Fazer o Bem: tragédia convertida em amor no Instituto Doando Vida

Luciana e Henrique Andrade perderam a filha Rafaela e a neta Clara em um acidente. Para superar a tristeza, criaram uma ONG inspiradora

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 31/12/2019 14:32

O Instituto Doando Vida por Rafa e Clara é uma instituição sem fins lucrativos fundada por Luciana e Henrique Andrade com atuação na Cidade Estrutural. O prelúdio da história da ONG se deu com uma tragédia. O casal perdeu a filha Rafaela e a neta Clara em um acidente de carro fatal no Canadá, em 2013. Após dois anos estudando na América do Norte, a família, com passagem comprada para retornar ao Brasil, teve os sonhos interrompidos ao colidir o veículo em que estavam com outro automóvel.

Os pais de Rafaela converteram a dor em uma missão: ajudar o próximo. Hoje, o instituto educa crianças de 2 a 5 anos vindas de famílias em situação de extrema vulnerabilidade. A maioria dos pais trabalhava no extinto Lixão da Estrutural.

“O Instituto cuida de crianças de uma região muito carente do Distrito Federal, tanto da Estrutural como de Santa Luzia, uma invasão composta de quase 10 mil famílias de catadores de lixo e que tiravam de lá o seu sustento”, conta a vice-presidente do instituto.

Luciana recebeu a Coluna Claudia Meireles com grande carinho e contou com orgulho sobre o lugar que criou com o apoio do marido e de amigos.

Tragédia que virou amor

Em 24 de agosto de 2013, na véspera do retorno para o Brasil, o carro onde estavam colidiu com outro veículo durante uma viagem na província de Saskatchewan, no Centro-Oeste canadense. Rafaela e Clara não resistiram.

Luciana e Henrique viajaram até o Canadá assim que souberam do acidente. Mas, ao chegar ao país, foram comunicados que Rafaela havia falecido na hora do acidente e Clara, logo depois que chegou ao hospital.

Na viagem de volta, trazendo os corpos para o Brasil, o casal já falava sobre a abertura de uma creche, pois sua filha tinha o sonho de ajudar crianças que viviam próximas ao antigo Lixão, com foco na educação e nutrição delas. Essa vontade nasceu da época em que realizou trabalho voluntário na comunidade da Chácara Santa Luzia.

“Não pode ter sido em vão. A partida das duas tinha que ter tido algum sentido. Começamos a valorizar o sonho da Rafaela, e ele passou a ser o nosso também”, relata Luciana.

Um lugar agradável

Quando buscava por um endereço para começar o Instituto Doando Vida, uma das condições de Luciana era que fosse um ambiente muito mais bonito do que as crianças convivem diariamente. Um lugar arejado, com muitos brinquedos e um grande parquinho. Afinal, as crianças passariam cinco dias por semana ali, das 7h às 17h.

Foram três meses de procura. O prédio em que o Instituto Doando Vida funciona hoje é o antigo almoxarifado de uma construtora alugado pela ONG em 2017. O espaço foi reformado e completamente adaptado para a realidade da ONG. A construção é estruturada, limpa e colorida.

“Quando foi criado, queríamos que fosse próximo da comunidade do Lixão. Procuramos um lugar que estivesse dentro da lei e agradável para essas crianças. Um local com lama e barro elas já têm.”

Atendimento gratuito

O instituto atende gratuitamente 60 crianças que vivem em situação de extrema vulnerabilidade social e nutricional na região da Cidade Estrutural e da Chácara Santa Luzia, regiões carentes de infraestrutura. Os pequenos são escolhidas com base na renda familiar, condição nutricional e de risco.

No instituto, são oferecidas atividades pedagógicas e lúdicas. A nutrição é um dos seus pontos fortes. Todos os funcionários moram na Estrutural, fator que Luciana considera importante para que as pessoas que estão em contato com as crianças entendam sobre a realidade com que estão trabalhando.

“Os ingredientes que mais utilizamos com as crianças é o amor, o carinho e o abraço. É disso que elas precisam. Aqui, aprendem a cultura da paz”, enfatiza.

 Apoio às famílias
Todos os sábados, são oferecidos cursos para as famílias dos alunos. Os tópicos? Como agir em uma entrevista de emprego, português e matemática financeira, além de noções de higiene e de alimentação. Tudo isso para capacitá-los a terem melhores perspectivas de futuro.
“A grande maioria sofre um pouco com a falta de formação. Até procuram emprego,  mas sem formação é muito complicado. Buscamos ajudar a família nesse sentido”, elucida Luciana.

Doações à instituição
“Semeando hoje para florescer amanhã” é o lema da instituição. Ao longo do ano, os funcionários se envolvem com eventos, bazares e peregrina em busca de recursos para manter os trabalhos em pleno funcionamento, dando o apoio devido às famílias beneficiadas.
Os interessados em contribuir podem acessar o site do instituto para fazer doações pontuais ou recorrentes em dinheiro. Também é possível enviar donativos, como lenços de papel, sabonetes, mantas, lençóis infantis e materiais para a limpeza do ambiente. Toda ajuda é bem-vinda.

 

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SOBRE O AUTOR
Claudia Meireles

Acumula temporadas de estudos nos Estados Unidos, França e Inglaterra. Em Nova York, trabalhou no mercado de artes. Após uma década vivendo no Rio de Janeiro, onde atuou na Galeria Luciana Caravello, decidiu retornar a Brasília. Atualmente assina uma coluna social no portal Metrópoles.

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