Bolsonaro posta “João 8:32” após reviravolta sobre caso Marielle

Presidente compartilhou no Twitter a informação de que o porteiro do condomínio que o citou mentiu em depoimento à polícia

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 30/10/2019 18:16

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) postou uma citação bíblica em sua conta no Twitter, na tarde desta quarta-feira (30/10/2019), após uma reviravolta no caso Marielle. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou, em coletiva de imprensa, que o porteiro que citou o nome de Bolsonaro na investigação mentiu no depoimento à Polícia Civil.

Na publicação, Bolsonaro incluiu parte de uma matéria jornalística que noticia o fato. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará! João 8:30”, escreveu o presidente. O versículo já foi usado diversas vezes pelo chefe do Executivo, sobretudo para confrontar a imprensa. 

Uma reportagem exibida na noite dessa terça-feira (29/10/2019) pelo Jornal Nacional, da TV Globo, revela que o condomínio onde Bolsonaro tem um imóvel no Rio de Janeiro foi visitado pelo ex-policial militar Élcio Queiroz – preso acusado de ser um dos matadores da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes –, em 14 de março de 2018, dia da execução, quando o hoje presidente era deputado federal.

“Seu Jair”
Segundo a reportagem, Élcio teria conseguido a liberação para entrar no local ao pedir que o porteiro interfonasse para a casa 58, de propriedade do então deputado federal e hoje presidente da República. O destino, no entanto, foi o imóvel de número 66, onde morava o PM reformado Ronnie Lessa, outro preso acusado pelo crime.

O porteiro disse à polícia que, pelo interfone, falou com uma pessoa que ele reconheceu como sendo “seu Jair”, mas Bolsonaro estava na Câmara dos Deputados no dia, conforme registros biométricos.

Nesta manhã, o filho Carlos, vereador no Rio de Janeiro, divulgou áudios que teriam sido resgatados na portaria do condomínio contestando a versão do depoimento.

SOBRE O AUTOR
Manoela Albuquerque

Formada em jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo no ano de 2016, com passagem pela Universidade do Porto, em Portugal. Foi repórter por dois anos no G1 Espírito Santo e participou de projetos como o Monitor da Violência, premiado no Data Journalism Awards 2018. É uma das vencedoras do 35º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo e do VII Prêmio República.

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