Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Ciência

Transmissão de doenças por animais exige compatibilidade com humanos

Transmissão depende do microrganismo, do contato e do ambiente que aproxima animais e pessoas

04/10/2026 02:00
Joao Paulo Burini/Getty Images
Mosquito vetor de doenças tropicais que pica a pele humana e suga sangue, conhecido transmissor de chikungunya, dengue e febre amarela - Vacina da dengue do Butantan protege por 5 anos, diz novo estudo - Metrópoles

As zoonoses fazem parte do dia a dia da saúde pública e incluem doenças transmitidas de animais para humanos, como dengue, leptospirose e raiva. Elas podem surgir em diferentes contextos, da cidade ao meio rural, e envolvem uma variedade de espécies. Mas por que apenas alguns animais conseguem transmitir doenças para pessoas enquanto outros não?

A transmissão de doenças entre animais e humanos não acontece de forma automática. Para que isso ocorra, o microrganismo precisa conseguir infectar ambos e encontrar condições favoráveis para circular.

“A capacidade de um animal participar da transmissão depende da interação entre o agente infeccioso, o animal, as pessoas e o ambiente”, explica a médica-veterinária Manuella Rodrigues de Souza Mello, professora do Centro Universitário (UNICEPLAC).

O biólogo Guilherme Bordignon Ceolin, da Universidade Federal de Santa Maria, reforça que há um ponto central nesse processo. “Deve haver uma compatibilidade do agente transmissor com o organismo dos animais e dos humanos para que o patógeno consiga infectar os dois”, destaca.

Por que alguns animais transmitem mais doenças do que outros?

Mosquitos e roedores são exemplos de vetores eficientes porque reúnem características que facilitam essa transmissão. No caso dos mosquitos, o hábito de se alimentar de sangue e a capacidade de se deslocar por diferentes áreas aumentam o contato com humanos.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Os mosquitos são eficientes porque voam longas distâncias e sugam sangue, que é um meio muito eficiente de propagar patógenos”, esclarece Ceolin.

Já os roedores convivem há muito tempo próximos às pessoas, o que aumenta as oportunidades de exposição. “Eles têm fisiologia relativamente próxima à dos humanos e contato frequente com saliva, urina e fezes, que podem estar contaminados”, completa.

Ambiente e convivência influenciam

O ambiente tem papel importante nesse processo, já que pode favorecer a presença desses animais e aumentar o contato com humanos. Em áreas urbanas, por exemplo, lixo acumulado, água parada e restos de alimento criam condições para a proliferação de vetores.

“No ambiente urbano, lixo, água parada e edificações favorecem mosquitos e roedores. Já no meio rural e em áreas periurbanas, há sobreposição de diferentes espécies”, explica a médica-veterinária.

Além disso, mudanças ambientais também influenciam. O desmatamento e as alterações climáticas podem aproximar animais silvestres das pessoas e aumentar a circulação de doenças.

“A convivência próxima aumenta a chance de que patógenos se tornem compatíveis com humanos. Mudanças ambientais também favorecem a expansão de vetores”, afirma Ceolin.

Risco para a saúde pública

A circulação dessas doenças pode gerar desde casos isolados até surtos e epidemias. Isso afeta diretamente o sistema de saúde e a rotina da população.

“O risco mais imediato é a ocorrência de epidemias, como já vimos com doenças transmitidas por mosquitos e roedores”, diz o biólogo.

A prevenção envolve um conjunto de medidas, que incluem vacinação quando disponível, controle de vetores, saneamento e manejo adequado de resíduos.

“São ações que dependem tanto do poder público quanto da população para reduzir as condições que favorecem a circulação de agentes infecciosos”, finaliza Manuella.