Cientistas criam suculentas que brilham no escuro e "carregam" no Sol
Chineses desenvolvem suculentas e outras plantas que brilham em várias cores após exposição solar, com potencial para iluminação sustentável

Cientistas chineses acabam de criar o mais novo objeto de desejo de qualquer pai de planta. Uma equipe da Universidade Agrícola do Sul da China desenvolveu suculentas capazes de brilhar no escuro e que “recarregam” após exposição à luz solar.
As folhas podem emitir cores variadas, formando até um arco-íris em uma única folha, depois de receberem o líquido emissor bioluminescente. O resultado da criação ao estilo Avatar foi publicado na revista Matter, da Cell Press, na quarta-feira (27/8).
Para gerar as plantas brilhantes, os pesquisadores injetaram compostos emissores de luz nos tecidos foliares, obtendo brilhos intensos especialmente nos primeiros 10 minutos em que o vegetal está no escuro.
O processo dura cerca de dez minutos por planta e custa cerca de US$ 1,40, aproximadamente R$ 8. Por ser um método simples e de baixo custo, os cientistas acreditam que pode servir como base para novos sistemas de iluminação sustentável
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO efeito inicial permanece intenso por até duas horas antes de uma nova carga de luz solar, que não precisa passar de apenas alguns minutos. Assim, o brilho é reativado e se mantém no mesmo nível de intensidade inicial por mais de 15 dias.
Como funciona o brilho vegetal?
Os pesquisadores usaram partículas de fósforo com efeito pós-luminescência, semelhantes às presentes em brinquedos que brilham no escuro. Essas micropartículas absorvem energia da luz e a liberam lentamente durante a noite.
Segundo a equipe da Universidade Agrícola do Sul da China, não há prejuízo algum para a planta. Para tal, o tamanho das partículas foi determinante. Com cerca de 7 micrômetros — equivalente à largura de um glóbulo vermelho —, elas conseguiram se espalhar pelos tecidos das folhas sem perder intensidade luminosa.
O efeito foi mais eficiente em suculentas, que possuem canais estreitos e uniformes. Em outras espécies, a distribuição não produziu brilho semelhante. Embora não seja a primeira vez que plantas brilhantes são desenvolvidas, elas eram feitas com engenharia genética usando células de algas, como no caso da petúnia Firefly desenvolvida em 2024, em um processo caro e que só as permitia brilhar em verde e em pequena intensidade.
Do laboratório para as plantas
“Acho simplesmente incrível que um material inteiramente feito pelo homem, em microescala, possa se unir tão perfeitamente à estrutura natural de uma planta. A forma como ele se integra é quase mágica. Cria um tipo especial de funcionalidade. Imagine o mundo de Avatar, onde plantas brilhantes iluminam um ecossistema inteiro”, afirmou o pesquisador Shuting Liu, autor do artigo.
Além da função estética, o botânico acredita que a pesquisa pode levar a impactos sociais no futuro, com árvores luminosas podendo até substituir postes de luz de forma sustentável.
Usando diferentes tipos de fósforos, a equipe obteve plantas que brilham em verde, azul e vermelho. Em teste, construíram uma parede de 56 suculentas luminescentes capaz de iluminar objetos próximos e até permitir leitura de textos.
Apesar do entusiasmo, o brilho diminui com o tempo, e cada folha precisa ser tratada separadamente para gerar o efeito. Os cientistas ainda avaliam os impactos dos compostos de fósforo para a saúde dos vegetais no longo prazo, embora não tenha havido nenhum impacto em pequeno e médio prazo.
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