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Ladras de galinhas: pesquisa mostra relação entre sucuris e comunidade

O estudo sobre as sucuris foi realizado por pesquisadores do Instituto Mamirauá, no Amazonas, e da Universidade Federal do Pará

atualizado

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Beatriz Cosendey/Divulgação
Imagem colorida de cobra sucuri enrolada - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de cobra sucuri enrolada - Metrópoles - Foto: Beatriz Cosendey/Divulgação

As sucuris, também conhecidas como anacondas, são cobras que assustam devido ao seu tamanho e imponência. Porém, elas vivem próximas a algumas comunidades na Amazônia, em sintonia com a população. Para entender melhor a relação entre o animal e as pessoas, pesquisadores do Instituto Mamirauá, no Amazonas, e da Universidade Federal do Pará se uniram para entrevistar quem vive lado a lado com as gigantes na comunidade Aritapera, no Pará.

Em conversas com os locais, pesquisadores descobriram que as sucuris têm ocupado um novo papel na rotina das famílias ribeirinhas: o de ladras de galinhas. “Quando se fala em sucuris, um mesmo assunto sempre vem à tona. “Galinha é o prato favorito dela. Um morador disse que, se uma cacarejar, ela vem”, destaca a cientista Beatriz Cosendey, que liderou o estudo.

A caça das sucuris às galinhas tem causado impactos financeiros significativos, principalmente em regiões onde o milho – base da ração das aves – é caro, prejudicando o investimento dos moradores.

Geralmente, as cobras que atacam os galinheiros são menores, medindo de dois a três metros. Enquanto isso, as grandes sucuris têm sido cada vez menos avistadas pelos moradores.

“As maiores — que ainda podem carregar o peso simbólico da ‘cobra-grande’ — tendem a se refugiar em áreas mais abrigadas. Devido à presença de casas, barcos motorizados e ao barulho geral, elas agora são vistas com muito menos frequência”, explica a cientista.

O estudo foi publicado nesse domingo (15/6) no periódico Frontiers. Em comunicado à imprensa, Beatriz relata que para entender melhor a coexistência entre humanos e sucuris, os cientistas conversaram com moradores da região.

“Ninguém conhece um lugar melhor do que aqueles que vivem nele há gerações. Essa profunda familiaridade permite a detecção precoce de mudanças ou alterações ambientais. Além disso, desenvolver um projeto colaborativo com os moradores gera maior engajamento, pois eles se reconhecem como contribuintes ativos”, relata a pesquisadora.

Nas regiões amazônicas, as sucuris sempre foram vistas como figuras mitológicas. Entre as principais histórias, está a lendária cobra-grande. De acordo com os moradores do local, a cobra-grande habita o Rio Amazonas e dorme sob a cidade. Seus olhos brilham como fogo na escuridão e seu corpo é tão grande que pode sacudir o rio e engolir animais enormes e até humanos.

Imagem colorida de comunidade ribeirinha - Metrópoles
Pesquisa foi realizada com base em entrevistas com moradores de comunidades ribeirinhas

Importância da pesquisa

Apesar das perdas, a comunidade mostra que é possível conviver em harmonia com a natureza sem prejudicá-la. Mesmo com problemas de convivência, os moradores se adaptaram e buscaram soluções simples, mas inovadoras, para se proteger.

Os resultados do estudo mostram aos cientistas e ao poder público que o relacionamento entre homem e natureza pode ser preservado, sem medidas que acabem com a nossa fauna e flora.

“Gostaria de ver mais projetos de conservação que incluam as comunidades locais como participantes ativos, em vez de observadores passivos. Incorporar suas vozes, perspectivas e necessidades não só torna as iniciativas mais eficazes, como também mais justas”, finaliza Beatriz.

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