Peixe de 5 centímetros é flagrado escalando cachoeira de 15 metros
Registro científico confirma comportamento observado há décadas e mostra como pequenos peixes sobem rochas em meio à correnteza
atualizado
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Pequenos peixes africanos de menos de cinco centímetros de comprimento foram flagrados escalando uma cachoeira de cerca de 15 metros na República Democrática do Congo. A observação confirma cientificamente um comportamento que há décadas era relatado de forma informal por moradores e pesquisadores da região.
O fenômeno envolve a espécie Parakneria thysi, conhecida localmente como shellear fish. O registro foi descrito em um estudo publicado nessa quinta-feira (2/4) na revista científica Scientific Reports e documenta, pela primeira vez, a subida coletiva dos peixes pelas rochas úmidas das Cataratas de Luvilombo.
Os animais medem entre cerca de 3,7 e 4,8 centímetros, mas conseguem subir uma parede rochosa íngreme em meio ao fluxo constante de água. A escalada ocorre principalmente no final da estação chuvosa, entre abril e maio, quando o nível do rio aumenta.
Como os peixes conseguem subir
A subida não acontece de forma contínua. Durante as observações feitas entre 2018 e 2020, os cientistas acompanharam os peixes por quase dez horas enquanto eles avançavam lentamente pela superfície da rocha.
Grande parte do tempo é dedicada a pausas. Os peixes alternam curtos períodos de movimento intenso com intervalos de descanso, enquanto se mantêm presos à pedra.
Essa capacidade é possível graças a adaptações nas nadadeiras. Na parte inferior das nadadeiras peitorais e pélvicas existem pequenas estruturas semelhantes a ganchos microscópicos, que ajudam os animais a se fixar na superfície.
Com essa aderência, os peixes conseguem se impulsionar para cima utilizando movimentos laterais do corpo, semelhantes aos que fazem ao nadar.
Mesmo assim, o processo é difícil. Durante a escalada alguns indivíduos se desprendem da rocha e acabam sendo levados pela correnteza, tendo que recomeçar o trajeto.
Por que eles fazem essa migração?
Os cientistas ainda não têm certeza sobre o motivo da escalada. Uma das hipóteses é que os peixes estejam retornando a trechos do rio onde vivem normalmente depois de serem arrastados pelas fortes chuvas.
Outra possibilidade é que busquem áreas com menor presença de predadores ou melhores condições para sobrevivência.
O estudo também chama atenção para a situação do rio Luvilombo, que sofre impactos ambientais causados por atividades humanas. Em alguns períodos da estação seca, trechos do rio chegam a secar completamente devido à retirada de água para irrigação agrícola.
Segundo os pesquisadores, compreender o comportamento dessa espécie pode ajudar a reforçar iniciativas de conservação na região e a proteger ecossistemas aquáticos pouco estudados.
