Exclusivo: “Existe uma cobrança muito grande para a mulher”, diz Xuxa

No ar em Dancing Brasil, a apresentadora falou com a coluna sobre feminismo, vaidade, haters e a relação com Sasha

ReproduçãoReprodução

atualizado 14/07/2019 11:39

Rio de Janeiro – De bem com a vida. É com o trecho de uma de suas músicas mais famosas que Xuxa poderia definir sua atual fase. Do alto da maturidade proporcionada pelos 56 anos muito bem vividos, a apresentadora está com todo o gás para comandar, nos próximos meses, a quinta temporada do Dancing Brasil, na Rede Record.

Ao lado de Junno Andrade, namorado e parceiro de atração, a loira demonstra uma intimidade típica de casais felizes, que facilmente estamparia um contos de fadas moderno. Entretanto, ela prefere fugir do que é fake. Tem uma vida real, sem filtros ou armadilhas proporcionadas pela fama de quem está no ar desde a década de 1980 e já vendeu milhões de discos em todo o país.

Como qualquer ser humano, Xuxa tem inseguranças, mesmo sendo ícone de gerações brasileiras que cresceram com a gaúcha. Mas a apresentadora não se prende a elas. Foi assim ao raspar a cabeça e tingir os fios de branco. A mesma coragem foi necessária, anos atrás, para deixar a Rede Globo, onde trabalhou durante décadas, e partir rumo à Record, casa que a acolheu e na qual é vista atualmente.

Na expectativa pela chegada da filha, Sasha, que passará a segunda quinzena de julho em sua companhia, Xuxa comenta a ditadura da beleza, critica os haters da internet e indica qual é a forma mais fácil de alcançar a realização. Em entrevista exclusiva para a coluna, a artista reitera: “Acredito que temos de fazer o que quisermos, mesmo que isso incomode outras pessoas. O importante é ser feliz”.

Aos detalhes!

 

Que tal a experiência de ter seu namorado, Junno Andrade, ao seu lado na apresentação do Dancing Brasil?
Ao lado, atrás, na frente… (risos). A gente traz para o programa muito carinho e respeito do nosso relacionamento. Nós formamos um casal em que um sempre torce bastante pelo outro. Às vezes, eu brigo quando alguma coisa acontece, mas é por causa da intimidade grande entre nós. Independentemente do que seja, tenho certeza de que o Junno quer me ver brilhando, e eu sinto a mesma coisa em relação a ele.

Você participou diretamente da escolha dos participantes do programa?
A produção manda para mim uma lista das pessoas que eles estão pensando em convidar para ver se eu tenho algo contra.

Nessas cinco temporadas, apenas uma vez – e não adianta me perguntar, porque nem me lembro qual foi – eu disse “essa pessoa não’, por causa de uma situação que havia acontecido comigo. Normalmente não digo “põe essa pessoa” ou “tira essa pessoa”. Não faço isso.

Você costuma sair para dançar com o Junno?
Não saímos para fazer isso. A nossa “dança” é outra… (risos)

E o cabelo, vai deixar bem curto mesmo?
Deixei crescer um pouquinho. Já usei preto e agora pintei de branco porque queria ter a possibilidade de mudar de cor em algum momento. Então, queria ver se o cabelo aguentava ou se eu ficaria careca. Como já vi que ele aguenta uma tinta, pode ser que eu mude de cor no decorrer do programa.

 

Com 56 anos, caminhando para os 60, as pessoas costumam falar bastante sobre sua idade. Você acha que elas dariam a mesma importância a isso se você fosse homem?
Acho que não. Na nossa sociedade, infelizmente, enxergamos o homem cada vez mais bonito e melhor conforme fica mais maduro. Cabelo branco para o homem é legal, envelhecer é bacana. Para a mulher, existe uma cobrança muito grande.

Mas não é uma postura dos homens. Não são eles que dizem isso. Todos nós fomos acostumados desse jeito. As mulheres têm que estar sempre bem-arrumadas, pintar o cabelo para esconder os fios brancos e não darem a impressão de que estão envelhecendo.

