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Apuração pelo Brasil

Ciência

Vida selvagem na América Latina despenca 95% desde 1970, alerta WWF

Segundo relatório, produção de alimentos é a maior causa de perda de biodiversidade em todo o mundo

08/10/2026 02:28
Getty Images
Foto de cardume de peixes migratórios

A América Latina e o Caribe registraram uma perda de 95% da biodiversidade entre as populações monitoradas de vertebrados (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios) entre 1970 e 2022. A conclusão é do relatório Planeta Vivo 2026, do Fundo Mundial para a Natureza ( WWF ), divulgado nesta quarta-feira (7/10).

Foram monitoradas 4.737 populações de 1.405 espécies.

Em todo o mundo, a queda foi de 73%. Por continentes, a América Latina foi onde foram registrados os piores índices, seguida pela África (-80%), Ásia e Pacífico (-49%), América do Norte (-28%) e Europa e Ásia Central (-23%).

A principal causa da perda da biodiversidade é atribuída ao sistema atual de produção de alimentos e agricultura. Segundo o documento, a conversão de florestas, campos nativos e áreas úmidas para a expansão agrícola permanente é o maior vetor de degradação dos ecossistemas terrestres. Além de liderar a destruição de habitats, o sistema global de alimentos responde por cerca de 30% de todas as emissões de gases de efeito estufa.

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A América Latina abriga seis dos sete países megadiversos das Américas (áreas de altíssima riqueza biológica e presença de espécies endêmicas).

  • Anfíbios: é o grupo mais severamente afetado pela combinação entre mudanças climáticas e doenças
  • Peixes: registram fortes quedas populacionais provocadas pela perda e degradação de habitat e pela superexploração (pesca predatória)
  • Mamíferos e Aves: sofrem reduções expressivas causadas principalmente pela conversão de florestas, campos nativos e áreas úmidas em áreas agrícolas e de pastagem, somada à superexploração
  • Répteis: apresentam declínios impulsionados predominantemente pela destruição e fragmentação de ecossistemas terrestres e aquáticos, além da captura e caça

O relatório destaca a Moratória da Soja no Brasil como uma das intervenções de cadeia de suprimentos mais bem-sucedidas do mundo. O acordo reduziu a conversão direta de floresta para cultivo de soja de 30% para 2% em uma década.

A Moratória da Soja é um acordo privado e voluntário criado em 2006 entre empresas compradoras de grãos, ONGs e o governo para proibir a compra de soja cultivada em áreas desmatadas no bioma Amazônia.

O Tropical Forest Forever Facility também é citado como bom exemplo. O Brasil é um dos fundadores da coalização, que é um modelo de ação internacional ágil para remunerar anualmente os países que mantêm suas florestas tropicais em pé.