Estudo encontra plantas rasteiras com mais de 100 anos no Cerrado
Entre as plantas mais velhas encontradas pelos pesquisadores brasileiros no Cerrado e Mata Atlântica está um exemplar de 136 anos
atualizado
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Ao analisar mais de 200 plantas pequenas coletadas nos campos naturais do Cerrado e Mata Atlântica, pesquisadores brasileiros encontraram exemplares com mais de 100 anos no primeiro bioma. Foram investigadas 107 espécies e a maioria não ultrapassava os 10 anos de idade.
As plantas mais novas foram achadas principalmente na Mata Atlântica, enquanto as mais velhas estavam no Cerrado. A recordista em idade foi uma “vovó vegetal” de 136 anos.
O objetivo dos cientistas era analisar alguns dos campos naturais brasileiros, um tipo de formação vegetal aberta, cheia de gramíneas, ervas e pequenos arbustos, mas poucas ou nenhuma árvore. Apesar de não ser a vegetação predominante no Cerrado e Mata Atlântica, ela faz parte das fisionomias dos biomas.
Basicamente, os campos naturais são como gramados extensos. Apesar de não parecerem cheios de diversidade, várias espécies vivem no local Além disso, a vegetação cobre uma parte significativa do planeta, cerca de 20%.
A investigação sobre os campos naturais brasileiros foi liderada pelo projeto Biota Campos, uma iniciativa científica brasileira focada em estudar, caracterizar e conservar esse tipo de vegetação. Os resultados foram publicados na revista Dendrochronologia em meados de janeiro.
Investigação sobre idade das plantas
Depois de coletar os exemplares, os pesquisadores queriam descobrir a idade deles através da análise dos órgãos subterrâneos das plantas. A técnica utilizada foi a herbocronologia, um método cronológico responsável por determinar como foi o desenvolvimento dos vegetais pequenos ao longo do tempo e por quanto tempo eles estão vivos.
As árvores podem ter a idade determinada pela dendrocronologia, um método que mede a idade através dos anéis de crescimento aparentes em seu tronco. Já as plantas pequenas desenvolvem estruturas como essa nas partes abaixo da terra. Assim, a herbocronologia surge como alternativa mais viável para a datação dos vegetais.
Apesar de boa parte das amostras das plantas terem anéis de crescimento nas raízes bem demarcados, outras eram pequenas demais e tiveram que ser analisadas de outra forma.
Por meio de corantes, os cientistas conseguiram achar as células dos anéis de crescimento com um microscópio. O novo tipo de investigação foi feito em outro estudo separado, desta vez publicado na revista Flora no final de dezembro.
Com ambas análises, foi possível encontrar plantas mais novas, com apenas 10 anos, e outras bem mais velhas, ultrapassando os 100 anos de idade.
“A maioria das amostras tinha menos de 10 anos, mas encontramos seis indivíduos com mais de 100 anos. Idades elevadas foram mais frequentes em campos do Cerrado sob longa estação seca, e nenhuma planta com mais de 10 anos foi encontrada em campos de altitude sob o clima úmido da Mata Atlântica”, escrevem os autores no artigo.
Para os pesquisadores, a investigação mais profunda sobre detalhes dos campos naturais é uma ótimo avanço para a conservação da vegetação, visto que dados apontam uma degradação cada vez maior do ecossistema pelo mundo.
“Ao validar um método para determinar a idade de plantas jovens, nosso estudo fornece a base para pesquisas futuras e, principalmente, permite estimar a idade de ecossistemas herbáceos, fortalecendo assim os argumentos em favor de sua conservação”, finalizam os cientistas.
