Ratos-toupeira-pelados desafiam regra e trocam rainha sem conflito

Estudo indica que ratos-toupeira-pelados podem trocar rainha sem conflitos

atualizado

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1 de 1 rato-toupeira-pelado no fundo branco - Foto: Getty Images

Uma colônia de ratos-toupeira-pelados surpreendeu cientistas ao apresentar um comportamento inédito em ambiente de laboratório: a sucessão de uma rainha ocorreu de forma pacífica, sem as tradicionais disputas violentas que marcam a espécie. O caso publicado na revista Science Advances foi observado por pesquisadores do Salk Institute for Biological Studies, nos Estados Unidos.

Os ratos-toupeira-pelados são um dos poucos mamíferos eusociais que vivem em sistemas organizados com divisão clara de funções, semelhante ao de abelhas e formigas. Esses animais vivem em colônias em que apenas uma fêmea, a rainha, pode se reproduzir, enquanto os demais membros atuam como “trabalhadores”. Quando ela morre, o comum é que outras fêmeas iniciam uma disputa agressiva pelo poder, com ataques, morte de filhotes e confrontos até que uma se torne dominante.

Esse tipo de organização é eficiente em ambientes estáveis, como regiões áridas da África Subsaariana, onde a espécie vive na natureza. No entanto, também apresenta desvantagens, como a baixa diversidade genética da colônia e o alto custo energético das disputas por poder.

É possível uma sucessão sem violência?

No novo estudo, os pesquisadores observaram que a rainha de uma colônia transferiu o posto para uma de suas filhas sem conflitos. A sucessão pacífica, no entanto, não ocorreu em ambiente natural, mas sim em condições controladas de laboratório. A equipe acompanhou uma colônia mantida em viveiro no Salk Institute for Biological Studies, onde foi possível monitorar de perto o comportamento dos animais e testar diferentes cenários que poderiam influenciar a dinâmica social do grupo.

Para entender se havia margem para mudanças nesse sistema, os cientistas analisaram uma colônia formada por uma rainha, um macho reprodutor e quatro filhotes. Em laboratório, eles criaram situações que simulavam possíveis alterações no ambiente dos animais, sendo a realocação a principal delas, com a mudança do grupo para um novo espaço (estratégia que, na natureza, poderia indicar a ausência ou perda de dominância da rainha).

Após a mudança de local, a fêmea dominante interrompeu a reprodução por quase um ano. Nesse período, duas de suas filhas começaram a se reproduzir de forma sequencial. Ao final do processo, uma delas assumiu o papel de nova rainha, de forma pacífica e sem disputas agressivas. Um comportamento que contrasta com o padrão já descrito para a espécie, marcado por conflitos violentos.

Apesar de inédita, a descoberta ainda se limita ao contexto experimental. Até o momento, não há evidências de que esse tipo de sucessão pacífica ocorra na natureza, o que indica a necessidade de novos estudos para entender se essa flexibilidade social também pode se manifestar fora do laboratório.

Para os cientistas, o achado abre caminho para novas investigações sobre evolução, organização social e estratégias de sobrevivência em ambientes desafiadores, inclusive com possíveis paralelos em outros animais eusociais.

 

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