Vazamento de óleo de navio da 2ª Guerra ameaça ilhas da Micronésia
Navio afundado em 1944 começou a liberar óleo tóxico na Lagoa Chuuk, levando o país a declarar estado de emergência ambiental
atualizado
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O governo dos Estados Federados da Micronésia declarou estado de emergência ambiental após a descoberta de um vazamento de óleo na Lagoa Chuuk, um dos maiores cemitérios de navios da Segunda Guerra Mundial.
O óleo escapa do navio japonês Rio de Janeiro Maru, afundado em 1944, e já se espalhou por ilhas próximas, ameaçando ecossistemas marinhos e comunidades locais que dependem da pesca para subsistência.
Durante discurso na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Wesley Simina alertou para a gravidade da situação e pediu ajuda internacional urgente.
Segundo ele, o país não tem estrutura para enfrentar sozinho um desastre dessa proporção. “Esses resquícios de guerra agora ameaçam nossas pescarias, nossas comunidades e nossos meios de vida. Precisamos de solidariedade global”, afirmou.
Lagoa com passado de guerra agora vive nova ameaça
A Lagoa de Chuuk, conhecida por suas águas cristalinas e recifes de corais, foi cenário de uma ofensiva dos Estados Unidos contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Na operação militar, mais de 50 navios foram afundados, transformando o local em um dos maiores cemitérios subaquáticos do mundo.
Atualmente, esses destroços preocupam especialistas. O óleo que vaza do Rio de Janeiro Maru contém substâncias tóxicas capazes de contaminar recifes e intoxicar peixes e mariscos, afetando diretamente o abastecimento alimentar das comunidades.
Autoridades locais alertam também para o risco de gases perigosos e pedem que moradores evitem contato com a água em áreas afetadas.
Risco se repete em outros naufrágios
O Programa Regional do Meio Ambiente do Pacífico (SPREP) identificou, em 2022, mais de 1.200 naufrágios com risco de liberar poluentes no Oceano Pacífico. Muitos deles estão concentrados na Lagoa de Chuuk e, após décadas de corrosão, podem vazar óleo e produtos químicos a qualquer momento.
O governador de Chuuk, Alexander Narruhn, reforçou o pedido de auxílio a países como Estados Unidos e Japão para conter o vazamento e realizar avaliações de risco em outros destroços. A ONU também mobiliza equipes técnicas para auxiliar na contenção e no monitoramento da contaminação.
Especialistas alertam que os impactos podem ser duradouros, comprometendo o turismo e a pesca, pilares econômicos da região. Para Simina, o episódio evidencia a urgência de ações globais contra os legados tóxicos da guerra e a vulnerabilidade das ilhas diante da crise climática.
“Não é apenas uma questão ambiental, mas também de justiça histórica e sobrevivência das nossas comunidades”, disse o presidente.
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