Plantas abrigam formigas rivais em “condomínios” naturais. Entenda
Planta das ilhas Fiji, no Pacífico Sul, abriga colônias rivais de formigas em compartimentos separados, garantindo convivência sem conflitos
13/08/2025 16:53

Em meio às florestas tropicais das ilhas Fiji, no Pacífico Sul, pesquisadores identificaram uma planta capaz de abrigar várias colônias de formigas que, em outros ambientes, são inimigas.
A descoberta, publicada na revista Science em 10 de julho, mostra que a arquitetura interna da planta mantém as espécies separadas, permitindo que vivam lado a lado sem se enfrentar.
O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Durham, no Reino Unido, que analisaram o gênero botânico Squamellaria. Trata-se de plantas epífitas, que crescem no alto das árvores sem contato direto com o solo. Para se desenvolver, elas criam estruturas ocas chamadas domácias, onde as formigas instalam suas colônias.
Compartimentos para manter a paz
Ao examinar exemplares da planta, os cientistas encontraram até cinco colônias geneticamente distintas ocupando o mesmo tubérculo. Normalmente, essa proximidade resultaria em confrontos letais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo entanto, tomografias computadorizadas revelaram que as domácias possuem compartimentos separados por paredes espessas e entradas independentes, o que impede qualquer encontro entre as espécies de formigas. Quando essa barreira foi removida em laboratório, os insetos rapidamente entraram em combate.
“A arquitetura compartimentada é essencial para evitar guerras e manter a estabilidade da parceria da planta com todas as formigas que a habitam”, explicam os autores do estudo, Guillaume Chomicki e Susanne Renner, em artigo publicado no The Conversation.

Benefícios para as duas partes
As Squamellaria e as formigas se beneficiam da convivência. Os insetos ganham um local protegido contra predadores, enquanto a planta absorve nutrientes das fezes e dos restos orgânicos acumulados nos túneis.
Além disso, as formigas ajudam na dispersão das sementes, transportando-as para outras árvores. Com o tempo, a planta desenvolve novos compartimentos, possibilitando a instalação de mais colônias.
Segundo os pesquisadores, este é o primeiro registro de animais simbiontes agressivos vivendo juntos no interior de um único hospedeiro vegetal. A estratégia de “condomínio” evita perdas que poderiam comprometer a sobrevivência da planta e garante que ela continue recebendo os nutrientes necessários para crescer.
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