Pesquisadores brasileiros criam protetor solar à base de cerveja
O lúpulo, um dos componentes da cerveja, é antioxidante, o que ajuda o protetor a resistir ainda mais à ação dos raios ultravioletas (UV)
atualizado
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Pesquisadores brasileiros descobriram que os restos de um dos mais importantes componentes da cerveja podem ajudar a fabricar protetores solares. Ao incorporar os resíduos industriais de lúpulo na solução de filtros solares, os resultados foram satisfatórios. Além de tornar o produto mais natural, a descoberta ajuda a reaproveitar partes que seriam descartadas.
Na preparação de cervejas, o lúpulo pode ser adicionado em duas fases: na fervura do mosto (líquido doce obtido da mistura entre o malte da cevada e água quente) ou após a fermentação. Quando usado no segundo momento, o componente acrescentado não é utilizado totalmente e vários compostos bioativos vão para o lixo.
O reaproveitamento do material foi o gatilho para iniciar o estudo. Ao analisar os restos de lúpulo, os pesquisadores descobriram que eles possuem componentes benéficos, como ácidos amargos, óleos essenciais e polifenóis. O último, em especial, tem bastante propriedades antioxidantes e ajudam a proteger a pele da ação dos raios ultravioleta (UV).
O trabalho liderado pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da (FCF) da Universidade de São Paulo (USP) teve o resultados publicados na revista Photochem no início de fevereiro.
“Protetor solar de cerveja”
Obviamente, o protetor solar não é exatamente de cerveja, mas utiliza um dos principais componentes da bebida. Durante o estudo, foram preparados dois extratos com resíduo de lúpulo: um que havia passado pelo processo de fabricação da bebida e outro que não. O objetivo era comparar qual material funcionava mais, o puro ou o reutilizado.
Em laboratório, ambos os extratos foram incorporados a protetores solares em creme com proteção dos raios ultravioleta A e B (UVB e UVA). Também foi analisada a combinação deles com outros ingredientes dos filtros.
Posteriormente, um método tradicional confirmou que, mesmo com a adição dos extratos, havia eficácia fotoprotetora. No entanto, o material com substâncias reutilizadas era mais protetor, em comparação ao outro.
“Isso acontece provavelmente por causa da eliminação das substâncias voláteis envolvidas na fabricação da cerveja, deixando compostos que têm ligações químicas necessárias para a fotoproteção”, explica um dos autores do estudo, Daniel Pecoraro Demarque, em entrevista à Agência Fapesp.
Apesar dos resultados promissores, ainda é necessária a realização de algumas outras etapas essenciais para que o protetor solar com lúpulo possa ser comercializado. “São necessários estudos e validações complementares, como a estabilidade em longo prazo do protetor solar, padronização dos compostos bioativos e avaliação clínica de segurança e eficácia”, diz um dos coordenadores do trabalho, André Rolim Baby.
