Terra pode escapar de ser destruída na morte do Sol, sugere estudo
Modelos indicam que o planeta pode escapar da expansão do Sol daqui a bilhões de anos, enquanto Mercúrio e Vênus seriam engolidos

Durante décadas, cientistas acreditaram que a Terra seria inevitavelmente engolida quando o Sol chegasse ao fim de sua vida. Agora, um novo estudo indica que o desfecho pode ser diferente. Segundo pesquisadores, existe a possibilidade de o planeta escapar da expansão da estrela e continuar existindo, embora completamente transformado.
A pesquisa foi publicada na revista Astronomy & Astrophysics em 19 de junho e combina novos modelos matemáticos com observações de uma estrela parecida com o Sol que já está em uma fase mais avançada de sua evolução.
Os resultados ainda não encerram a discussão, mas sugerem que a sobrevivência da Terra pode ser mais provável do que se imaginava.
Por que a Terra correria esse risco?
Daqui a cerca de 5 bilhões de anos, o Sol ficará sem o combustível que mantém seu brilho atual. Nessa fase, ele começará a crescer até se transformar em um gigante vermelho.
Durante muito tempo, a principal hipótese era que esse aumento de tamanho faria a estrela engolir os planetas mais próximos, incluindo a Terra. O novo estudo, porém, mostra que outro fenômeno pode mudar esse cenário.
Como a Terra poderia escapar
À medida que envelhece, o Sol não apenas aumenta de tamanho. Ele também começa a perder parte de sua massa. Quando isso acontece, sua força gravitacional diminui e os planetas tendem a se afastar. Segundo os pesquisadores, se esse afastamento for suficiente, a Terra poderá escapar da região alcançada pela expansão do Sol.
O futuro do planeta dependeria justamente da disputa entre esses dois processos. Se a expansão da estrela for mais intensa, a Terra será destruída. Se a perda de massa prevalecer, o planeta poderá sobreviver em uma órbita mais distante.
Mercúrio e Vênus não teriam a mesma sorte
Mesmo no cenário mais otimista, os modelos indicam que Mercúrio e Vênus deverão ser engolidos pelo Sol. Já a Terra ficaria logo além do limite máximo atingido pela estrela, escapando por uma margem considerada pequena pelos pesquisadores.
Apesar disso, os autores ressaltam que ainda não é possível afirmar qual será o desfecho. A principal incerteza é quanto de massa o Sol realmente perderá durante essa fase.
Para testar essa hipótese, os cientistas usaram observações de uma estrela localizada a cerca de 200 anos-luz da Terra que apresenta características semelhantes às que o Sol deverá ter no futuro.
Novas missões espaciais, como a PLATO, da Agência Espacial Europeia, devem observar estrelas semelhantes ao Sol em diferentes fases da evolução. Essas informações poderão refinar os modelos usados pelos cientistas e indicar com mais precisão se a Terra realmente conseguirá escapar da expansão da nossa estrela.


