atualmente como estagiária na coluna É o Bicho!

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