Proliferação de satélites atrapalhará 96% das imagens de telescópios

Segundo novo estudo, no ritmo atual, o aumento da frota de satélites em órbita irão prejudicar o monitoramento de fenômenos espaciais

atualizado

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Yuichiro Chino via Getty Images
Ilustração colorida de vários satélites em órbita - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de vários satélites em órbita - Metrópoles - Foto: Yuichiro Chino via Getty Images

Com o avanço tecnológico, cada vez mais empresas estão lançando satélites ao espaço. Por lá, eles são capazes de monitorar o ambiente espacial, além de facilitar a comunicação e navegação de astronautas. No entanto, esse aumento exacerbado também traz prejuízos, principalmente por meio da poluição espacial.

Um estudo publicado nessa quarta-feira (3/12) aponta que a proliferação de satélites atrapalhará cerca de 96% das imagens capturadas por telescópios na Terra: uma única foto pode conter até 92 rastros de satélites no futuro.

O impacto da interferência é justamente nas descobertas espaciais, visto que “pedaços” dos objetos podem ser facilmente confundidos com asteroides. A pesquisa liderada por cientistas norte-americanos foi publicada no periódico Nature.

Quando se fala em números, o cenário se torna mais nebuloso para o futuro: no momento, há cerca de 15 mil satélites no espaço, porém a tendência é que várias empresas lancem muitos outros aparelhos no futuro. Uma das mais famosas e ativas no mercado espacial, a SpaceX sozinha planeja aumentar sua frota para cerca de 34 mil objetos.

Simulações mostram perigos dos satélites

Para chegar aos resultados, foram realizadas simulações computacionais de quatro telescópios em órbita baixa da Terra – cerca de 160 a 2 mil km acima da superfície terrestre. Alguns deles estão em funcionamento, como o Telescópio Espacial Hubble e o Observatório SPHEREx, ambos da Nasa. Já os outros dois ainda não, como Telescópio Espacial Xuntian da China (lançamento previsto para 2026) e a missão ARRAKIHS da Agência Espacial Europeia (ESA), com lançamento previsto para 2030.

Os 18 meses simulados tiraram fotos espaciais fictícias com números alternados de satélites em órbita. Os resultados mostraram que com 560 mil satélites – um número totalmente “alcançável” no futuro –, os rastros poderão contaminar de 40% a 96% das imagens dos instrumentos ópticos. Se o número chegar a um milhão, uma única imagem pode ter até 165 rastros de satélites.

“Nesse ritmo, teremos menos descobertas, imagens menos interessantes e, em geral, menos conhecimento. Se as suas imagens parecerem estar repletas de asteroides, é muito possível que você não veja um asteroide de verdade, e sim rastros de satélites”, afirma o autor principal do estudo, Alejandro Borlaff, em comunicado.

Ainda segundo Borlaff, a poluição espacial também pode atrapalhar a detecção de fenômenos raros, como explosões de raios gama.

Para solucionar o problema, os pesquisadores apontam que as empresas devem trabalhar juntas para compartilhar o espaço aéreo sem prejudicar novas descobertas, algo muito distante de acontecer devido a disputas geopolíticas.

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