Qual é sua visão a respeito?
Eu acredito que temos de fazer o que quisermos, mesmo que isso incomode outras pessoas. O importante é ser feliz. Acho errado as pessoas levantarem uma bandeira, como a do feminismo. Penso o seguinte: quem quiser ter cabelinho embaixo do braço, que tenha. Quem quiser ter cabelo branco, que tenha. Se quiser ter o cabelo preto, que pinte. Só não acho legal ter uma cobrança quanto a isso.

E você vê muito isso atualmente?
Nas mídias sociais, vemos que as pessoas estão muito amargas e desrespeitosas. Xingam as outras livremente. Quando apareço sem maquiagem, dizem: “Nossa! Como você está velha!”, “E esse cabelo, não vai ter mais jeito não? Não vai deixar crescer?”. São coisas absurdas.

Fico imaginando essa gente escrevendo do outro lado da tela, colocando todo o ódio em cima de uma coisa que, para mim, está fazendo muito bem. A minha vontade e a dos outros devem ser sempre respeitadas. As pessoas estão machucando muito as outras: se está gorda, magra, velha, usando cabelo curto… Querem que estejam do jeito que elas desejam.

O que acha do grande número de cirurgias plásticas feito atualmente?
Eu não concordo com alguns exageros que as mulheres estão fazendo, com essas deformidades que aparecem em algumas pessoas. Mas é minha opinião. Se aquela pessoa que colocou algo no rosto ou no corpo se sente feliz, quero mais é que ela se sinta assim pelo resto da vida.

Reprodução/ Instagram

E a Sasha, o que você tem a falar sobre ela?
Ela é linda, linda, linda! Por dentro e por fora.

Como está a relação, já que você vive no Rio de Janeiro e a Sasha em Nova York?
Já é assim há quatro anos! É o último ano dela lá. Foi passear um pouco na Áustria e daqui a alguns dias vem para o Brasil para passar parte das férias comigo, já que as aulas recomeçam em agosto. Vai passar o aniversário de 21 anos comigo, que será dia 28 de julho.

A sorte é que temos as facilidades proporcionadas pelo telefone e podemos nos ver, conversar. Senão, seria realmente muito difícil. Nem sempre eu posso ir aos Estados Unidos nem ela vir ao Brasil por causa das agendas.

Mas de vez em quando vocês se veem, não?
Quando posso, eu vou. É tão bom cozinhar para ela, fazer comidinha, brincar de casinha, cuidar da minha filha. Por mais que ela esteja grande, quando tem uma dor de barriga, ela diz: “Mãe, queria tanto você aqui, porque acho que comi alguma coisa ruim!”. Dá vontade de me teletransportar para lá. Pena que ainda não inventaram isso.

A Sasha é tranquila?
Ela não me dá muito trabalho, não dá problemas. Parece até que é a pessoa que deveria realmente vir para mim, já arrumadinha, do jeito que eu queria. Ela é um amor. As pessoas dizem “você deu uma boa educação para a Sasha” e respondo que não, que ela já veio assim.

Na verdade, acho que “estraguei” ela um pouquinho, porque mimava muito. Mas se eu mimava os filhos dos outros, por que não faria o mesmo com a minha? (risos)

 

Para saber mais, siga o perfil da coluna no Instagram.

SOBRE OS AUTORES
Marcelo Nobre

Formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), começou a trabalhar com jornalismo na Editora Símbolo, em 2002, como repórter e redator. Ao longo de mais de 15 anos de atuação como jornalista, fez trabalhos para editoras como Ediouro, Escala e OnLine, escrevendo, editando e revisando mais de 100 mil textos para revistas, livros, jornais e sites. É sócio-proprietário da Novel Editora.

Marcos Maynart

Formado pelo Instituto Metodista, em São Paulo, há mais de 35 anos vivencia o universo das artes e do entretenimento. Sua carreira foi trilhada em redações como as da TV Manchete, Abril, Ediouro, Símbolo e Novel, da qual é sócio. Participou da criação e edição de dezenas de revistas, como Contigo, Cabelos & Cia, Chiques & Famosos, Tititi, Supernovelas e Tua.

Últimas notícias