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Bem, amigos torcedores, nada como um dia após o outro, não é mesmo?

Nesses dias em que respiramos Copa do Mundo só se fala de uma coisa…

(Não, não é a boa campanha do Brasil que está na boca do povo, com três vitórias e um empate até agora no Mundial, com 7 gols marcados e um sofrido – 7 x 1 parcelado porque mais brasileiro, impossível –, nem a eliminação precoce de Alemanha, Argentina, Espanha e Portugal, por exemplo. Muito menos a beleza e alegria dessa gente bronzeada que mostra seu valor nas ruas e arquibancadas russas. Ou, por fim, o fim que levou os brasileiros flagrados em vídeos machistas e racistas – não passarão!)

Só se fala – sente aí na cadeira, visse, pra não se assustar – do dia em, no longínquo ano da graça de 2012, o atual técnico da Seleção Brasileira, Tite, criticou Neymar (sim, Neymar) por simular contusões e tentar provocar advertência ou expulsão de um jogador adversário.

Sim, o bom e velho Adenor (cuja alcunha é Tite) ficou irritado, e muito, com o atacante depois da derrota para o Santos por 3 x 2, pelo Campeonato Brasileiro. A heresia – afinal, hoje em dia, Neymar é o xodó do treinador – ocorreu em um 19 de agosto. Indignado, o treinador falou que o jogador gostava de simular situações. Na época, o atacante tinha 20 anos.

Abre aspas:

“No jogo da Libertadores, o Emerson deu um carrinho imprudente e foi expulso. O Neymar caiu e rolou e quando o Emerson foi expulso, ele levantou e estava bom. Perder ou ganhar é do jogo, mas simular uma situação para levar vantagem não é. É mau exemplo para o garoto que está crescendo, para o meu filho"
Tite, então técnico do Corinthians e atual treinador da Seleção Brasileira

Fecha aspas.

Parece que foi no milênio passado, não é?, mas foi ali, em 2012. E, hoje, o mundo do futebol discute a postura cai-cai de Neymar, analisando se ele aprendeu a atuar no Actor’s Studio, no Tablado, na Escola Wolf Maia ou se o jogador-ator utiliza o método Stanislavski.

Na segunda partida do Brasil na Copa do Mundo – a vitória por 2 x 0 sobre a Costa Rica –, por exemplo, ele sofreu um leve puxão e se jogou como se não houvesse amanhã (ou juiz em campo, ou árbitro de vídeo fora dele), tentando cavar um pênalti. No terceiro jogo, vitória de 2 x 0 sobre a Sérvia, ele recebeu um encontrão de um defensor adversário e saiu rolando para fora do gramado, o que gerou os melhores memes da Copa (até hoje, a gente pode ver o Neymar rolando por aí). E, na vitória sobre o México, também por 2 x 0, a polêmica veio no lance em que tomou um pisão de Layún e em que também saltou no ar, se contorcendo (de dor?).

Saltos exagerados 
Os saltos exagerados no ar levaram a críticas dos atletas mexicanos, do próprio Layún, do técnico Juan Carlos Osório, de um ator que trabalhou nos filmes de Harry Potter (dê um Google, please), da imprensa norte-americana, da imprensa inglesa, da imprensa argentina, da imprensa de mundo e meio. Tite, óbvio, o comandante da Seleção Brasileira, defendeu o atacante, parecendo esquecer ou perdoar o não tão longínquo ano de 2012, quando condenou a postura do jogador.

E observem que, no mesmo jogo, Tite também havia se irritado com um pisão de Neymar no lateral-direito corintiano Guilherme Andrade. “O Guilherme foi pisado por ele. Quantos jogos nós fizemos contra eles e que nível de lealdade teve o Corinthians?”, perguntou, mais do que irritado.

O tempo passa, o tempo voa, não é, Adenor?

Ainda bem. Oremos.



 


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