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Ciência

Tamanduá-bandeira ajuda a manter equilíbrio ambiental ao consumir insetos

Espécie consome formigas e cupins, influencia o solo e depende de áreas preservadas para manter o equilíbrio ambiental no Brasil

05/09/2026 02:00
Nareeta Martin/Unsplash
Tamanduá-bandeira andando no pantanal, no Brasil. Metrópoles

O tamanduá-bandeira chama atenção pelo corpo alongado, pelas garras grandes e pela língua comprida. Espécie nativa do Brasil, é um dos animais mais conhecidos da fauna. Por trás da aparência incomum, ele tem um papel direto no funcionamento dos ambientes onde vive.

O mamífero atua como predador especializado de formigas e cupins, o que o coloca no centro das relações naturais entre espécies. Ao se alimentar desses insetos, participa da dinâmica do ambiente e ajuda a manter essas populações em níveis que não prejudiquem o solo e a vegetação.

“O tamanduá-bandeira tem uma função ecológica importante porque participa das relações de predação e ajuda a manter a dinâmica das comunidades”, explica o médico veterinário Fernando Resende, professor do Centro Universitário de Brasília (UNICEPLAC).

Alimentação e impacto no ambiente

A dieta do tamanduá-bandeira é baseada quase totalmente em insetos sociais. Para isso, o corpo é adaptado a esse tipo de alimentação. Ele não tem dentes, mas usa garras fortes para abrir formigueiros e cupinzeiros e uma língua longa e pegajosa para capturar o alimento.

O professor André Faria Mendonça, do departamento de ecologia, da Universidade de Brasília (UnB), destaca que o animal passa pouco tempo em cada ninho. “Ele come rapidamente e segue para outro local, o que evita que destrua completamente as colônias”, esclarece.

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Mesmo consumindo grandes quantidades de insetos, o efeito não é de eliminação dessas populações. “É um predador importante, mas a quantidade de formigas e cupins depende de vários fatores, como clima e características do ambiente”, completa.

A zoóloga Ana Cristina Mendes de Oliveira, professora do Laboratório de Ecologia e Zoologia de Vertebrados da Universidade Federal do Pará (UFPA), aponta que esse comportamento também contribui para o equilíbrio do solo.

“O tamanduá tem uma função de regulação dessas colônias e participa da dinâmica dos ecossistemas, evitando que cresçam de forma descontrolada”, diz. Além disso, ao circular por diferentes áreas em busca de alimento, o animal interage com vários pontos do ambiente, o que amplia seu papel ecológico.

Onde vive e como se comporta

O tamanduá-bandeira é solitário e pode ter atividade tanto durante o dia quanto à noite. Costuma ser visto em dupla apenas em períodos de reprodução ou quando a fêmea está com o filhote. A espécie ocorre em diferentes regiões do país, ocupando desde áreas abertas até florestas. Apesar dessa distribuição ampla, depende de áreas extensas e preservadas para sobreviver.

“Estamos falando de um grande mamífero que precisa de diferentes tipos de vegetação e espaços grandes. Proteger o tamanduá também significa preservar esses ambientes”, afirma Resende.

Dados do ICMBio indicam que a espécie já desapareceu de algumas regiões e apresenta redução em outras. Hoje, é classificada como vulnerável à extinção no Brasil.

Ameaças e risco de desaparecimento

A perda de habitat está entre os fatores que mais afetam a espécie. A expansão da agricultura, a construção de estradas e os incêndios reduzem e fragmentam as áreas naturais. Com menos espaço contínuo, os animais precisam atravessar rodovias com mais frequência e têm mais dificuldade para se deslocar. Como o tamanduá percorre grandes distâncias, fica mais exposto a esses riscos.

Outro fator é o ritmo de reprodução. “Geralmente nasce apenas um filhote por gestação, com um período longo de cuidado materno, o que dificulta a reposição da população”, explica Resende.

A redução desses animais em algumas regiões também indica mudanças no próprio ambiente. A ausência do tamanduá sugere que outras espécies podem estar enfrentando os mesmos impactos, como a perda e a fragmentação de habitat. Nesse contexto, Mendonça chama atenção para um ponto que vai além do papel do animal no ecossistema.

“Não podemos justificar a proteção de uma espécie apenas pela utilidade. Temos uma obrigação ética de evitar a extinção”, finaliza.