Vacas conseguem reconhecer rostos de pessoas familiares, aponta estudo
Além de reconhecerem rostos familiares, pesquisadores concluíram que as vacas também conseguem distinguir as vozes de humanos
atualizado
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Apesar de não terem inteligência humana, as vacas podem criar apreço pelas pessoas do seu convívio. De acordo com um trabalho recente, os mamíferos têm capacidade de reconhecer rostos humanos familiares, associá-los a sua voz correspondente e até mesmo diferenciar se a pessoa é conhecida ou não pelo animal.
A capacidade cognitiva das vacas é reconhecidamente notável, mas a nova pesquisa foi capaz de provar como os bichos se utilizam dela na prática. A descoberta reforça também a necessidade do uso de práticas agrícolas para a promoção de relações positivas entre humanos e os animais.
O trabalho foi liderado pelo pesquisador Océane Amichaud, do Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente (INRAE), na França. Os resultados do estudo estão disponíveis na revista PLOS One desde essa terça-feira (20/5).
Além de reconhecimento facial, vacas associam vozes
A fim de testar a inteligência das vacas, foram usados 32 exemplares da raça Prim’ Holstein. Aos animais, foram mostrados vídeos sem som de rostos masculinos conhecidos e desconhecidos com o objetivo de medir por quanto tempo os bichos olhavam para a imagem. Em outra tarefa, o registro das faces eram exibidos com o áudio correspondente à voz de apenas um dos homens. A frequência cardíaca delas foi medida para avaliar se havia alguma resposta emocional no processo.
Durante os vídeos silenciosos, o olhar das vacas teve o foco maior para os rostos desconhecidos – para os pesquisadores, trata-se de um indicativo que elas conseguem distinguir faces conhecidas de outras não tão familiares assim.
Outro achado ocorreu durante as imagens com som: as vacas ficaram mais tempo observando o vídeo que tinha a voz corresponde ao rosto, sugerindo que elas têm a capacidade de fazer a associação corretamente. Em nenhuma das tarefas, os batimentos cardíacos se mostraram alterados.
Segundo os pesquisadores, apesar dos resultados promissores, as tarefas feitas pelas vacas no estudo não representam uma interação completa entre o animal e o ser humano. Para que os achados sejam de fato confirmados, eles sugerem que mais estudos devem ser realizados a fim de testar a inteligência dos mamíferos.
“Com base nesses resultados, pesquisas futuras devem explorar se as vacas conseguem ajustar seu comportamento dependendo da pessoa com quem estão interagindo – uma capacidade que pode refletir sua autonomia nas relações humano-animal”, concluem os autores no estudo.