Pontos de não retorno: saiba quais são os limites de mudanças na Terra

Terra está prestes a ativar limites irreversíveis do sistema climático se a situação não for tratada com a devida urgência, segundo estudos

atualizado

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Ilustração do planeta terra com metade pegando fogo - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração do planeta terra com metade pegando fogo - Metrópoles. - Foto: DrPixel / Getty Images

Preocupada com as mudanças climáticas, a comunidade científica identificou uma série de “pontos de não retorno”, também conhecidos como “tipping points”, que apontam limites críticos no sistema climático ou ecológico. Ultrapassá-los pode desencadear mudanças dramáticas e irreversíveis da Terra — eles são como uma trava invisível que, ao ser acionada, alterará o curso do planeta permanentemente.

Um estudo recente, feito por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e publicado em abril de 2025 na revista Earth System Dynamics, analisou 16 desses pontos críticos — entre os quais estão o colapso de grandes massas de gelo, a morte de corais tropicais e o desaparecimento de florestas como a Amazônia.

A conclusão é preocupante: considerando as políticas climáticas atuais, há uma probabilidade média de 62% de chegarmos a esses pontos irreversíveis, mesmo com os efeitos adicionais do derretimento do permafrost (camada de solo permanentemente congelada, encontrada em regiões frias como o Ártico e a Antártida) e da degradação amazônica considerados mínimos.

O estudo foi financiado pelo Fundo Bezos Earth, e ressalta que estamos em uma rota que atravessará os limiares críticos, mas ainda é possível reduzir o risco por meio de mudanças urgentes nas políticas globais.


16 pontos de não retorno globais

  1. Colapso da camada de gelo da Groenlândia;
  2. Colapso da camada de gelo da Antártica Ocidental;
  3. Colapso da camada de gelo da Antártica Oriental;
  4. Descongelamento abrupto do permafrost;
  5. Colapso da circulação meridional do Atlântico (AMOC);
  6. Mortandade dos recifes de coral tropicais;
  7. Colapso do manto de gelo marinho do Ártico no verão;
  8. Degradação da floresta amazônica;
  9. Degradação das florestas boreais (Canadá, Sibéria, Escandinávia);
  10. Colapso da monção da África Ocidental;
  11. Colapso da monção do Sul da Ásia (incluindo a Índia);
  12. Mudança no regime das chuvas no Sahel;
  13. Transformação do sistema de nuvens estratocúmulos subtropicais;
  14. Desaparecimento da camada de gelo do Mar de Bering;
  15. Mudança da vegetação e desertificação da Austrália Central;
  16. Colapso dos sistemas de manguezais e pântanos costeiros.

Além disso, há evidências de que diversos desses pontos podem já estar mais próximos do que se imaginava: uma análise publicada na Science em 2022 sugere que, com 1,5 °C de aquecimento — meta do Acordo de Paris —, pelo menos quatro tipping points globais já poderiam ser acionados, incluindo o colapso das camadas de gelo e o branqueamento dos corais.

Para entender melhor a gravidade do problema, um bom exemplo são os efeitos que não têm volta, como o derretimento acelerado de grandes geleiras ou o aquecimento dos oceanos que faz desaparecer habitats inteiros. Se passarmos desses pontos, as consequências se propagam, elevando o nível do mar, desestabilizando sistemas climáticos e afetando a vida de bilhões de seres vivos importantes para o equilíbrio na Terra.

Segundo as pesquisas, ainda há tempo para evitar o pior. Estímulos a políticas mais verdes, redução rápida nas emissões de gases do efeito estufa e transição energética são caminhos que podem frear essa trajetória perigosa — porém, as mudanças devem ser adotadas com urgência.

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