Transmissão de doenças por animais exige compatibilidade com humanos
Transmissão depende do microrganismo, do contato e do ambiente que aproxima animais e pessoas

As zoonoses fazem parte do dia a dia da saúde pública e incluem doenças transmitidas de animais para humanos, como dengue, leptospirose e raiva. Elas podem surgir em diferentes contextos, da cidade ao meio rural, e envolvem uma variedade de espécies. Mas por que apenas alguns animais conseguem transmitir doenças para pessoas enquanto outros não?
A transmissão de doenças entre animais e humanos não acontece de forma automática. Para que isso ocorra, o microrganismo precisa conseguir infectar ambos e encontrar condições favoráveis para circular.
“A capacidade de um animal participar da transmissão depende da interação entre o agente infeccioso, o animal, as pessoas e o ambiente”, explica a médica-veterinária Manuella Rodrigues de Souza Mello, professora do Centro Universitário (UNICEPLAC).
O biólogo Guilherme Bordignon Ceolin, da Universidade Federal de Santa Maria, reforça que há um ponto central nesse processo. “Deve haver uma compatibilidade do agente transmissor com o organismo dos animais e dos humanos para que o patógeno consiga infectar os dois”, destaca.
Por que alguns animais transmitem mais doenças do que outros?
Mosquitos e roedores são exemplos de vetores eficientes porque reúnem características que facilitam essa transmissão. No caso dos mosquitos, o hábito de se alimentar de sangue e a capacidade de se deslocar por diferentes áreas aumentam o contato com humanos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Os mosquitos são eficientes porque voam longas distâncias e sugam sangue, que é um meio muito eficiente de propagar patógenos”, esclarece Ceolin.
Já os roedores convivem há muito tempo próximos às pessoas, o que aumenta as oportunidades de exposição. “Eles têm fisiologia relativamente próxima à dos humanos e contato frequente com saliva, urina e fezes, que podem estar contaminados”, completa.
Ambiente e convivência influenciam
O ambiente tem papel importante nesse processo, já que pode favorecer a presença desses animais e aumentar o contato com humanos. Em áreas urbanas, por exemplo, lixo acumulado, água parada e restos de alimento criam condições para a proliferação de vetores.
“No ambiente urbano, lixo, água parada e edificações favorecem mosquitos e roedores. Já no meio rural e em áreas periurbanas, há sobreposição de diferentes espécies”, explica a médica-veterinária.
Além disso, mudanças ambientais também influenciam. O desmatamento e as alterações climáticas podem aproximar animais silvestres das pessoas e aumentar a circulação de doenças.
“A convivência próxima aumenta a chance de que patógenos se tornem compatíveis com humanos. Mudanças ambientais também favorecem a expansão de vetores”, afirma Ceolin.
Risco para a saúde pública
A circulação dessas doenças pode gerar desde casos isolados até surtos e epidemias. Isso afeta diretamente o sistema de saúde e a rotina da população.
“O risco mais imediato é a ocorrência de epidemias, como já vimos com doenças transmitidas por mosquitos e roedores”, diz o biólogo.
A prevenção envolve um conjunto de medidas, que incluem vacinação quando disponível, controle de vetores, saneamento e manejo adequado de resíduos.
“São ações que dependem tanto do poder público quanto da população para reduzir as condições que favorecem a circulação de agentes infecciosos”, finaliza Manuella.



